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Cech teve que deletar cover do Nirvana porque as pessoas não entenderam a letra

Petr Cech parece ser muito fã de grunge e, na reserva do Chelsea, está cada vez mais dedicado à bateria. Depois de fazer um cover de “Walk”, do Foo Fighers, publicou nesta quinta-feira um vídeo em que toca “Rape Me”, do Nirvana, mas não deu tempo de muita gente ver. Menos de duas horas depois de colocar a música no ar, anunciou no seu Facebook que decidiu deletar a postagem.

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“As pessoas entenderam errado o cover de Nirvana que eu publiquei, então não está mais lá”, escreveu. Os comentários do vídeo não estão disponíveis, mas uma busca rápida no Twitter mostra algumas pessoas achando que ele não deveria ter tocado uma música chamada “Me estupre” em meio ao caso Chad Evans, jogador do Sheffield United condenado por estupro, que está tentando voltar ao futebol profissional.

Também não seria absurdo imaginar alguém o acusando de apologia à agressão sexual apenas pelo nome da canção, nesse ambiente maluco que é a internet, mas Cech foi preciso: as pessoas entenderam errado. “Rape me” é uma música ANTI-estupro composta para o álbum “In Utero”, como Kurt Cobain teve tantas vezes que explicar. O trecho “Me estupre, amigo, me estupre de novo” tem o sentido de “vá em frente, me bata, me estupre, você não vai me vencer, eu vou sobreviver”.

De forma alguma é um incentivo à violência, e o cantor deixa isso bastante claro nessa entrevista de 1993, época do lançamento do disco. “É uma música anti, deixa eu repetir, anti estupro. As pessoas tentam colocar muito significado nas minhas letras, mas não faz sentido”, afirmou. Dica do nosso leitor Luis Eduardo Bortotti:

O livro “Mais Pesado Que o Céu”, de Charles R. Cross, apresenta outra interpretação. Cobain a teria escrito para protestar contra a exploração da indústria musical, da imprensa e dos seus próprios amigos. Tanto é que o Nirvana tentou tocá-la na cerimônia do MTV Awards, de 1992, mas a emissora de televisão não permitiu. Ainda assim, o guitarrista fez os primeiros acordes de “Rape Me” apenas para irritar os executivos antes de mudar para “Lithium”.

Kurt Cobain tinha vários defeitos, abusava das drogas, mas não era machista. Tinha outra músicas críticas ao estupro, como “Polly”, sobre um caso verídico de abuso de uma criança de 14 anos. Na caixa de Incesticide, uma compilação de músicas lançada em 1992, ele colocou a frase “se você é racista, sexista ou homofóbico, não queremos que você compre nossos discos”.  Em 1991, falou abertamente sobre isso nessa entrevista à revista NME.

“Estupro é um dos crimes mais terríveis da face da terra e acontece a cada minuto. O problema com grupos que precisam lidar com o estupro é tentar ensinar as mulheres a se defenderem. O que realmente precisa acontecer é ensinar os homens a não estuprar. Atacar a fonte e começar de lá. Eu conversava com uma amiga que foi a um centro de combate ao estupro, no qual mulheres aprendiam judô e caratê. Ela olhou pela janela e viu homens jogando futebol, e pensou que eram eles que deveriam estar assistindo à aula”.

Parece que ficou bem claro que “Rape Me” não é uma música a favor do estupro, mas sim uma crítica à violência sexual. Por falta de informação, perdemos a chance de ouvi-la com Petr Cech na bateria. Mas tudo bem: ouçamos com Dave Grohl, que é quase do mesmo nível do goleiro do Chelsea. Quase:

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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