Inglaterra

Relatório de comissão que inocentou Paquetá aponta falhas em acusação da Federação Inglesa

Jogador foi inocentado por unanimidade após ser acusado pela Football Association por forçar cartões amarelos

São mais de 300 páginas no processo do painel independente que julgou Lucas Paquetá inocente das acusações de envolvimento com apostas esportivas. A Football Association (FA) acreditava que o brasileiro tinha forçado quatro cartões amarelos em jogos da Premier League entre 2022 e 2023 para beneficiar apostadores.

A FA, porém, como mostra o documento divulgado nesta quarta-feira (3), teve dificuldades em provar o que atribuiu ao meia, principalmente por não ter provas diretas do envolvimento dele, como mensagens de texto que o implicariam como em outros casos do tipo.

A acusação foi muito criticada pelos três membros que faziam parte do painel, formado pelo juiz aposentado Philip Sycamore (presidente do órgão) e pelos advogados Stuart Ripley (também ex-jogador da seleção inglesa) e Robert Englehart KC.

‘Desafia a lógica’, diz painel sobre partes da acusação contra Paquetá

Lucas Paquetá celebra gol do West Ham contra o Forest
Lucas Paquetá celebra gol do West Ham contra o Forest (Foto: Imago)

Os três pontos principais de contestações do trio à Federação foram por não apresentarem testemunhas independentes, pela tentativa de moldar as provas às suas acusações e por criticar “de forma feia” o testemunho de um perito em apostas contratado pela defesa de Paquetá.

Eles também questionaram um relatório de conduta em campo que a FA encomendou para mostrar que supostamente havia intenção do atleta em sofrer os cartões.

O painel definiu como “controverso” alguns argumentos da acusação e até que “desafiam a lógica” em outros, desaprovando a forma que as provas foram colhidas pelo investigador de integridade da Federação, Tom Astley, — até o advogado da entidade, Jonathan Laidlaw KC, discordou das evidências.

De forma unanime, o trio decidiu pela inocência do brasileiro após ouvir 18 testemunhas, incluindo o ex-técnico dos Hammers, David Moyes, como parte da defesa.

— A decisão é considerada o julgamento relacionado a esporte mais longo já emitido no mundo – um reflexo da gravidade do caso, da quantidade de evidências apresentadas no que foi o maior caso na história da FA, e um dos mais significativos na minha própria carreira como advogado esportivo — escreveu o advogado de Paquetá, Nick De Marco KC, em rede social.

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Defesa citou mãe do jogador do West Ham

Desde o início da investigação em 2023, Paquetá se definiu como inocente e sua defesa manteve isso.

O advogado do jogador apontou que a hipótese mais provável para o número de apostas nos cartões do brasileiro seria porque ele conversava com a mãe diariamente e ela pode ter repassado, com comentários sem intenção, informações sobre o humor dele a clientes do salão de beleza que administra no Rio de Janeiro.

— Essas conversas, embora aparentemente inocentes, poderiam ter sido percebidas como “dicas quentes” [de apostas] e repassadas adiante, sem o conhecimento do jogador — aponta parte do documento.

Lucas Paquetá e a mãe Cristiane Tolentino
Lucas Paquetá e a mãe Cristiane Tolentino (Foto: Reprodução)

A única vitória da Federação Inglesa contra Paquetá

O painel entendeu que o brasileiro não cooperou com a investigação, e a FA o punirá por isso — especula-se possa ser uma multa em torno de 150 mil libras (R$ 1,1 milhão). Em comunicado também nesta quarta, a entidade máxima do futebol inglês disse que não irá recorrer da decisão da absolvição.

— A FA não irá recorrer das supostas infrações à Regra E5 da FA [norma de conduta relacionada a apostas esportivas], que foram consideradas não comprovadas pela Comissão Reguladora. A Comissão Reguladora irá decidir uma sanção apropriada para as infrações à Regra F3 da FA, que foram consideradas comprovadas, e os detalhes serão publicados assim que possível — escreveu a Federação Inglesa.

— A FA permanece comprometida com a preservação da integridade do futebol, e investigações completas e rigorosas sempre serão conduzidas diante de alegações sérias de violação das regras — finalizou.

O portal “The Athletic” destaca que a FA pode ter que arcar com uma “quantia significativa” de indenização a Paquetá, seja pelos custos do processo ou como efeito de ter perdido uma transferência ao City em 2023.

A entidade viveu um dia ruim. Além da decisão de Paquetá, também perdeu na justiça inglesa um processo contra o Nottingham Forest e terá que pagar os custos do tribunal que chegam aos seis dígitos.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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