Como o Everton segurou duas promessas cobiçadas pelo Big Six da Premier League
Toffees superaram anos de má gestão e agora veem luz no fim do túnel
O Everton, um dos times mais tradicionais da Inglaterra, viveu temporadas complexas recentemente, mas parece estar encontrando a luz no fim do túnel. Em 23 rodadas na Premier League atual, o clube de Liverpool está dentro da disputa por vaga em competição europeia e parte da resposta para isso está na manutenção de seus talentos.
Os Toffees anunciaram na última sexta-feira (23) a renovação de James Garner, um dos destaques de 2025/26, até o meio de 2030.
O jovem de 24 anos, formado pelo Manchester United, tem impressionado pela qualidade no passe no meio-campo do time de David Moyes e pode ser uma novidade pela Inglaterra na próxima Copa do Mundo. O contrato dele iria expirar no meio do ano, o que levantou interesse no mercado, e mesmo assim os azuis conseguiram segurá-lo.
He's always looked best in Blue.. 😉🔵 pic.twitter.com/qwoMud6oXI
— Everton (@Everton) January 23, 2026
O meia faz parte de uma série de renovações nos últimos meses de jogadores valorizados. No meio de 2025, foi a vez do jovem zagueiro Jarrad Branthwaite, alvo de Real Madrid, Chelsea, Tottenham e United, firmar um novo vínculo também até 2030 — o defensor, porém, só fez uma partida na temporada por uma lesão na coxa.
Em outubro passado, os experientes Pickford e Tarkowski tiveram suas renovações confirmadas para 2029 e 2028, respectivamente.
Claro que nem toda renovação entra no mesmo contexto, mas mostra uma nova força do clube que parecia improvável nos últimos anos. A Trivela explica neste artigo a mudança de chave do Everton.
Everton deu a volta por cima após mudança de donos
O clube de Liverpool sofreu com uma gestão temerária do empresário iraniano Farhad Moshiri entre 2016 e 2024, período marcado por lutas contra o rebaixamento, 12 técnicos diferentes, problemas com o fair play financeiro do Campeonato Inglês e a total perda do protagonismo de um time acostumado com a parte de cima da tabela.
O auge da problemática passagem do ex-dono veio na temporada 2023/24, quando o clube infringiu as Regras de Lucro e Sustentabilidade (PSR na sigla em inglês) da Premier League, com prejuízos acima de 105 milhões de libras em três anos, e teve oito pontos deduzidos na competição daquele ano.
Com muita luta e o dedo do então técnico Sean Dyche, a equipe se salvou da queda à Championship que seria catastrófica não só pela natural perda de receitas de TV, como também porque o clube construia um novo estádio.
Foi justamente em 2024 quando Moshiri vendeu sua participação de 94% no Everton ao Grupo Friedkin, também dono da Roma, e a realidade do time passou a mudar.

- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Manutenção de Branthwaite e outros, porém, custou saídas
Ainda no fim da era Moshiri, o Everton buscava se adequar ao PSR para segurar os principais talentos na gestão do diretor Kevin Thelwell (que só deixou o clube no meio do ano passado). No fim de junho de 2024, foram vendidos Ben Godfrey e Lewis Dobbin para que o time cumprisse o fair play pela primeira vez em três anos.
Na mesma janela de transferências, Amadou Onana chegou ao Aston Villa por 50 milhões de libras, valor considerado abaixo do que se esperava. O movimento era claro para manter Branthwaite, que era alvo do Manchester United, clube que conhecia as dificuldades financeiras dos Toffees e teve duas propostas recusadas.
Sean Dyche tratava o jovem como um pilar mais importante para seu esquema do que Onana e conseguiu mantê-lo, mas não o seu próprio cargo meses depois. O Everton, no começo da Premier League 24/25, reviveu traumas da briga contra o rebaixamento logo no início da nova gestão dos Friedkin.
A equipe estava na beira da zona do Z3 até o início do ano passado, quando o treinador foi demitido e David Moyes chegou para uma enorme campanha que terminou em um improvável 13º lugar, o que deu um alívio nas receitas do time, conforme matéria do site especializado “Liverpool Echo”.

Sonho europeu serve como incentivo para continuação de jovens promissores
Para a atual temporada, a primeira no novo Estádio Hill Dickinson, uma máquina de gerar receitas ao clube que o Goodison Park não conseguia mais, a equipe não precisou fazer grandes vendas e ainda pôde investir: Dibling, Thierno Barry, Dewsbury-Hall, Carlos Alcaraz (contratado em definitivo), Aznou e Mark Travers custaram quase 130 milhões de euros. Grealish, por empréstimo, veio sem custos.
Com os novos jogadores e os antigos, uma gestão menos caótica e mais capaz de investimentos e Moyes conduzindo, o clube azul de Liverpool está em décimo e soma 33 pontos, só cinco atrás do Manchester United, primeiro time dentro do G4 — as vagas em competições europeias podem chegar até o sétimo lugar nesta em 25/26.
Com a disputa de um torneio da Europa no retrovisor, o que seria a primeira desde 2017/18, os jovens que acabaram de renovar os contratos se mostram animados com o futuro do clube.
— Estou no Everton há cinco anos e meio e vi a mudança pela qual o clube passou nos últimos seis meses — disse Branthwaite ao site oficial do clube após a renovação em julho passado.
— Tenho acompanhado o progresso que fizemos recentemente. Agora quero fazer parte desse progresso e levar o clube de volta ao lugar que ele merece. O objetivo desta temporada é chegar à Europa. É isso que nós, como clube – e nós, como jogadores e comissão técnica – devemos almejar. Nada menos que isso. Acho que isso é perfeitamente possível, e é isso que queremos para a próxima temporada e para as temporadas seguintes — reiterou Garner.



