Inglaterra

Bye bye: Ed Woodward deixará cargo de principal executivo do Manchester United no dia 1º de fevereiro

Muito criticado pela torcida nos seus nove anos de Manchester United, Woodward será substituído por Richard Arnold, atual diretor administrativo

Um dos dirigentes mais criticados da Inglaterra deixará o seu cargo no dia 1º de fevereiro. Ed Woodward, do Manchester United, deixará de o cargo de diretor executivo do clube e será substituído por Richard Arnold, atual diretor administrativo. É o fim de uma gestão muito criticada por torcedores dos Red Devils, que o consideram um dos maiores responsáveis pelas decisões que levaram o clube a não brigar mais pelo título inglês desde a aposentadoria de Alex Ferguson.

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Woodward assumiu o cargo de diretor executivo do Manchester United em 2013, mesmo ano que Alex Ferguson se aposentou como técnico. O escocês exercia um papel muito importante na organização do clube, sendo mais doo que apenas um técnico e quase um diretor de futebol. Até por isso, a participação de Woodward sempre foi muito questionada: o clube gastou muito com ele, mas nunca esteve à altura dos principais rivais na disputa pelo título inglês, especialmente com o fortalecimento do rival local Manchester City.

“Gostaria de agradecer a Ed por seu trabalho incansável em nome do Manchester United durante seus nove anos como vice-presidente executivo e seus 16 anos com o clube. Estamos ansiosos para Richard e seu time de liderança abrir uma nova fase na evolução do clube, com planos ambiciosos para investimentos em Old Trafford, o fortalecimento do nosso engajamento com os torcedores e continuar a nos guiar ao nosso mais importante objetivo: vencer em campo”, disse Joel Glazer em comunicado divulgado pelo clube.

“Estou honrado em ter a chance de servir a este grande clube e seus torcedores. Estou determinado a retornar essa honra de todas as formas que eu puder”, afirmou Richard Arnold, que será o futuro dono do cargo de diretor executivo do clube. Ele será a principal figura abaixo dos donos do clube e o responsável por conduzir o clube nos próximos anos.

Muito dinheiro gasto, pouco resultado em campo

Uma das principais críticas à gestão de Woodward nos seus anos no comando do clube foi o alto valor gasto no mercado de transferências e os poucos resultados em campo. O clube gastou mais de £ 1 bilhão nestes nove anos 1à frente do clube, incluindo contratações como a de Paul Pogba, de £ 89,3 milhões (€ 100 milhões).

Woodward contratou seu primeiro técnico em 2013, justamente o substituto de Ferguson e recomendado pelo escocês: David Moyes. Com contrato de seis anos, ele durou apenas 34 jogos no comando dos Red Devils e sequer terminou a sua primeira temporada no clube.

Depois de Moyes, que tinha o aval de Ferguson, as escolhas de técnico trazem a impressão digital de Woodward, responsabilidade da qual ele não pode se esquivar. Ele contratou Louis van Gaal em 2014, o tirando da seleção neerlandesa na época. Ele Não teve um bom desempenho, com futebol muito criticado, e acabou demitido, apesar de conquistar um título: a Copa da Inglaterra.

O substituto foi José Mourinho, que trouxe alguns títulos – Copa da Liga e Liga Europa -, mas não conseguiu fazer o time competir com os rivais locais. Foi dele também a escolha de Ole Gunnar Solskjaer, primeiro como interino, depois como técnico permanente. Por fim, escolheu Ralf Rangnick para assumir interinamente até o fim da temporada, sem um futuro definido para a próxima temporada.

Um dos pontos mais duros na caminhada de Woodward no United foi a proposta da Superliga Europeia, algo que ele teve participação profunda desde a elaboração. Ele era um dos 12 homens que estavam preparados para destruir o futebol europeu com a proposta.

Sua participação, e o subsequente fracasso da iniciativa 48 horas depois do anúncio, fizeram com que o desgaste do seu nome junto à torcida fosse ainda maior. Mais do que isso, internamente ele perdeu muitos pontos também. Tanto que a sua saída passou a ser questão de tempo a partir dali.

Houve também pontos positivos, apesar das críticas. A formação de jogadores foi muito sólida, entregando ótimos jogadores para o time principal no período, como Marcus Rashford e Mason Greenwood. As receitas do clube também aumentaram significativamente: ele conseguiu dobrar as receitas no tempo que esteve no cargo.

O problema deste segundo tópico citado no parágrafo anterior é justamente que a torcida criticava o clube ser administrado apenas pensando em dar lucro aos seus acionistas, sem conseguir ser esportivamente forte o bastante para competir em campo, especialmente na Premier League. Este será um problema que a direção que assumir o cargo precisará lidar, mas convenhamos que é mais fácil arrumar quando se tem um dos maiores orçamentos do mundo do futebol do que tendo que fazer o mesmo sem dinheiro.

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Quem é o substituto, Richard Arnold

Com 50 anos de idade e 14 deles dedicados ao Manchester United, Richard Arnold assumirá um dos cargos mais importantes e também de mais pressão no esporte britânico. Comandar o futebol do Manchester United, um colosso mundial, dá muito prestígio, mas é também muito pressionado.

Na sua carreira, ele foi executivo na InterVoice, uma empresa de tecnologia listada na Nasdaq. Foi para o Manchester United em 2007 para trabalhar como o diretor comercial do clube antes de assumir o posto de diretor administrativo em março de 2013.

Ele tem um histórico de participar de questões de engajamento dos torcedores, além de dialogar com os grupos organizados de torcedores. Ele liderou diversas iniciativas voltadas a torcedores no período que ocupou o cargo, incluindo reuniões que definiram que o clube não aumentaria o preço dos ingressos, descontos para crianças e adolescentes e também voltar a usar o chamado “safe standing”, setor da arquibancada onde o torcedor pode torcer de pé, algo que só passou a acontecer, ainda em teste, em 2022 na Inglaterra. O United é um dos clubes que participa da iniciativa, a pedido dos seus torcedores.

Richard Arnold receberá o cargo formal de CEO, Chief Executive Officer, algo que o próprio Ed Woodward não tinha – ele era vice-presidente executivo. Será o primeiro a ocupar o cargo desde que David Gill deixou o clube em 2013.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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