Inglaterra

Como a falta de protagonistas no ataque do Arsenal tem prejudicado o time

Campeões recentes da Premier League, Liverpool e City são exemplos da importância de ter ao menos um atleta que conduza as ofensivas da equipe na briga por título em pontos corridos

O empate em 2 a 2 com os Wolves foi um dos grandes reveses do Arsenal na temporada e complicou bastante a ambição do time de ser campeão da Premier League 2025/26. A partida no Molineux Stadium e os últimos tropeços de Mikel Arteta e companhia evidenciaram como a ausência de protagonistas no ataque tem sido prejudicial ao clube do norte londrino.

O Manchester City campeão inglês entre 2020/21 e 2023/24 sempre teve em seu elenco atacantes ou meia-atacantes protagonistas nas campanhas vitoriosas. De Bruyne (com 34 envolvimentos em gols em 45 jogos em 2021/22) e Erling Haaland (que registrou 38 bolas na rede e sete assistências ao longo de 45 jogos de 2023/24) foram alguns dos nomes de destaque da equipe nas conquistas.

Atual vencedor da Premier League, o Liverpool de 2025/26 foi comandado em campo por Mohamed Salah. Dono de grandes e decisivas atuações, o egípcio somou 34 gols e 23 assistências em 52 aparições.

Ao observar o Arsenal, os atletas do setor ofensivo que poderiam assumir a responsabilidade durante os jogos não têm conseguido o mesmo êxito que os exemplos mencionados tiveram.

De veteranos a reforços: Ataque do Arsenal tem problemas

Bukayo Saka é um dos capitães dos Gunners e ainda não alcançou neste ciclo o protagonismo que pode ter.

O ponta inglês balançou as redes diante do Wolverhampton e chegou só a cinco gols e cinco assistências em 23 jogos no Campeonato Inglês, números bem abaixo do esperado, e encontra dificuldades em manter a regularidade de boas atuações em meio a lesões.

A reclamação de torcedores é semelhante no caso de Martin Odegaard, o primeiro na hierarquia de capitães da equipe. As queixas são de que o meia-atacante não apresenta ameaça aos adversários, é previsível e não exerce plenamente a liderança concedida por meio da braçadeira.

O norueguês sofre com problemas físicos ocasionalmente e, quando está à disposição, não se sobressai. Disputou 26 das 42 partidas do time na temporada vigente e contribuiu com um gol e seis assistências. Responsável por organizar as ações ofensivas do time, tem apresentado atuações frustrantes.

Odegaard e Saka conversam durante jogo do Arsenal
Odegaard e Saka conversam durante jogo do Arsenal (Foto: Imago)

Uma alternativa a Odegaard seria Eberechi Eze, mas o reforço contratado em agosto de 2025 passou 15 dos 34 jogos que fez pelos Gunners sem contribuiu em bolas na rede.

No Campeonato Inglês, a última participação dele em gols foi em 23 de novembro de 2025, no hat-trick infligido ao rival Tottenham.

Houve a expectativa de que a boa performance contra o Wigan pela FA Cup no domingo (15) o credenciasse a um lugar entre os titulares contra o Wolverhampton, o que não se concretizou. O meia-atacante entrou somente aos 25 minutos da etapa final na ocasião e não conseguiu evitar o placar adverso.

Viktor Gyökeres é outro recém-chegado ao ataque do Arsenal com dificuldades em se destacar mais. Apesar de registrar 15 envolvimentos diretos em gols em 35 jogos na temporada, o sueco passa por altos e baixos, irregularidade que gera dor de cabeça a Arteta na composição dos 11 iniciais.

O técnico chegou a testar formação com Gyökeres e Gabriel Jesus juntos no ataque contra o Wigan na tentativa de encontrar soluções. Ainda não há uma unanimidade para a posição de centroavante.

Gabriel Jesus e Gyokeres pelo Arsenal
Gabriel Jesus e Gyökeres pelo Arsenal (Foto: Imago)

Curioso que o problema dos Gunners em relação a protagonistas no ataque já rendeu coisas positivas ao clube, como descobrir o “artilheiro” Mikel Merino e complicar marcação adversária ao não contar somente com um “homem-gol”.

Mas quando se trata de corrida pelo título da Premier League, ter um jogador que possa assumir mais a responsabilidade, ser o ponto de desafogo do time em momentos de dificuldade, capaz de encontrar passes precisos, quebrar linhas ou aproveitar bem as finalizações, faz a diferença.

Cinco pontos separam Arsenal e Manchester City na tabela da competição. Enquanto os Citizens têm três representantes nas primeiras colocações de rankings de gols e assistências na liga — Haaland, Semenyo e Cherki –, o principal destaque dos Gunners nos dados é o goleiro David Raya, que soma mais clean sheets (13).

A missão de Arteta é refletir a consistência defensiva ao setor ofensivo para não sofrer seu maior revés de 2025/26, que seria perder o sonhado troféu inglês após tantas rodadas na dianteira.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo