Inglaterra

Como esse clube quer usar a inteligência artificial para voltar à Premier League

Clube da terceira divisão contratou chefe de inteligência artificial para ajudar no objetivo de retornar à elite do futebol inglês

Um dos times da Premier League na temporada 2012/2013, o Reading atualmente disputa a League One, a terceira divisão inglesa, mas o foco é retornar à elite. Para isso, tem apostado na tecnologia. O Reading é o primeiro clube da Inglaterra a criar um cargo dedicado ao uso da inteligência artificial no futebol.

— Estamos analisando o que podemos fazer para inovar. Como podemos ser diferentes? — disse Stuart Fenton, chefe de inteligência artificial do clube em entrevista à “Sky Sports.

O Reading vive um momento desafiador, caiu para a terceira divisão inglesa em 2023 e hoje está no meio da tabela. Agora, o clube quer afastar os fantasmas e voltar a sonhar grande.

Leam Richardson técnico do Reading. Foto: Imago
Leam Richardson técnico do Reading. Foto: Imago

O novo proprietário do clube, Rob Couhig, entende que o uso da inteligência artificial pode ser uma forma de auxílio aos jogadores, comissão técnica e departamento de scout.

— Foi uma mudança cultural para nós. Ele liderou essa mudança. Ele quer que sejamos inovadores, que sejamos orientados por dados. A ideia vem de cima, mas todos estão a bordo. É para nos tornarmos melhores — explicou Fenton ao se referir ao proprietário do clube, Couhig.

Temos um plano para chegar à Premier League. Só conseguiremos isso aproveitando as oportunidades. O que podemos identificar que nos dará a vantagem inovadora que buscamos? É por isso que queremos ser os pioneiros nessa área — completou o chefe de inteligência artificial do clube.

Para ser o clube inovador, o Reading firmou uma parceria com a Score, empresa de IA de visão computacional. Inicialmente, a parceria é de apenas um ano, mas com objetivo a longo prazo.

— É uma grande oportunidade para nós tentarmos nos diferenciar como equipe, sermos inovadores e, de fato, pioneiros. A ambição de Rob é que sejamos a equipe mais inovadora no uso de IA no futebol mundial. Este é o primeiro passo que precisamos dar para chegar lá — afirmou Fenton.

Leam Richardson técnico do Reading
Leam Richardson técnico do Reading. Foto: Imago

Qual é o plano do Reading com a empresa Score?

A ideia do Reading é focar na análise de jogadores de qualquer liga do mundo, fornecer análises rápidas de jogos e insights de desempenho, além de apoiar a preparação tática e análise de adversários, e fornecer informações baseadas em dados para recrutamento.

Segundo a “Sky Sports”, embora o Reading entenda que terá vantagem por ser pioneiro nesse quesito, há também riscos.

— Outros vão esperar para ver como isso vai funcionar — afirmou Fenton.

CEO e cofundador da Score, Max Sebti afirmou que é inteligente e cativante a parceria, no entanto, admitiu que tudo ainda está em fase de conceito.

— Nosso objetivo não é ser uma empresa de análise esportiva. Nosso objetivo é mostrar que nossa IA pode ajudar um time de futebol — disse o rapaz em entrevista à “Sky Sports”.

Embora esteja em fase embrionária, o discurso de apresentação da parceria citava análises de desempenho e insights táticos que irão orientar a abordagem do Reading no mercado de transferências.

— Os recursos necessários para analisar centenas de milhares de jogos de diferentes ligas são um trabalho que claramente só está acessível aos clubes de elite. Estamos tentando disponibilizar essa mesma ferramenta para outros clubes. Tudo se resume a velocidade, custo e precisão — afirmou Sebti.

— A IA consegue processar grandes quantidades de dados, então estamos conversando com Stuart e sua equipe para entender onde focar. Podemos analisar diferentes tipos de jogadores, encontrar novos talentos jovens, entender se aquele jogador da América do Sul poderia jogar nesta liga? A IA precisa ser controlada por especialistas. Estamos aqui para ajudar pessoas reais a tomarem decisões melhores — completou.

A expectativa é que a IA possa ser implementada de forma mais ampla em todo o clube no futuro.

— Podemos operar em tempo real, então, em algum momento, também seremos capazes de ajudar no desempenho. A grande vantagem da IA ​​é que você pode simular diversos cenários. Antes de uma partida, você pode configurar diferentes times, executar diferentes simulações e, então, tomar suas próprias decisões sobre quem deve jogar. É literalmente jogar Football Manager com jogadores reais — finalizou Sebti.

Foto de Gabriella Brizotti

Gabriella BrizottiRedatora de esportes

Formada em jornalismo pela Unesp, sou uma apaixonada pelo esporte em geral, principalmente o futebol. Dentre as minhas paixões, está o futebol argentino e suas 'hinchadas'.

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