Futebol inglês

Arsenal: Por que Gabriel Martinelli no mercado virou situação incômoda no clube?

Gunners já receberam proposta de 45 milhões de euros do Galatasaray pelo atacante brasileiro

Há poucas situações mais frias no futebol do que descobrir que seu clube decidiu vendê-lo. Para Gabriel Martinelli, porém, a situação se tornou ainda mais incômoda: o Arsenal já trabalha para encontrar um comprador para o brasileiro nesta janela de transferências, mas o próprio jogador não havia sido informado diretamente de que pode deixar o clube.

Segundo o “The Athletic”, o Arsenal está aberto a negociar o atacante de 25 anos e recebeu recentemente uma proposta de 45 milhões de euros do Galatasaray. Martinelli, no entanto, não demonstrou interesse em se transferir para a Turquia. Seu estafe teria deixado claro ao diretor esportivo Andrea Berta que o jogador só consideraria uma saída para um clube e uma liga que estejam de acordo com suas ambições.

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Martinelli foi de símbolo da reconstrução do Arsenal a negociável

A situação ajuda a explicar por que Martinelli ficou fora até mesmo da lista de relacionados para a Community Shield, vencida pelo Arsenal por 3 a 0 sobre o Manchester City. Mikel Arteta optou por levar Bukayo Saka e o garoto Max Dowman, de apenas 16 anos, entre os reservas, mas não encontrou espaço para o brasileiro.

Contratado em 2019, o brasileiro participou da transformação do Arsenal e se tornou um dos jogadores mais queridos pela torcida. Na temporada passada, apesar de ter feito apenas um gol em 30 partidas de Premier League, marcou dez vezes em competições de mata-mata, seis delas na Champions League, competição na qual os Gunners acabaram com o vice-campeonato.

Em maio, após o título inglês, Martinelli resumiu seu vínculo com o clube ao afirmar que o Arsenal havia construído não apenas um time, mas também uma “família” e uma identidade. Agora, porém, o clube parece disposto a transformar esse vínculo em uma oportunidade de mercado.

Gabriel Martinelli em ação pelo Arsenal
Gabriel Martinelli em ação pelo Arsenal (Foto: Nicolo Campo / IMAGO)

O contrato do brasileiro termina em junho de 2027, no próximo verão europeu, embora o Arsenal tenha a opção de estendê-lo por mais uma temporada. Não existem conversas para uma renovação neste momento, segundo o “The Athletic”, e o clube sabe que esta pode ser uma das últimas oportunidades para obter uma quantia significativa pela transferência.

A chegada de Christos Tzolis, contratado para substituir Leandro Trossard, também reduziu o espaço disponível pelo lado esquerdo. Além disso, o Arsenal tentou avançar por nomes como Vinicius Junior e Morgan Rogers, embora nenhuma das duas negociações tenha se concretizado.

O clube pode simplesmente estar explorando possibilidades sem ter tomado uma decisão definitiva. Afinal, se não conseguir contratar outro ponta, perder Martinelli deixaria Arteta com menos opções para a posição.

Um Arteta ‘implacável’

A possível saída de Martinelli também representa mais um capítulo da transformação do Arsenal sob Arteta. O treinador espanhol passou anos eliminando o sentimentalismo do elenco. Jogadores importantes para a torcida, como Aaron Ramsdale e Emile Smith Rowe, foram negociados quando o clube entendeu que poderia encontrar alternativas melhores.

É uma lógica que ajudou o Arsenal a voltar ao topo do futebol inglês. Mas existe uma linha tênue entre ser implacável e frieza institucional. Martinelli está no clube há sete anos e, segundo o The Athletic, ainda não recebeu diretamente a informação de que o Arsenal pretende negociá-lo. Para o jogador, portanto, não se trata apenas de descobrir que pode deixar o Emirates Stadium, mas de perceber que outras pessoas já sabem disso antes dele.

Mikel Arteta, técnico do Arsenal (Foto:IMAGO / Mark Pain)
Mikel Arteta, técnico do Arsenal (Foto: IMAGO / Mark Pain)

Há também uma questão prática: Martinelli tem todo o direito de rejeitar uma transferência que não considere interessante. E foi exatamente isso que aconteceu com a proposta do Galatasaray. O Arsenal, por sua vez, não precisa pedir autorização ao jogador para conversar com outros clubes ou sondar o mercado. Mas, à medida que as conversas deixam de ser exploratórias e passam a representar uma tentativa concreta de encontrar um comprador, a falta de comunicação se torna mais delicada.

O Arsenal quer se estabelecer definitivamente entre os maiores clubes da Europa e, para isso, precisa tomar decisões cada vez mais duras sobre seu elenco. Mas a maneira como trata jogadores que ajudaram a construir esse processo também será observada por quem ainda está no clube e por aqueles que o Arsenal pretende contratar no futuro.

Martinelli chegou ao Arsenal como uma aposta e se tornou um dos símbolos da reconstrução. Agora, corre o risco de descobrir que, no nível mais alto do futebol, até mesmo os integrantes de uma “família” podem se tornar peças de mercado. E talvez essa seja justamente a contradição de um Arsenal que pretende se transformar em um “superclube”: quanto maior fica, menor é a margem para sentimentalismo.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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