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Diego Costa leva ao limite a discussão sobre malandragem e deslealdade

Até onde vai a malandragem de um jogador? Quando começa a virar deslealdade? Quando a provocação vira agressão? Diego Costa leva essas perguntas ao limite. É difícil saber quando o atacante brasileiro, naturalizado espanhol, está só sendo provocador, fazendo o seu papel, e quando ele passa do limite e começa a cometer atos que precisam ser punidos. Neste sábado, ele foi o protagonista no jogo entre o seu time, Chelsea, contra o Arsenal, no estádio do primeiro, Stamford Bridge.

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Lidar com Diego Costa é uma tarefa bastante difícil. Os zagueiros sofrem desde os tempos que o atacante jogava pelo Atlético de Madrid. Seu estilo é muito físico, de contato, gosta de usar o corpo de adversário como referência para receber a bola, fazer o pivô, seja para dar passes aos companheiros, seja para ele mesmo girar para tentar o gol. Como ele gosta de segurar, se agarrar no adversário, provocar, peitar, colocar a mão na cara dos seus marcadores – e ele consegue muitas vezes fazer isso sem ser uma agressão -, é frequente que os defensores percam a cabeça.

A confusão neste sábado começou com o zagueiro Koescielny e o atacante Diego Costa trocando carícias. Costa meteu a mão na cara do zagueiro, que agarrou o atacante para impedi-lo de receber a bola. Estava tudo normal, o árbitro chamou a atenção dos dois. O problema é que Gabriel Paulista tomou as dores. Foi para cima de Costa, que levantou do chão, onde ouvia a bronca do zagueiro, e deu uma peitada. Estava iniciada a confusão.

Diego Costa e Gabriel Paulista ficaram se encarando, se xingando, colocando a mão no peito um do outro e a confusão estava armada. Diego costa, especialista nesse tipo de lance, pareceu nunca estar satisfeito e deixava Gabriel Paulista ainda mais nervoso. O árbitro Mike Dean chamou os dois, deu cartão amarelo para ambos e amenizou os ânimos.

Não por muito tempo. Os dois continuaram discutindo, Diego Costa levando ao limite. Em determinado momento, Gabriel Paulista estava de costas, andando para trás, assim como Diego Costa. O zagueiro deu um chute no jogador do Chelsea. O árbitro foi informado pelo assistente, foi até o jogador do Arsenal e o expulsou. Diego poderia facilmente também ter sido expulso. As imagens mostram atitudes que vão além da provocação. E isso ainda pode render uma eventual punição, caso a FA decida assim.

Tecnicamente, o jogo não teve grandes destaques. Nenhum dos dois times jogou particularmente bem. O Arsenal teve que recompor o seu sistema defensivo no segundo tempo com Chambers no lugar de Coquelin (o que nem tira tanto poder de fogo assim do time), mas a atuação continuou fraca. Veio um gol aos oito minutos, em uma cobrança de falta de Fàbregas desviado por Zouma para as redes.

Depois disso, o Arsenal até teve uma ou outra chance, mas o domínio da partida esteve muito mais com o Chelsea. Os 41.584 torcedores viram um time muito mais parecido com o da temporada passada: defensivamente sólido, que sabe segurar uma vantagem e sofre poucos ataques, concede pouco espaço para o adversário. Quando Cazorla foi expulso aos 34 minutos do segundo tempo, a partida parecia mesmo condenada a uma vitória dos Blues. Com 11 contra nove, seria difícil para o time de Arsène Wenger conseguir alguma coisa da partida.

Foi assim, até que Hazard fechou o placar, aos 45 minutos do segundo tempo, quando o jogo já parecia mesmo definido. O Chelsea volta a vencer, depois de duas derrotas na Premier League. Depois de sofrer 12 gols em cinco rodadas, o Chelsea finalmente conseguiu sair de um jogo ileso, o que é um bom sinal. Para quem vem em crise, vencer é mais importante do que jogar bem, porque alivia um pouco a situação.

Por mais que o Chelsea tenha jogado mais que o Arsenal, e de fato jogou, a expulsão de Gabriel Paulista teve uma grande influência no decorrer do jogo. Se os dois jogadores tivessem sido expulsos, a tendência era que fosse algo diferente. Mas o fato é que não foi e o Arsenal terá que lidar com isso.

OS GOLS:

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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