Arsenal assombrado por erro crônico e City achando seu ‘motor’: Os reflexos da final
Novo vice dos Gunners coloca pressão ainda maior na equipe líder isolada da Premier League
Quem não ama uma história de zebra? As coisas deveriam ter sido diferentes para o Arsenal na final da Copa da Liga Inglesa. Os Gunners deveriam ter exorcizado os fantasmas de Chelsea (2007), Birmingham City (2011) e Manchester City (2018), tanto pelos sonhos de conquistar um ambicioso quadruplete de títulos na temporada já extintos quanto pelo rótulo de “amarelão” que os assombra nos anos recentes.
Mas os homens de Mikel Arteta desperdiçaram uma grande chance. Desperdiçaram feio. E nenhuma alma com listras vermelhas e brancas no coração pode afirmar que os homens de Pep Guardiola não mereceram as medalhas de campeão da Copa da Liga Inglesa no último domingo (22).
Ataque de Arteta fica sem ideias mais uma vez
A final da Copa da Liga Inglesa 2025/26 foi a primeira da história a ser disputada entre os dois primeiros colocados da Premier League. Mas para um observador casual sem conhecimento do momento atual, seria perdoável questionar se o Arsenal realmente estava entre os candidatos ao título.
Os atuais líderes da Premier League eram apontados como favoritos por muitos antes da partida, compreensível dado que o Manchester City havia sido eliminado pelo Real Madrid e tropeçado recentemente no torneio local. Ainda assim, os Gunners enfrentavam uma escalada íngreme antes mesmo do apito inicial.

As imagens do treino pré-jogo sugeriam que Eberechi Eze, Martin Odegaard e Jurrien Timber estariam recuperados a tempo, mas nenhum dos três foi relacionado. O último havia garantido após o jogo contra o Bayer Leverkusen que estaria “bem” após o susto, algo que parecia inofensivo naquele momento. Mas não era inofensivo, ele não estava bem, e o Arsenal também não estava.
Kai Havertz no lugar de Eze e Odegaard foi a solução sensata, mesmo que o alemão não consiga se igualar em potencial criativo a nenhum dos dois. Mas ao menos se esperaria que um atacante de 65 milhões de libras (aproximadamente 404 milhões de reais) conseguisse levantar a bola por cima de um goleiro, qualquer goleiro, com a maior parte do gol à sua mercê.
A extraordinária sequência de três defesas de James Trafford deveria ter sido ao menos o catalisador de que o Arsenal precisava para atacar repetidamente, mas por razão inexplicável, o time de Arteta perdeu bastante ímpeto após os primeiros dez minutos, com um ataque apático ficando sem ideias de forma preocupantemente rápida.
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Manchester City acha caminho para o título
Enquanto o Arsenal se debatia no terço final, foram as pontas que fizeram a diferença para o Manchester City.
Em seus melhores dias, Havertz, Saka e Leandro Trossard são atacantes de qualidade inegável. Mas nenhum deles consegue se comparar ao repertório imprevisível de Antoine Semenyo, Rayan Cherki ou Jeremy Doku, que se mostraram incontroláveis para o Arsenal durante todo o duelo. Sempre corajosos com a bola e incansáveis sem ela, o tridente habilidoso do City foi o motor por trás do triunfo dos Citizens em Wembley, mesmo que Nico O’Reilly seja, em última análise, lembrado como o herói da partida.

O dia foi de triunfo do talento ofensivo individual sobre a competência defensiva coletiva. E quando as bolas paradas do Arsenal também falham ao lado de sua habitual solidez defensiva, o time simplesmente não tem como compensar sua eterna falta de criatividade.
Com o benefício do retrospecto, as perguntas sobre as escolhas de Arteta inevitavelmente virão. O espanhol deveria ter deixado a sentimentalidade de lado e escalado David Raya [Kepa, goleiro comumente utilizado nas Copas foi titular e falhou no primeiro gol]? Madueke e Calafiori entraram tarde demais? Valeria a pena dar uma chance a Max Dowman?
Depois de tudo isso, os mesmos velhos problemas ressurgiram para o Arsenal em Wembley: a criação de chances foi escassa ao extremo. A quádrupla coroa não é mais possível, mas isso nunca passou de um sonho distante, mesmo para o torcedor mais otimista. No entanto, o impacto psicológico será inevitavelmente duradouro. E, com base nas evidências, o título da Premier League está longe de ser uma conclusão antecipada.



