Substituto de Cunha? O que os Wolves ganham e o que o Fluminense perde sem Arias
Após sucesso no Mundial, meia colombiano deve receber proposta do time da Premier League nos próximos dias
Com Jhon Arias mostrando ao futebol mundial o quão talentoso é no Mundial de Clubes, o Fluminense sabia que seria difícil segurá-lo e agora lida com o assédio europeu. O Wolverhampton, da Premier League, afirmou que enviará uma proposta pelo colombiano nos próximos dias após contato com os dirigentes do clube brasileiro. As informações são do “ge”.
Outras equipes da Europa e até da Arábia Saudita também buscaram mais informações do meia de 27 anos, comprovando que uma permanência nas Laranjeiras deve ser improvável. As lágrimas após a eliminação para o Chelsea na semifinal da Copa do Mundo podem ter sido a última cena do craque da seleção da Colômbia com a camisa tricolor, o que seria uma notícia trágica para o Flu e uma benção aos Wolves para a próxima temporada.
Sem Arias, Fluminense perde poder de decisão, capacidade de criação e técnica
Contratado no meio de 2021 por apenas R$ 3,1 milhões, Arias passou de um gol nos primeiros 21 jogos pelo Flu para mais de 30 participações em gols na primeira temporada completa no futebol brasileiro. A adaptação do meia o fez ser uma peça fundamental nos títulos que devolveram ao Fluminense o protagonismo no futebol brasileiro.
Na trajetória, vieram dois Campeonatos Cariocas, uma histórica Libertadores e uma Recopa Sul-Americana — com dois gols na final. Na campanha pela Glória Eterna, o colombiano teve uma atuação de gala em um dos grandes resultados do time do Rio na competição: a goleada por 5 a 1 sobre o River Plate.
Ele ainda teve papel importante na luta contra o rebaixamento no Brasileirão em 2024. As exibições no Mundial, em especial contra Ulsan HD e Internazionale, devem ser uma “última dança” digna de sua passagem no clube.

Sua saída do clube carioca pode significar a ausência de um atleta protagonista em um elenco que vê suas estrelas, como Cano e Ganso, em estágio avançado da carreira e sem brilhar como antes. Seria uma lacuna difícil de preencher, principalmente porque o colombiano é muito regular.
O jogador de 27 anos, capaz de jogar nas duas pontas (mas especializado na direita) e também centralizado, quase sempre foi decisivo nestes quase quatro anos com a camisa tricolor.
Habilidoso, Arias carrega a bola próxima do pé e a protege como poucos, sendo raramente desarmado. A técnica não está só nos dribles: as assistências, dos variados tipos (passes em profundidade, lançamentos e achadas incríveis), são sua marca nas Laranjeiras.
Mesmo que seja ótimo com a bola no pé, Jhon é ainda mais inteligente sem ela, sempre posicionado no lugar certo e dando opção de passe. Por isso deu tão certo sob comando de Fernando Diniz.
A sua postura discreta e tranquila fora do campo também precisa ser valorizada, além do respeito pela torcida tricolor, exemplificado nos pedidos de desculpa após a eliminação no Mundial.
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Após saída de Cunha, elenco do Wolverhampton perde qualidade
Autor de 13 gols e seis assistências na última Premier League, Matheus Cunha foi o principal responsável pelos Wolves não chegarem perto do rebaixamento, além do trabalho de Vítor Pereira a partir de dezembro do ano passado. O brasileiro, porém, foi negociado com o Manchester United e o elenco de VP perde qualidade.
Arias chegaria neste contexto. O português já sabe o que esperar do meia sul-americano pelos embates que teve contra ele quando comandou Corinthians e Flamengo entre 2022 e 2023.
O colombiano poderia justamente fazer a mesma função que Cunha fazia, sendo um dos meias que atuam atrás do centroavante principal na formação 3-4-2-1. Com isso, o ídolo do Fluminense teria a companhia de Strand Larsen como centroavante e, jogando na esquerda ou direita, lutaria por posição com Bellegarde, Munetsi, Gonçalo Guedes e Fer López, todos inferiores tecnicamente ao craque da seleção colombiana.
Não seria um problema ao jogador atuar nessa faixa mais central, desde que receba do técnico a liberdade para flutuar e apoiar outros setores, como se notabilizou no Brasil.
A única questão para Arias seria a adaptação a um novo país, com clima e cultura totalmente distintas ao que passou na carreira (além do Brasil, atuou na Colômbia e foi formado no futebol mexicano). A presença do ex-colega de Flu André, pilar do meio-campo dos Wolves com outro brasileiro, João Gomes, ex-Flamengo, poderia ajudar em sua adaptação ao clube.

Arias assumiu desejo de atuar na Europa e pode deixar bolada ao Tricolor
Mesmo com o sucesso no futebol nacional, o colombiano só tinha recebido uma proposta da Europa, do Zenit, recusada no começo de 2024. Ele renovou em fevereiro passado com o Flu até o meio de 2028, mas nunca escondeu o desejo de deixar caso recebesse algum convite da elite europeia.
— Creio que todo mundo sabe, sou muito transparente, sincero, e como todos os jogadores, sonho em jogar na Europa e chegar na elite, mas até o último dia no Fluminense vou lutar e respeitar o clube, a torcida. […] Nunca se sabe, o futuro está aberto — o jogador na zona mista após a eliminação na Copa de Clubes.
Segundo a emissora “CNN”, a direção do Tricolor gostaria de negociá-lo por algo entre 20 e 25 milhões de euros (R$ 130 e R$ 163,7 milhões), o que, somado à premiação do Mundial, pode deixar o time carioca com cartas na manga para buscar um substituto.
Além do dinheiro e dos títulos, Arias deixa o legado de 47 gols e 55 assistências em 229 jogos pelo Fluminense.

