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As entrevistas inspiradas de Klopp e Mourinho fizeram seu duelo ir além dos 90 minutos

Especialmente após o surgimento das especulações de que Mourinho poderia cair caso fosse derrotado pelo Liverpool, o duelo do Chelsea com os Reds, deste sábado, já começava quente. Em campo, a expectativa de um jogo interessante foi cumprida, e, com dois golaços de Coutinho, o time de Merseyside chegou à sua segunda vitória sob o comando de Jürgen Klopp, por 3 a 1, no primeiro grande jogo do alemão na Inglaterra. O encontro, por si só, já havia sido bom, mas as entrevistas pós-jogo de ambos os treinadores deixou tudo ainda mais interessante.

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Jürgen Klopp, por exemplo, conheceu um pouco mais a fundo como funciona a imprensa inglesa. Após o triunfo convincente no Stamford Bridge, foi perguntado na entrevista coletiva se o Liverpool estava pronto para vencer a Premier League. A reação do alemão e sua resposta foram impagáveis: “Para vencer o quê? Você está maluco? Eu estava torcendo para que não tivesse entendido sua pergunta. Eu estou aqui há o que, três semanas? Todo mundo deveria vencer a liga, e só um pode vencer a liga. Você acha que só por causa de uma vitória contra o Chelsea você precisa me perguntar isso?”

O bom humor de Klopp contrastou bastante com a postura quase infantil de Mourinho logo após o apito final, antes mesmo de sua coletiva. Abordado pelo repórter, o português não quis muito papo. “José, derrota por 3 a 1 após um ótimo início de jogo, que escapou de você”, começou o jornalista. “Eu não tenho nada a dizer. Nada, nada, nada a dizer. Nada a dizer, não tenho nada a dizer, sinto muito, mas não tenho nada a dizer”, foi respondendo o técnico do Chelsea, enquanto o repórter insistia em tirar algo significativo da boca do Special One.

“Não é uma boa hora de conversar com o torcedor, dar uma indicação do que você está pensando?”, prosseguiu o jornalista, e a réplica de Mourinho foi bem sucinta: “Os torcedores não são burros”. Percebendo a predisposição do português para responder aos questionamentos, o jornalista então emplacou uma série de perguntas rápidas.

– Nenhuma atuação individual que você queira destacar?

– Não.

– Nada sobre a atuação para o próximo jogo?

– Nada.

– Nada sobre como consertar isso?

– Não posso dizer.

Mais tarde, durante a coletiva, Mourinho enfim falou do jogo. Entendeu como circunstancial a derrota e de certa forma saiu em defesa de seus comandados. “Algumas coisas estão fora de nossas mãos. Os jogadores tentaram, acho que vocês puderam sentir isso, a atitude, a vontade, que o jogo estava equilibrado. Tudo é consequência de alguns momentos cruciais. O estádio viu. Os jogadores, mais do que verem, sentiram isso, e de agora em diante o que acontece é apenas uma consequência. Alguns jogadores estavam bem tristes no vestiário, e tenho muito respeito por eles. Mas vemos jogo a jogo que, como profissionais, eles não estão recebendo o respeito que merecem”, explicou.

A situação do colega de trabalho evidentemente foi assunto também da entrevista de Klopp. Falando por experiência própria, o alemão exaltou a qualidade de Mourinho, fazendo um paralelo com a situação pela qual passou em sua última temporada no Borussia Dortmund: “Não acho que ninguém nesta sala duvide que ele seja um dos melhores treinadores do mundo. Mas coisas como essa acontecem, eu tive uma situação similar com o Dortmund no ano passado, e o bom é que ninguém no clube teve dúvidas da minha posição. Nunca senti pressão de ninguém. Então conseguimos mudar a situação. Não dá para questionar a qualidade dos jogadores do Chelsea, então é claro que eles vão mudar isso. Eu me sinto mal por ele, é claro, mas é trabalho, e eles vão mudar. E hoje viemos aqui para conquistar os três pontos, e não para mudara situação para o Chelsea”.

Apoiado pelos torcedores, que cantaram seu nome no Stamford Bridge, José Mourinho deverá ter mais tempo para reverter a situação do atual campeão inglês, conforme informações da Sky Sports. O início de temporada do Chelsea, que já está a 14 pontos dos líderes Manchester City e Arsenal, é muito ruim, mas o crédito que conquistou previamente no clube é grande demais para se queimar tão rapidamente. Por entrevistas e aspas engraçadas como as deste sábado, e pela contribuição que dá às ligas de que participa, que o técnico tenha, de fato, respaldo para sair da situação em que se colocou.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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