Por que o Lyon foi rebaixado? Tudo que você precisa saber sobre a situação de Textor na França
Clube francês teve punição administrativa anunciada nesta terça-feira (24)
Em meio a problemas financeiros, o Lyon foi punido no fair play financeiro com o rebaixamento para a Ligue 2, a segunda divisão da França. A decisão foi tomada nesta terça-feira (24) pela Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG) da Liga de Futebol Profissional da França (LFP), que não foi convencida pelas garantias financeiras apresentadas por John Textor, proprietário do OL.
O empresário norte-americano e Michael Gerlinger, diretor de futebol do Lyon, foram ouvidos durante o julgamento para apresentar garantias financeiras pelo órgão fiscalizador do futebol francês. Entretanto, o que foi apresentado pelos representantes do OL não foi suficiente.
O Lyon de Textor ainda pode recorrer da decisão. Entenda tudo sobre a queda administrativa do OL na Ligue 1.
Por que Lyon foi rebaixado?

No dia 15 de novembro de 2024, a DNCG estipulou o rebaixamento administrativo do Lyon para a Ligue 2 devido à frágil situação financeira. A Eagle Football Group, holding que pertence a John Textor, tem uma dívida de 500 milhões de euros (cerca de R$ 3,2 bilhões).
Na temporada 2023/24, a Eagle registrou um déficit de 25,7 milhões de euros (em torno de R$ 164,7 milhões na cotação atual). Como consequência, o órgão fiscalizador chegou a proibir o OL de registrar novos reforços na janela de transferências de janeiro.
A expectativa da Direção Nacional de Controle e Gestão era que Textor e demais dirigentes do Lyon apresentassem garantias financeiras de, pelo menos, 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 640,6 milhões) em 2024/25.
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Textor tentou evitar sanção na Ligue 1
Ciente da possibilidade de sanção, o empresário norte-americano se movimentou nos bastidores para angariar fundos. O próprio OL acertou a venda de sua jovem estrela Rayan Cherki ao Manchester City no início de junho por 40 milhões de euros (cerca de R$ 255 milhões à época).
O Lyon também apresentou um plano de demissão voluntária para 100 funcionários. Além disso, o OL buscou reduzir sua folha salarial rescindindo com jogadores de altos custos, como o goleiro Anthony Lopes e o centroavante Alexandre Lacazette.

Já no último domingo (22), Textor fechou a venda de sua participação minoritária no Crystal Palace para Woody Johnson, proprietário do time de futebol americano New York Jets. A Eagle Holding negociou seus 44,9% do time da Premier League por 254 milhões de dólares (em torno de R$ 1,4 bilhão).
Antes de ter o rebaixamento decretado, o proprietário do Lyon falou sobre as punições impostas pela DNCG em entrevista. John Textor se mostrou confiante que a venda do Crystal Palace seria o diferencial para se adequar às exigências financeiras do órgão francês.
— Todos sabem (por) quanto vendemos o Crystal Palace. Esse dinheiro está investido na Eagle. Obviamente, gostaríamos de usá-lo para pagar nossas dívidas. Também gostaríamos de disponibilizar parte dele para a empresa.
“A UEFA nos pediu para investir uma quantia na empresa para garantir nossa sustentabilidade e tranquilizá-los. Atendemos ao pedido e fornecemos essa quantia. E esta é a apresentação que fizemos à DNCG”, finalizou o empresário norte-americano.
O que acontece agora?
Segundo a rádio “RMC”, o Lyon tem sete dias para recorrer da decisão da Direção Nacional de Controle e Gestão, o que deve ser feito. Esse movimento permitirá o dono do OL e sua gestão mais algum tempo para apresentar as garantias financeiras necessárias.
Cabe destacar que a venda do Crystal Palace para Johnson ainda está sujeita à aprovação da Premier League e da Super Liga Feminina. Fontes familiarizadas com o acordo revelaram à “BBC” que o trabalho para o proprietário do New York Jets passar no teste começou há cerca de duas semanas.

Portanto, é provável que Textor ainda não tenha embolsado o valor da venda de sua fatia do Crystal Palace para apresentar ao órgão fiscalizador francês. A expectativa do empresário norte-americano é que não haja problemas para transferir sua propriedade a Woody Johnson.
O Lyon receberá a decisão da DNCG com uma explicação completa sobre o rebaixamento para a Ligue 2. Após essa notificação oficial, John Texor deverá recorrer ao comitê de apelações por e-mail ou carta registrada.
O regulamento do futebol francês diz que “ainda sujeito à inadmissibilidade, qualquer novo documento e/ou compromisso que o clube recorrente pretenda apresentar deverá ser apresentado, o mais tardar, durante a sua audiência perante a comissão de recursos e devidamente formalizado até essa data”.
Se mesmo assim a Direção Nacional de Controle e Gestão confirmar o rebaixamento administrativo do Lyon em segunda instância, quem é beneficiado é o Reims, que perdeu o playoff de acesso à Ligue 1 para o Metz, conforme descrito no regulamento.
Para isso, o Reims também precisa ter suas contas aprovadas pelo órgão fiscalizador. O OL jogou a Ligue 2 pela última vez em 1989, e o empresário norte-americano vai tentar evitar que a história se repita.



