O que é o ‘DNA do Manchester United’? E o que Ferguson tem a ver com o próximo técnico do clube
Termo foi bastante citado por ex-jogadores dos Red Devils nos últimos dias após a demissão de Rúben Amorim
Rúben Amorim foi demitido do Manchester United em um momento de crescimento nos resultados, mas polêmicas com a direção. Desde então, em meio aos rumores sobre sucessores, fala-se muito sobre o DNA do clube.
Mas, afinal, o que é o DNA do Manchester United? Gary Neville, ex-lateral da equipe e atual comentarista, falou sobre aspectos táticos ligados a esse DNA. Já Peter Schmeichel, ex-goleiro, lembrou dos treinadores gigantes que passaram pelo clube e não deram certo por supostamente não entenderem esse estilo.
Por outro lado, quem caiu rapidamente nas graças da torcida durante sua passagem como técnico foi Ole Gunnar Solskjaer, outro ex-jogador do clube e que falava sobre a necessidade de seguir o DNA do United. E o antigo atacante voltou a ser ligado ao cargo, assim como Michael Carrick, um dos capitães da equipe sob o comando de Sir Alex Ferguson. Então esse é o caminho?
O DNA do Manchester United dentro de campo
Em termos táticos, é possível dizer que existe um “DNA do Manchester United”. Ele pode não ser tão óbvio quanto o do Barcelona ou do Ajax, que é pautado em um estilo muito bem definido — e que ganhou nomenclatura e estudo posteriormente como o Jogo de Posição.
O estilo do United foi, em seus grandes sucessos ao longo da história, bem definido: eram equipes que atacavam com velocidade, muitas vezes de forma mais direta, agressiva e com pontas importantes para chegar à linha de fundo, além de atacantes geralmente móveis e velozes.
Foi assim durante a primeira era de ouro do clube, com Sir Matt Busby nos anos 1950 e 1960, e principalmente no grande momento do clube, a era Sir Alex Ferguson, nos anos 1990 e 2000.

É verdade que Ferguson teve diversas mudanças ao longo dos seus 27 anos na equipe, principalmente depois sofrer tanto na Champions League, apesar do domínio na Inglaterra. Mas o cerne do seu jogo era velocidade e ataques diretos a partir de um 4-4-2 (ou alguma variação ligeira disso).
O time multicampeão dos anos 1990, com a “Class of 92”, tinha um Éric Cantona rebelde como um segundo atacante em um 4-4-1-1, mas, logo após sua saída, era um clássico 4-4-2. E bem dividido: Beckham e Giggs eram pontas dinâmicos, apesar da diferença de prioridades, e Scholes e Keane formavam uma dupla balanceada no meio que equilibrava defesa, passes longos e chegada à frente.
A evolução do futebol e a era do 4-2-3-1 também chegou ao United. E o sucesso estrondoso depois da saída de Ruud van Nistelrooy, um centroavante mais focado em atacar a área, é um exemplo do DNA do clube — um ataque com Cristiano Ronaldo, Rooney e Tévez era muito móvel, com troca de posições e ameaças e todos os lados.
Fato é que a era Ferguson teve uma ideia clara e possivelmente é isso que os seus ex-jogadores e torcedores do United pedem: um time rápido, dinâmico, que entretenha e tenha muita entrega.
Quem se encaixa nesse estilo para substituir Amorim?
Estavam em alta recentemente os treinadores que preferem um jogo pausado, com amplo domínio da posse de bola, que gostam de povoar o meio e atacar usando o entrelinhas. Se pensar no que é o estilo enraizado do Manchester United, não é esse tipo de técnico que o clube pede.
A emissora inglesa “Sky Sports” fez uma análise de dados comparando as estatísticas dos possíveis substitutos de Amorim com o último time de Ferguson, em 2012/13. Nos dados, é possível ver como o último time campeão do United priorizava cruzamentos e ataques diretos.
"Manchester United have got to appoint a manager that fits the DNA of their football club" 🧬
Gary Neville reacts to the news of Ruben Amorim being sacked by Manchester United 🔴 pic.twitter.com/udXDxi1ePL
— Sky Sports Premier League (@SkySportsPL) January 5, 2026
Durante a análise, é feita a comparação com diversos treinadores e a lista é liderada por Antonio Conte, atualmente comandando o Napoli. O italiano tem 78,9% de proximidade com o estilo de Ferguson. Roberto Martínez, técnico de Portugal, e Sebastian Hoeness, do Stuttgart, fecham o top-3 com 78,5% e 77,% de semelhança.
É difícil pensar que os dois primeiros sairiam de seus empregos para aceitarem o United. Mas o quarto colocado na lista é justamente Solskjaer, um dos favoritos. No entanto, a comparação é curiosa: Louis van Gaal, que treinou o clube e teve divergências, também é um dos primeiros colocados, com 76% de semelhança com o time de Ferguson.
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DNA do United também diz sobre gerenciamento e jogadores
Historicamente, o DNA do United passa por dar chance a jovens de potencial — e muitos deles se tornam grandes jogadores do clube. É assim desde os “Busby Babes” dos anos 1950, com Duncan Edwards, Bobby Charlton e Eddie Colman, por exemplo.
A classe de 1992 também é histórica para o clube e rendeu grandes nomes como David Beckham, Paul Scholes, Ryan Giggs e os irmãos Neville. Até mesmo a fé nos jovens que foram comprados rendeu frutos, como Cristiano Ronaldo.

“A coisa é que o United não é qualquer clube. Eles passaram por Mourinho, van Gaal… grandes técnicos e não funcionou. Eles entram, sabem que é um curto período de tempo, e trazem seus próprios sistemas, que não funcionam a menos que você jogue do jeito do Manchester United”, disse Peter Schmeichel à “BBC”.
Em 2021, Rio Ferdinand, histórico zagueiro dos Red Devils, falou também sobre esse DNA ser algo que os jogadores têm de possuir. “A ‘fome’ precisa ser trazida para esse time. Eu olho para os time em que eu estava, havia pessoas ‘famintas’ lá dentro”, comentou na época.
“Esquece as habilidades às vezes. Você está com vontade o suficiente? Você tem o desejo de entrar e melhorar a si mesmo e tentar melhorar esta equipe em relação ao que existia antes de você?”, comentou o ex-zagueiro.
Apesar de uma explicação genérica sobre vontade dos jogadores — algo que todo clube espera que os seus atletas tenham –, os “genes” do Manchester United, então, parecem bem claros. É um time disciplinado, com um treinador levemente rígido no trato com os jogadores, e um time que joga de forma direta, veloz e com mobilidade.



