As entrevistas inspiradas de Klopp e Mourinho fizeram seu duelo ir além dos 90 minutos
Especialmente após o surgimento das especulações de que Mourinho poderia cair caso fosse derrotado pelo Liverpool, o duelo do Chelsea com os Reds, deste sábado, já começava quente. Em campo, a expectativa de um jogo interessante foi cumprida, e, com dois golaços de Coutinho, o time de Merseyside chegou à sua segunda vitória sob o comando de Jürgen Klopp, por 3 a 1, no primeiro grande jogo do alemão na Inglaterra. O encontro, por si só, já havia sido bom, mas as entrevistas pós-jogo de ambos os treinadores deixou tudo ainda mais interessante.
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Jürgen Klopp, por exemplo, conheceu um pouco mais a fundo como funciona a imprensa inglesa. Após o triunfo convincente no Stamford Bridge, foi perguntado na entrevista coletiva se o Liverpool estava pronto para vencer a Premier League. A reação do alemão e sua resposta foram impagáveis: “Para vencer o quê? Você está maluco? Eu estava torcendo para que não tivesse entendido sua pergunta. Eu estou aqui há o que, três semanas? Todo mundo deveria vencer a liga, e só um pode vencer a liga. Você acha que só por causa de uma vitória contra o Chelsea você precisa me perguntar isso?”
“Are you crazy!?” Klopp’s immediate reaction when asked about @LFC‘s title credentials. https://t.co/ItzxnMqanG
— BT Sport Football (@btsportfootball) 31 outubro 2015
O bom humor de Klopp contrastou bastante com a postura quase infantil de Mourinho logo após o apito final, antes mesmo de sua coletiva. Abordado pelo repórter, o português não quis muito papo. “José, derrota por 3 a 1 após um ótimo início de jogo, que escapou de você”, começou o jornalista. “Eu não tenho nada a dizer. Nada, nada, nada a dizer. Nada a dizer, não tenho nada a dizer, sinto muito, mas não tenho nada a dizer”, foi respondendo o técnico do Chelsea, enquanto o repórter insistia em tirar algo significativo da boca do Special One.
“Não é uma boa hora de conversar com o torcedor, dar uma indicação do que você está pensando?”, prosseguiu o jornalista, e a réplica de Mourinho foi bem sucinta: “Os torcedores não são burros”. Percebendo a predisposição do português para responder aos questionamentos, o jornalista então emplacou uma série de perguntas rápidas.
– Nenhuma atuação individual que você queira destacar?
– Não.
– Nada sobre a atuação para o próximo jogo?
– Nada.
– Nada sobre como consertar isso?
– Não posso dizer.
Mais tarde, durante a coletiva, Mourinho enfim falou do jogo. Entendeu como circunstancial a derrota e de certa forma saiu em defesa de seus comandados. “Algumas coisas estão fora de nossas mãos. Os jogadores tentaram, acho que vocês puderam sentir isso, a atitude, a vontade, que o jogo estava equilibrado. Tudo é consequência de alguns momentos cruciais. O estádio viu. Os jogadores, mais do que verem, sentiram isso, e de agora em diante o que acontece é apenas uma consequência. Alguns jogadores estavam bem tristes no vestiário, e tenho muito respeito por eles. Mas vemos jogo a jogo que, como profissionais, eles não estão recebendo o respeito que merecem”, explicou.
A situação do colega de trabalho evidentemente foi assunto também da entrevista de Klopp. Falando por experiência própria, o alemão exaltou a qualidade de Mourinho, fazendo um paralelo com a situação pela qual passou em sua última temporada no Borussia Dortmund: “Não acho que ninguém nesta sala duvide que ele seja um dos melhores treinadores do mundo. Mas coisas como essa acontecem, eu tive uma situação similar com o Dortmund no ano passado, e o bom é que ninguém no clube teve dúvidas da minha posição. Nunca senti pressão de ninguém. Então conseguimos mudar a situação. Não dá para questionar a qualidade dos jogadores do Chelsea, então é claro que eles vão mudar isso. Eu me sinto mal por ele, é claro, mas é trabalho, e eles vão mudar. E hoje viemos aqui para conquistar os três pontos, e não para mudara situação para o Chelsea”.
Apoiado pelos torcedores, que cantaram seu nome no Stamford Bridge, José Mourinho deverá ter mais tempo para reverter a situação do atual campeão inglês, conforme informações da Sky Sports. O início de temporada do Chelsea, que já está a 14 pontos dos líderes Manchester City e Arsenal, é muito ruim, mas o crédito que conquistou previamente no clube é grande demais para se queimar tão rapidamente. Por entrevistas e aspas engraçadas como as deste sábado, e pela contribuição que dá às ligas de que participa, que o técnico tenha, de fato, respaldo para sair da situação em que se colocou.



