‘Deveriam te colocar num zoológico’: Jogadores de Chelsea e Burnley expõem ataques racistas após empate
Fofana e Mejbri divulgam mensagens com insultos raciais recebidas nas redes sociais; clubes e Premier League se manifestam
A poucos dias de o futebol se deparar com o racismo direcionado a Vinicius Junior, em Benfica x Real Madrid, novos episódios de discriminação vieram à tona — desta vez na Inglaterra, após o empate por 1 a 1 entre Chelsea e Burnley.
Os alvos foram o zagueiro francês Wesley Fofana e o meia tunisiano Hannibal Mejbri, que haviam acabado de se enfrentar em campo. Horas após a partida, ambos passaram a receber mensagens racistas nas redes sociais e decidiram expor publicamente o teor das ofensas.
Fofana, defensor dos Blues expulso contra o Burnley, divulgou prints com o nome de usuários responsáveis pelos ataques — alguns identificados, pelas fotos de perfil, como torcedores do próprio Chelsea.
Entre as mensagens, estavam insultos como: “Seu macaco estúpido. Deveriam te colocar num zoológico depois desse cartão vermelho” e sequências de emojis de macaco.
Revoltado, o camisa 29 criticou a recorrência dos casos e a falta de punições efetivas: “Estamos em 2026 e a mesma coisa continua acontecendo, nada muda. Essas pessoas nunca são punidas. Você faz grandes campanhas contra o racismo, mas isso não adianta nada.”
A expulsão de Fofana ocorreu justamente em um lance que envolveu Mejbri, o que reforça a suspeita de que parte dos ataques tenha partido de torcedores do clube londrino inconformados com o resultado e o incidente em campo.
O próprio Mejbri também revelou mensagens recebidas e lamentou o episódio em suas redes sociais: “Em 2026 e ainda tem gente assim. Eduquem-se e aos seus filhos, por favor.”

Chelsea e Burnley repudiam ataques e cobram responsabilização
Diante da repercussão, Chelsea e Burnley divulgaram notas oficiais condenando o racismo e manifestando apoio irrestrito aos jogadores. O clube londrino classificou os insultos sofridos por Fofana como “abomináveis” e afirmou que tal comportamento “contraria os valores do futebol e tudo o que defendemos como clube”, reforçando que não há espaço para discriminação.
“Os insultos racistas que Wes (Fofana) sofreu após o jogo de hoje da Premier League contra o Burnley são abomináveis e não serão tolerados. Tal comportamento é completamente inaceitável e contraria os valores do futebol e tudo o que defendemos como clube. Não há espaço para racismo”, escreveu o Chelsea.
Club statement: Wesley Fofana.
— Chelsea FC (@ChelseaFC) February 21, 2026
Já o Burnley informou ter denunciado as publicações à Meta, controladora do Instagram, e cobrou a identificação e investigação dos responsáveis pelas ofensas contra Mejbri.
“Todos no Burnley FC estão indignados com os insultos racistas online dirigidos a Hannibal após a partida de hoje da Premier League. O clube mantém sua posição inequívoca: temos tolerância zero para qualquer forma de discriminação. O clube denunciou a publicação à Meta, empresa controladora do Instagram, e espera forte apoio desta, juntamente com a Premier League e a Polícia, e trabalhará para garantir que o responsável seja identificado e investigado”, publicou o clube.
A Premier League também se posicionou publicamente em duas ocasiões — primeiro em solidariedade ao Burnley e a Mejbri, depois ao Chelsea e a Fofana. A liga reiterou que o racismo “não tem lugar no nosso esporte nem em qualquer parte da sociedade” e prometeu que qualquer indivíduo considerado culpado enfrentará “as consequências mais severas possíveis”, incluindo banimento de estádios e processos judiciais.
Além disso, a entidade voltou a incentivar torcedores e usuários a denunciarem abusos, tanto nos estádios quanto no ambiente online. Os episódios envolvendo Fofana e Mejbri reforçam um padrão persistente no futebol europeu: apesar das campanhas institucionais e do discurso de tolerância zero, jogadores continuam expostos a ataques racistas — sobretudo nas redes sociais — sem que a punição aos autores acompanhe a frequência das denúncias.



