Inglaterra

Em corrida contra o tempo e o fair play financeiro, Chelsea vende mais uma promessa

Por conta dos gastos excessivos nas últimas janelas, clube londrino é observado de perto pela Premier League

De olho nas Regras de Lucro e Sustentabilidade (PSR) da Premier League, o Chelsea segue o plano de arrecadar dinheiro com a venda de jogadores. Nesta sexta-feira (28), os Blues sacramentaram, junto ao Ipswich Town, a transferência de Omari Hutchinson.

Desde a chegada do empresário Todd Boehly, o Chelsea já gastou mais de 1 bilhão de libras (cerca de R$ 7 bilhões, na cotação atual) em contratações de jogadores. O valor exorbitante fez o time entrar na mira da Premier League.

Dito isso, toda compra ou venda é minimamente calculada pela diretoria dos Blues. Ainda mais nesta semana, já que domingo (30) é a data final para o cálculo da PSR dos últimos três anos.

Caso infrinja as regras financeiras, a equipe londrina pode sofrer consequências severas — incluindo deduções de pontos na próxima edição do torneio.

Assim funciona o PSR: clubes da Premier League não podem reportar perdas superiores a 105 milhões de libras num período de três anos.

Todd Boehly em Stamford Bridge
Todd Boehly, dono do Chelsea (Foto: Icon Sport)

A rigidez da liga no trato de violações do PSR é motivo de preocupação para o Chelsea. Afinal, na última temporada, Everton e Nottingham Forest foram declarados infratores e sofreram com a perda de pontos na tabela.

O jeito mais rápido de fazer caixa e organizar as finanças é negociando a saída de jogadores. E é exatamente nisso que o Chelsea tem trabalhado ao longo das últimas semanas. Omari Hutchinson é a prova viva.

Maior contratação da história do Ipswich Town

Recém-promovido à Premier League, o Ipswich Town fechou um acordo recorde para contratar Omari Hutchinson. Os Tractor Boys pagarão uma taxa inicial de 20 milhões de libras (R$ 141 milhões de reais) aos Blues, com a negociação podendo chegar a 22 milhões de libras.

Em termos financeiros, esta será a maior contratação da história do Ipswich.

Hutchinson, que completa 21 anos em outubro, esteve emprestado ao Ipswich na última temporada. O jovem marcou 10 gols e concedeu quatro assistências na Championship 2023/24, sendo peça-chave para o acesso da equipe.

Eleito o jovem jogador do ano do Ipswich, Hutchinson foi um dos principais destaques da segunda divisão inglesa na temporada passada. O 2023/24 mágico pelos Tractor Boys mexeu com o garoto, que nunca escondeu o desejo de permanecer no clube.

— Espero que sim (ficar no Ipswich). Veremos o que meu agente e o treinador dizem. Estou sem palavras. Ter chegado a esta equipe, não sei o que dizer. É o melhor empréstimo que alguma vez poderia ter imaginado — disse em entrevista à Sky Sports em maio.

Omari Hutchinson em ação pelo Ipswich Town
Omari Hutchinson em ação pelo Ipswich Town (Foto: Icon Sport)

Outras vendas a caminho no Chelsea

O Chelsea espera negociar pelo menos mais dois jogadores nesta janela. Armando Broja e Trevoh Chalobah são os principais candidatos a deixar o clube.

O atacante albanês, que retornou recentemente de empréstimo do Fulham, não faz parte dos planos de Enzo Maresca. A diretoria dos Blues estabeleceu o preço de 30 milhões de libras para negociá-lo, mas a pedida pode ser flexibilizada. Everton e Wolverhampton demonstraram interesse.

Chalobah, por sua vez, foi oferecido ao Nottingham Forest como parte de uma negociação envolvendo Murillo. O Chelsea tem forte interesse no zagueiro brasileiro e propôs a inclusão do defensor inglês nas tratativas.

Acontece que Chalobah não parece disposto a se transferir para o Forest. O camisa 14 só aceitaria deixar o Chelsea se fosse para reforçar um clube de maior expressão — ou que dispute alguma competição europeia.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.
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