Inglaterra

Exemplo dado: clube da segundona inglesa usa dinheiro da TV para diminuir preço dos ingressos

Dez pontos acima da zona de rebaixamento e longe de fazer a mais empolgante das campanhas na Championship, o Huddersfield Town tem visto seu público médio cair, e a solução encontrada para aquecer a relação com sua torcida não poderia ser mais acertada para o momento pelo qual o futebol inglês passa: usar as novas rendas de direitos de transmissão para subsidiar uma diminuição no preço dos ingressos.

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Atualmente, o carnê de temporada para assistir às partidas do Huddersfield na Championship custa £ 560 para adultos, o que, ao longo das 23 partidas que a equipe faz em casa em uma temporada na segundona inglesa, dá uma média de £ 24,30 por jogo. Com os £ 2 milhões adicionais do novo acordo de direitos de transmissão da próxima temporada, o clube anunciou que diminuirá o valor do carnê para £ 179, o que deixa cada partida com um custo médio de £ 7,80.

“Decidimos que, com o novo dinheiro da TV chegando, reduziríamos os preços dos carnês de temporada. É uma economia fantástica que, esperamos, nos fará ver um futebol entretido e o avanço do clube. Em um momento em que mais dinheiro está chegando ao futebol, você vê tantos estádios com cadeiras vazias. Os preços têm subido, mas queremos tentar um caminho diferente. Vamos encher o estádio e ver aonde isso nos leva”, explicou Dean Hoyle, presidente dos Terriers, em entrevista ao jornal Huddersfield Daily Examiner.

Evidentemente, a presença cada vez menor de torcedores nas arquibancadas do estádio John Smith foi um importante motivador para a tomada da decisão, e, como a fala do mandatário do Huddersfield demonstra, o clube não tem pudor algum em admitir isso. Em 2012/13, a média de público dos Terriers havia sido de 15.068 pessoas por jogo, número que, atualmente, caiu para 13.541.

Observando que o tamanho da perda de público no estádio John Smith nem foi lá tão gritante, o gesto da diretoria do Huddersfield torna-se ainda mais importante no atual contexto de discussão da gentrificação das arquibancadas do futebol inglês. Malcolm Clarke, presidente da Football Supporters’ Federation, a mais importante associação de torcedores na atual batalha por ingressos mais acessíveis, já posicionou-se em apoio ao clube e aproveitou, é claro, para puxar a orelha dos times da elite, em sua maioria ainda relutantes quanto ao assunto: “A FSF parabeniza o Huddersfield Town por sua iniciativa, que é particularmente louvável para um clube da Championship, que não tem o nível enorme de receita de televisão de que os clubes da Premier League gozam. Pedimos a outros clubes, particularmente os da Premier League, que sigam o exemplo”.

Se um clube da segundona inglesa, sem perspectivas de subir para a primeira divisão na próxima temporada, foi capaz de fazer isso, independentemente de seu contexto de queda de público, não é possível que times como o Arsenal, com o maior valor em caixa em todo o mundo e os preços mais exorbitantes de ingressos na Premier League, não possam fazer pelo menos um esforço em oferecer entradas mais acessíveis. Priorizar o investimento das novas receitas em contratações, como fez Wenger, é uma posição política que, na atual conjuntura, pode trazer consequências bastantes ruins na relação das instituições e de seus profissionais com o torcedor.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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