Inglaterra

Elano e Robinho se reencontram no Santos, mas ainda bem que ninguém convidou o Bellamy

Depois de serem campeões brasileiros pelo Santos e dividirem uma passagem mais ou menos pelo Manchester City, Robinho e Elano são novamente companheiros de equipe. Uma daquelas amizades bonitas do futebol. O meia, artilheiro da Superliga Indiana, foi apresentado essa semana e comemorou a nova-velha parceria com o Rei das Pedaladas com um post no Instagram e várias hashtags (#irmão, #pedalada, essas coisas).

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Mas não estamos cobrindo redes sociais. É que essa reedição da dupla nos lembrou de uma anedota da época em que os dois estavam no futebol inglês. A história foi contada pelo galês Craig Bellamy, em seu livro Craig Bellamy: GoodFella, e relata uma discussão que teve com eles após uma derrota por 2 a 0 para o Portsmouth, pois na sua opinião Robinho e Elano não se esforçaram.

Não queremos chamar nenhum dos dois de chinelinho e temos apenas a visão de Bellamy dos acontecimentos, não necessariamente uma fonte confiável. Provavelmente, foi apenas um choque cultural interessante entre brasileiros, habilidosos e artistas, e britânicos, mais trabalhadores e esforçados. Vale o registro:

Nós tivemos muitos bons jogadores no Manchester City quando cheguei, em janeiro de 2009, mas éramos inconsistentes. Eu percebi qual era o problema imediatamente: era Robinho, o meia Elano e o zagueiro chamado Glauber, que acabou jogando apenas uma vez pelo City.

Eles formaram um grupo de brasileiros e, até onde vi, não se importavam com nada. Não treinavam com intensidade e, se você derrubasse um deles, era como cometer um crime.

Em fevereiro, jogamos contra o Portsmouth, no Fratton Park. Perdemos por 2 a 0. Robinho e Elano foram uma desgraça. Eu havia chegado há umas duas semanas, mas já estava de saco cheio deles. Depois do jogo, discuti com eles. Quando cheguei ao treinamento na segunda-feira, Robinho me chamou. Elano estava atrás dele, como sempre fazia.

“Por que você fala tanto?”, disse Robinho.

“Acha que eu exagerei, então?”, respondi. “Eu imagino que você ache isso”.

“Eu jogo pelo Brasil”, disse Elano. “Jogo na seleção principal. Eu vim para o Manchester City e não jogo o tempo inteiro. Como você acha que eu me sinto?”

“Isso não é problema meu”, disse. “Você teve sua chance no sábado e olha como jogou”.

“Você nunca teve um jogo ruim?”, respondeu Elano.

“Não é que você teve um jogo ruim”, eu disse. “Foi a falta de esforço. Você não estava interessado. Isso é pior”.

“Você sempre fala”, disse Robinho. “O técnico deveria falar, não você”

“Se eu tiver algo a dizer, eu vou dizer, porra”, eu disse.

“Ok”, disse Robinho, tentando encerrar a conversa, “não fale comigo novamente”.

“O que você está dizendo?”, eu disse. “Você quer dizer falar com você de qualquer jeito ou falar com você depois dos jogos?”

“Não, não, estamos terminados”, ele disse.

“Que seja”, eu disse. “Vou perder muito sono por causa disso”.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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