Inglaterra

Investidores deixam o Sheffield United após condenado por estupro ser readmitido

O Sheffield United, da terceira divisão inglesa, está sob grande pressão pela possível recontratação do artilheiro Ched Evans. Isso porque o atacante foi condenado em 2012 a cinco anos de prisão por estuprar uma garota de 19 anos. Nesta semana, Evans, recentemente em liberdade condicional, voltou a treinar no CT. A decisão do clube, porém, não passou despercebida, e, da lista de acontecimentos subsequentes, o mais recente foi a entrega de cargos de três dos mecenas da equipe de Sheffield.

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O apresentador de TV Charlie Webster, a empresária Lindsay Graham e o músico Dave Berry anunciaram que não farão mais parte do clube, mesmo que a recontratação de Ched Evans não seja garantida. O simples fato de terem permitido sua volta aos treinos bastou para a debandada dos investidores. “Acho que ninguém perguntou às pessoas que comandam o Sheffield United como eles se sentiriam se fosse a filha deles naquele quarto de hotel em Gales”, disse Berry.

Além do mal-estar criado entre os investidores, a possível contratação do atacante colocou em saia justa também os patrocinadores do time, pressionados por grupos de torcedores movimentos feministas a encerrarem seus acordos com o Sheffield. A Adidas, fornecedora de material esportivo do time, afirmou que patrocina o clube, e não o jogador, e que a contratação de atletas ficava a cargo da agremiação. Já a empresa John Holland Sales, patrocinadora máster da equipe, dá a entender que o acordo poderia ser desfeito caso Evans assine um novo contrato com o clube.

“O clube confirmou à John Holland Sales que o jogador não seria reempregado. O treino visa possibilitar que o Sr. Evans retorne a um nível físico que o permita buscar emprego dentro do futebol. A John Holland Sales é um negócio familiar estabelecido há um longo tempo e condena fortemente o estupro e qualquer tipo de violência contra as mulheres. Enquanto o jogador não estiver empregado pelo Sheffield United Football Club, a John Holland Sales continuará comprometida com sua parceria comercial. Se essa situação mudar, a John Holland Sales irá reavaliar sua posição como patrocinadora”, afirmou em comunicado à imprensa.

Quando, em agosto deste ano, foi noticiado que Evans ganharia liberdade condicional em outubro e que o time estava pensando em recontratá-lo, uma petição organizada pelos torcedores do clube, com mais de 60 mil assinaturas (hoje o número está em 157 mil), pedia que o atacante não fosse readmitido. “Mesmo considerar recontratá-lo como jogador é um profundo insulto à mulher que foi estuprada e todas as mulheres como ela que sofreram nas mãos de um estuprador”, diz o texto da petição. “A mensagem é de que homens que cometem crimes tão atrozes irão sofrer só uma pequena penitência, enquanto as mulheres que eles atacaram sofrerão pelo resto das suas vidas. O Sheffield United Football Club não deve reforçar essa mensagem”, conclui a mensagem.

O que faz o Sheffield United considerar sua integração ao elenco é simplesmente o fato de que, tecnicamente falando, poderia contribuir muito para os planos do time de acesso à Championship. Em 2011/12, sua última temporada antes de ser condenado pelo estupro, Evans anotou 31 gols na terceira divisão. Legalmente, o time tem todo o direito de fazê-lo, mas a pressão dos próprios torcedores dá o tom do que a decisão significaria.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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