Roteiro cruel e cobertor curto do Fluminense decretam fim do sonho contra o Chelsea
Blues venceram Tricolor por 2 a 0 e estão na final da Copa do Mundo de Clubes
Acabou a histórica campanha do Fluminense no Mundial de Clubes — e não poderia ser mais dolorosa para o torcedor. O Chelsea, melhor do início ao fim no MetLife Stadium, venceu por 2 a 0 graças a um regulamento estranho da competição que permitiu João Pedro, autor dos dois gols nesta terça-feira (8), ser inscrito.
O atacante, cria do Flu e contratado pelos Blues do Brighton há menos de uma semana, conseguiu participar da Copa do Mundo de Clubes porque, antes das quartas de final, a Fifa implementou uma janela de novas inscrições para jogadores, pois os contratos de muitos atletas acabam ao fim de junho.
Além de brilhar contra o Palmeiras, JP colocou o jogo debaixo do braço justamente contra o time que o revelou. Com apenas 17 minutos de partida, ele acertou um chute colocado espetacular, sem chances para Fábio após Thiago Silva tirar mal um cruzamento. O segundo, no começo da etapa final, veio em contra-ataque e também foi bonito, um chute forte que explodiu no travessão e entrou.
O roteiro cruel, com uma cria de sua base o eliminando, não apaga a bonita história do Tricolor na competição. Agora, os Blues vão à final, disputada neste domingo (13), no mesmo estádio, contra Real Madrid ou PSG, que jogam amanha, às 16h (horário de Brasília).
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Chelsea explorou cobertor curto do Fluminense
A etapa inicial, que mudou os rumos do jogo, ficou marcada pela estratégia de Renato Portaluppi para anular o meio-campo do lado inglês. O encaixe individual era muito claro: Nonato em Caicedo, Hércules em Enzo Fernández e Bernal em Cole Palmer. Caso alguém tentasse fechar pelo meio, como Nkunku, Malo Gusto ou outro, Thiago Santos saltava uma linha para perseguir e impedir uma superioridade numérica.
Com isso, o Tricolor estava totalmente protegido por dentro. Mas é comum no futebol, se algum setor está bem protegido, outro pode estar aberto. E foi assim pelo lado esquerdo com Pedro Neto, que entrou pela esquerda em cima de Guga.
O português fez chover por ali, venceu quase todos os duelos mano a mano e quase nunca tinha cobertura porque os restantes dos defensores estavam ocupados. Levou muito perigo em diferentes oportunidades, incluindo o primeiro gol. Mesmo que após erro de Cano, Neto explorou justamente o corredor canhoto e, frente a Ignácio, cruzou para Thiago Silva tirar antes do gol de JP.
Na etapa final, o técnico brasileiro precisou abrir o time. Poucos minutos antes do segundo tento de João, a linha de três foi desfeita com a saída de Thiago Santos e Keno entrou na ponta. Não deu nem tempo de surtir efeito.
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Em 1º tempo equilibrado, João Pedro desequilibra
Mesmo que o Chelsea tenha tido mais a bola, especialmente nos minutos iniciais, o lado brasileiro sempre mostrou que queria jogar quando tivesse a bola, tentando explorar às costas da pressão adversária. Essa postura, porém, não deu resultado no começo da partida.
O time londrino, após ter cabeçada de Cucurella encaixada por Fábio e chute perigoso de Enzo Fernández bloqueado por Ignácio, abriu o placar com justiça pelos pés de João Pedro. Aos 20, Gusto fez o goleiro tricolor trabalhar outra vez em mais uma jogada de Pedro Neto à esquerda. O ponta português ainda puxou contra-ataque nos minutos finais e por pouco não puniu outro erro do rival.
Pouco depois da metade do jogo, o Flu foi melhorando. Com 26, Hércules fez a melhor jogada brasileira na etapa inicial: com espaço por dentro, tabelou com Cano e saiu na cara do gol, onde chutou e superou Robert Sánchez, mas Cucurella tirou em cima da linha. O mesmo meia ficou sozinho na área de novo em cruzamento de Guga, porém, errou o domínio na hora decisiva.
Ainda teve um pênalti para o time de Renato Gaúcho marcado no campo, anulado no VAR. Em falta cobrada por Renê, Chalobah deixou o braço um pouco aberto e a bola explodiu nele. Graças ao vídeo, o árbitro reviu o lance e percebeu que era um movimento natural.

Chelsea amassa na etapa final
O Fluminense quase que só assistiu ao Chelsea jogar nos 45 minutos finais. Desesperado pelo resultado, cedeu tantos espaços que o placar poderia ser muito maior que 2 a 0. Foi ainda mais cruel porque a melhor chance, contra-ataque e chute de Everaldo para defesa de Sánchez, veio instantes antes do segundo gol de João Pedro.
Foram vários ataques na sequência do gol. Nkunku duas vezes tentou, na primeira com desvio para fora e na segunda teve chute que ia para as redes tirado em cima da linha. Malo Gusto quase fez um gol de placa do meio da rua. Thiago Silva, ao cortar um cruzamento de Cucurella para Madueke, evitou um gol certo. Nicolas Jackson também teve sua chance na cara da meta de Fábio, mas chutou na rede pelo lado de fora.
Na pressão nos acréscimos, o time das Laranjeiras lutou. Canobbio chutou de fora e Sánchez encaixou. Em cruzamento de Soteldo, Keno cabeceou para fora. Não saiu nem o de honra.



