Só Dunga não vê: Coutinho chama para si a virada do Liverpool e afunda mais o Chelsea
Stamford Bridge trazia um jogo de peso, mas de adversários pressionados. Chelsea e Liverpool atravessam momentos diferentes da crise. E os Reds aproveitaram a oportunidade para dar sequência a sua ascensão, além de afundar um pouco mais os Blues. Philippe Coutinho tomou conta do jogo, marcando dois belos gols e comandando a virada dos visitantes por 3 a 1. Partidaça do camisa 10, que reafirma sua boa fase e a importância no time que Jürgen Klopp começa a reconstruir. Enquanto isso, José Mourinho volta para casa sob maiores questionamentos. Com dúvidas sobre quanto tempo ainda durará sua segunda passagem pelo clube londrino, diante das especulações sobre a demissão que só aumentam.
Olhando para o papel, o Chelsea entrou em campo com uma escalação mais forte que a do Liverpool. Mas o momento e a produtividade do time pesam muito. E os dois fatores estavam longe de serem favoráveis para os Blues. Por algum tempo, a torcida londrina manteve as esperanças em Stamford Bridge. O time da casa precisou de apenas três minutos para abrir o placar: Diego Costa deu bom passe de calcanhar na lateral, Azpilicueta avançou com liberdade até a linha de fundo e cruzou para Ramires completar de peixinho. Parecia que o Chelsea teria a vitória contra uma camisa pesada para começar a sair do limbo. Só parecia.
Em um jogo pegado no primeiro tempo, com as defesas se sobressaindo muito, os Blues não conseguiram produzir mais nada. Aquela foi a única finalização do time de José Mourinho até os 15 minutos do segundo tempo. Enquanto isso, o Liverpool seguia mostrando os traços do início do trabalho de Jürgen Klopp, mais direto em suas ações, e achando mais espaços para finalizar. Faltava ameaçar a meta de Begovic, mas o empate começava a tomar forma. E veio graças ao brilhantismo de Philippe Coutinho. O camisa 10 deu um corte seco em Ramires e chutou colocado. Empatou o jogo já quando o relógio havia estourado os acréscimos.
Coutinho nem tinha feito muito durante o primeiro tempo, mas decidiu em um lance quando foi preciso. Já na segunda etapa, apareceu bem mais para o jogo, comandando a pressão que o Liverpool colocou para cima do Chelsea, explorando os buracos na marcação dos Blues, um problema recorrente nesta temporada. Graças à individualidade e a velocidade dos Reds, o Chelsea ia sucumbindo. E o brasileiro era justamente quem mais trazia problemas para a lenta marcação adversária.
Natural que a atuação de Coutinho fosse comparada com a burocracia de Oscar do outro lado, seu “rival” na Seleção – por mais que não precisem atuar necessariamente na mesma posição. O brasileiro arriscou mais do que qualquer companheiro, mas ia mal como o restante da equipe. Só que em um dos poucos momentos de brilho, quase deu a vantagem ao Chelsea no segundo tempo. Em saída errada da defesa do Liverpool, os Blues roubaram a bola e ele arriscou do meio de campo. Um gol antológico que não saiu por causa de uma defesa fantástica de Mignolet. A tarde estava destinada mesmo a ser de Coutinho.
Minutos depois, aos 29, o camisa 10 do Liverpool decidiu o jogo. Mais uma vez gingou para cima da marcação e encontrou o clarão. Seu chute raspou na coxa de John Terry, o suficiente para passar por Begovic. Depois disso, o Chelsea já estava entregue. Alberto Moreno quase fez o terceiro em contra-ataque, mas parou no goleiro bósnio. Já aos 38, Benteke colocou um ponto final no confronto. De novo, seu giro tirou a marcação de rota e ficou fácil para balançar as redes. Os números, além do placar, reafirmavam a dominância dos Reds: chutaram o dobro de vezes e tiveram mais posse de bola contra um adversário que jogou por poucos minutos.
Mourinho saiu de Stamford Bridge dizendo que “não tinha nada para declarar”. A competência do técnico é inegável, mas ele não vem conseguindo reinventar o Chelsea nesta temporada. Cada vez mais o tempo o coloca contra a parede. E a tabela da Premier League o empurra para baixo, somente três posições acima da zona de rebaixamento. Por mais que a torcida adore o português e Roman Abramovich tenha boa relação com o treinador, a paciência do russo não costuma ser tanta com seus treinadores.
Enquanto isso, passo a passo, o Liverpool de Klopp recobra seu espaço na Premier League e aparece em sétimo, voltando a vencer após três empates consecutivos. Se o treinador quer mesmo imprimir um novo estilo no time, Coutinho pode ser fundamental nessa mudança, por se encaixar nas características. Além disso, possui uma qualidade técnica acima da média no atual elenco dos Reds. E um poder de decisão que tem se provado recorrentemente nos últimos meses. Talento evidente que, mesmo assim, Dunga insiste em ignorar.



