Inglaterra

‘Tinha uma relação de pai e filho com Ruben Amorim. Fiquei muito triste com sua saída’

Atacante do United revela frustração com saída do técnico português, exalta confiança recebida e agradece o papel decisivo de Amorim no seu crescimento

Amad Diallo admitiu ter sentido profundamente a demissão de Ruben Amorim do comando técnico do Manchester United. A mudança, segundo o próprio jogador, teve um impacto emocional significativo, sobretudo pela relação construída ao longo do período em que trabalharam juntos.

Atualmente ao serviço da Costa do Marfim na Copa Africana de Nações, o jovem atacante revelou que mantinha uma ligação muito próxima com o treinador português, a quem fez questão de dirigir palavras de reconhecimento e gratidão pelo papel desempenhado no seu crescimento profissional.

— Tínhamos uma excelente relação, como de pai e filho. Ele me entendia, me dava muitos conselhos e me deixava jogar livremente. Foi o treinador que me deu mais oportunidades e visibilidade no Manchester United.

A demissão aconteceu num contexto especialmente sensível para Diallo, que, concentrado com sua seleção, não teve a oportunidade de se despedir pessoalmente do comandante.

— Fiquei muito triste e foi difícil para mim. Enviei-lhe uma mensagem para agradecer por tudo que fez por mim, na minha vida, e, sobretudo, na minha carreira. Desejei-lhe boa sorte para onde quer que vá — concluiu.

Sob o comando de Amorim, Diallo destacou-se como o segundo jogador mais influente do United em números, somando nove gols e sete assistências em 34 partidas da Premier League. Desempenho que só ficou atrás dos registros de Bruno Fernandes, líder do ranking com 13 tentos e 15 assistências.

Ruben Amorim e Diallo durante jogo do Manchester United
Ruben Amorim e Diallo durante jogo do Manchester United (Foto: Imago)

Por que Amorim foi demitido do Manchester United?

Dias após a demissão de Ruben Amorim, vieram à tona informações que ajudam a explicar o desgaste irreversível na relação entre o treinador português e a cúpula do Manchester United. Mais do que o empate diante do Leeds, que serviu como estopim, a ruptura teve origem numa disputa interna de poder que já vinha sendo alimentada nos bastidores.

Segundo o jornal britânico “The Sun”, o ponto de virada foi um comentário de Jason Wilcox, diretor de futebol do clube, ao se referir a si próprio como o “manager” do United. A escolha do termo teve forte peso simbólico e acabou sendo interpretada como um reposicionamento hierárquico, reduzindo a autonomia de Amorim e contrariando as expectativas criadas quando ele aceitou o projeto.

O desconforto ficou evidente na coletiva de imprensa após o jogo contra o Leeds. Visivelmente incomodado, o técnico utilizou repetidamente a palavra “manager” para se definir, numa resposta direta ao debate interno e numa tentativa clara de reafirmar o seu estatuto na estrutura do clube.

O ambiente, porém, já estava comprometido desde uma reunião realizada dias antes da partida. Nela, Wilcox questionou o modelo de jogo da equipe e colocou em causa o peso de Amorim no cenário europeu, comparando-o a treinadores mais renomados. A crítica ultrapassou o campo técnico e atingiu diretamente a autoridade do português.

Com o respaldo da direção, que reconheceu Wilcox como hierarquicamente superior, Amorim ficou isolado no confronto. A coletiva passou a ser vista como um desafio público à organização do clube e selou a percepção de que a relação não tinha mais como ser recuperada.

A demissão, oficializada pouco depois, apenas formalizou um rompimento que já estava consumado nos bastidores. Amorim assumiu o Manchester United em novembro de 2024, sucedendo Erik ten Hag, e viveu um período marcado por instabilidade ao longo de 14 meses no cargo. À frente dos Red Devils, somou 24 vitórias em 63 partidas, com um recorte ainda mais modesto na Premier League, onde venceu apenas 15 vezes.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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