Inglaterra

Como Arteta elevou a competitividade no gol do Arsenal e fez Raya disputar espaço com Ramsdale

Emprestado pelo Brentford, David Raya ganhou confiança com Arteta e tem tido oportunidades como titular no Arsenal

Ao anunciar a contratação por empréstimo de David Raya em agosto, o Arsenal parecia garantir um substituto mais confiável para Aaron Ramsdale do que o norte-americano Matt Turner, vendido ao Nottingham Forest. O espanhol foi um dos principais responsáveis pelo acesso do Brentford na Championship 2020/21 e fez duas ótimas temporadas na Premier League, chegando ao clube londrino £3 milhões e cláusula de compra estabelecida de £27 milhões.

O técnico Mikel Arteta, no entanto, queria mais do que apenas uma opção qualificada no banco de reservas. Como contou o próprio David Raya em entrevista ao site inglês The Athletic, o treinador dos Gunners almejava ter dois bons nomes no elenco para cada posição, inclusive a de goleiro, e foi responsável direto pela competitividade debaixo das traves do clube, que até pouco tempo não existia.

Disputa entre Raya e Ramsdale

Aaron Ramsdale não chegou ao Arsenal como o reforço mais badalado em agosto de 2021. Era jovem (apenas 23 anos) para a posição e tinha pouca experiência na Premier League. Mas, depois de começar na reserva de Bernard Leno, virou titular na quarta rodada do Campeonato Inglês 2021/22 e não saiu mais — até aparecer David Raya.

Como era de se esperar após dois anos como protagonista, Ramsdale iniciou a atual temporada como goleiro titular do Arsenal, disputando as cinco primeiras partidas e sendo importante na conquista da Supercopa da Inglaterra ao defender cobrança de Rodri na disputa de pênaltis. Mas, a partir da quinta rodada da Premier League, Raya passou a ganhar oportunidades.

Nas vitórias sobre Everton, Bournemouth, Manchester City e PSV (Champions League), no empate com o Tottenham e na derrota para o Lens, o goleiro espanhol foi o escolhido pela comissão técnica. Em seis jogos, foram quatro gols sofridos e quatro “clean sheets”. Já Ramsdale entrou em campo apenas uma vez no período, participando dos 90 minutos do triunfo sobre o Brentford.

Ao The Athletic, Raya afirmou que as conversas com Arteta foram fundamentais para que sua ida ao Arsenal fosse concretizada, além de destacar a importância do discurso do treinador para a competitividade entre os goleiros.

— No verão, tanto pessoalmente quanto como clube, queríamos deixar Brentford. Faltava mais um ano de contrato com o clube e queria dar esse passo. Então tive a oportunidade de assinar pelo Arsenal. Tive algumas conversas com o Mikel antes de assinar porque era complicado, a questão financeira e tal. Ele era um dos treinadores com quem queria trabalhar, a sua filosofia, como transformou o Arsenal com a forma como jogou e foi muito importante tê-lo como treinador — explicou o espanhol.

— Eu vou lutar por isso (titularidade). Arteta me dá confiança para estar lá, que queria ter dois jogadores de ponta em cada posição, e cabia a mim encontrar tempo e lutar para conseguir os minutos. Não quero pensar além disso. Se houver rotações, como acontece em qualquer posição, vou ajudar dentro e fora de campo — completou.

Por mais que tenha só três meses de casa e esteja disputando espaço com um goleiro que foi muito importante nas últimas duas temporadas e fez por merecer sua renovação até 2026, Raya diz que não existe intriga entre os arqueiros do clube. Utilizando o tradicional papo de “competição sadia”, o camisa 22 faz questão de mencionar que um ajuda o outro.

— O relacionamento? É muito bom. No final das contas somos companheiros, o que é o importante. Temos um relacionamento muito saudável. Não há problemas. A gente motiva um ao outro todos os dias nos treinos: quando ele está um pouco para baixo, eu motivo ele, e quando estou um pouco para baixo (ele faz o mesmo). Treinamos três goleiros, quatro no máximo, horas por semana, e você precisa desse tipo de relacionamento porque senão o treino não vai correr bem —garantiu.

Com a chegada de David Raya, o Arsenal tem dois bons goleiros e de nível internacional. O recém-chegado tem sido convocado pela Espanha desde o início de 2022 e fez parte do grupo que disputou a última Copa do Mundo e conquistou a Liga das Nações neste ano. Já Ramsdale aparece nas convocações da Inglaterra desde 2021 e também esteve no Mundial do Catar. Ambos são reservas de seus países, mas já mostraram que agarram com força qualquer chance que surgir.

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Confiança para atrair e superar pressões adversárias

Outro destaque da entrevista de David Raya ao The Athletic foi a abordagem sobre o estilo de jogo proposto por Mikel Arteta, mais especificamente sobre o que o técnico pede aos goleiros. O arqueiro espanhol lembrou da recente vitória por 1 a 0 sobre o Manchester City, que deixou o Arsenal na vice-liderança da Premier League e empatado em pontos com o rival Tottenham.

Na partida em questão, uma jogada envolvendo Raya e o atacante Julián Alvarez, quando o placar ainda era de 0 a 0, chamou a atenção. O goleiro recebeu muito próximo da própria meta e, ao invés de dar um chutão, optou por dominar e tentar um passe. O argentino interceptou a tentativa, mas a bola foi pela linha de fundo para sorte dos Gunners .

— Se o City não é o time melhor do mundo, é uma das melhores equipes, principalmente na pressão e nas transições. Então tivemos que jogar um pouco mais direto, por assim dizer. No primeiro tempo tentamos jogar um pouco mais atrás com alguns sustos. Na segunda parte mudámos a forma de jogar, para os atrair um pouco mais, mas com a possibilidade que tivemos, de procurar a defesa deles. Com bolas diretas, machucamos muito — disse.

Confiança de Raya para jogar com os pés vem também de pedido do técnico Arteta (Foto: Icon sport)

Por mais que o Arsenal tenha trocado de abordagem durante o duelo com o City, a ordem de Arteta é atrair a marcação para superar a pressão e ter superioridade na frente. Raya sabe disso e do risco que corre por estar sempre no limite do erro, mas garante que seguirá confiante e que assumirá a responsabilidade caso uma falha aconteça eventualmente.

— É algo que internalizei, mas também é uma ordem do treinador. O que ele não quer é que a gente comece a rifar bolas — temos que convidar um jogador (adversário para pressionar) para sair um pouquinho. Eu sou o homem livre, e quando um atacante ou alguém me ataca, isso deixa um homem livre em campo, e temos que buscar a superioridade. É assim que o treinador me diz para jogar — detalhou.

— Os torcedores não estão acostumados com nós, goleiros, tendo a bola por muito tempo e se eles (os adversários) não pressionam, tem que esperar o momento de passar a bola. É um risco que a gente corre, mas assumo a responsabilidade de que se um dia houver um erro eu levanto a mão. Não há como evitar isso — finalizou Raya.

Foto de Felipe Novis

Felipe NovisRedator

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.

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