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Evidente que Damião não é pobre, mas não podemos esquecer que a culpa é do Santos

Se recebesse um único salário do Santos, Leandro Damião embolsaria o equivalente a aproximadamente 825 salários mínimos. Caiu muito mais dinheiro. Ele está na Vila Belmiro desde o começo de 2014 e cobra na Justiça os salários atrasados a partir de outubro. Sem contar a renda de cinco anos pelo Internacional como jogador de eventuais jogos pela seleção brasileira. Mas, na tentativa de rescindir o seu contrato na Justiça, declarou-se pobre para não arcar com os custos do processo.

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Evidente que Leandro Damião não é pobre. Capaz de nem saber que seus advogados anexaram uma declaração de pobreza ao processo, alegando que os custos do processo “prejudicariam o seu sustento e o de sua família”, uma artimanha jurídica que pode ser um tiro na culatra. O Santos está de olho e vai acionar até a Polícia Federal com a acusação de falsidade ideológica. Afinal, no mesmo processo, existe um contrato de R$ 650 mil mensais e uma declaração de pobreza. Algum está equivocado.

Mesmo alegando alto padrão de vida, quero ver os advogados de Damião convencerem algum juiz, ainda mais considerando o empréstimo do jogador ao Cruzeiro, que agora banca R$ 500 mil do seu salário total. A cara de pau está escancarada. Também merece críticas pelo desrespeito aos verdadeiros pobres, aqueles sem segurança alimentar, habitação, saneamento básico ou sequer roupas. Na gênese de todo o problema, porém, está o Santos.

As custas judiciais, como falam os advogados, nem são tão altas na justiça trabalhista, e poderiam ser negociadas em um acordo ou algo parecido, mas quem não cumpriu com as suas obrigações foi o clube. Graças a uma gestão desastrosa de Odílio Rodrigues, o caixa chegou ao final do ano às moscas. Um a um, os principais jogadores do elenco precisam forçar a porta para conseguirem seus direitos. O Santos não facilita as negociações, nem tenta alcançar um acordo e, por causa da sua incompetência, os atletas precisam assumir os fardos (incômodos, demora, custos) de um processo legal.

Arouca, Aranha e Mena também estão nessa, mas o caso de Damião é muito mais sério porque a engenharia para levá-lo à Vila Belmiro foi muito mal feita. Se o jogador rescindir seu contrato na Justiça, o Santos fica sem os seus préstimos, sem a possibilidade de vendê-lo e mantém a dívida de aproximadamente R$ 42 milhões com a Doyen Sports.

Só que essa foi uma cova que o Santos cavou para si próprio. Primeiro ao fazer um negócio tão ruim para contratar um jogador que há tempos não justificava a fama com a bola rolando. Em seguida, ou até por causa disso, graças a uma administração terrível, com erros técnicos (por que Oswaldo foi demitido mesmo?) e de investimento (Robinho está valendo a pena?). Damião, provavelmente mal orientado pelos seus advogados, cometeu o crime da hipocrisia. Mas não esqueçamos: quem criou a situação e o principal culpado é o Santos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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