A ressurreição do Aston Villa está completa com a vaga na final da Copa da Inglaterra

Até a 27ª rodada da Premier League, o Aston Villa parecia fadado a uma temporada terrível. Havia vencido apenas cinco jogos, vinha de uma sequência de sete derrotas seguidas na competição e havia marcado apenas 12 gols sob o comando de Paul Lambert. Depois de dois revezes em seus primeiros jogos no Inglesão, Tim Sherwood enfim conseguiu a primeira vitória e, a partir disso, emplacou uma fase de ascensão incrível no time de Birmingham. Uma ascensão que chega a seu ponto mais alto com a vitória por 2 a 1 sobre o Liverpool, neste domingo, que classificou o time à final da Copa da Inglaterra pela primeira vez em 15 anos.
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Em média, o duelo deste domingo foi equilibrado. O Liverpool começou melhor, conseguiu o gol com Philippe Coutinho, após boa trama que teve passe de Sterling para o tento do brasileiro, e parecia em condições de se segurar e garantir seu lugar na decisão. Mas poucos minutos depois Benteke foi ao resgate dos Villans, empatando em 1 a 1 e chegando a incrível marca de dono de sete gols seguidos do time. O atacante era um dos mais cobrados para que rendesse o que dia rendera, e sua reviravolta nesta reta final é fator importante na reação do time. Mais tarde, no segundo tempo, uma boa triangulação terminou em belo gol de Delph, o da virada.
O time segurou bem o resultado até o final, mas teve sorte em lance de Balotelli aos 43 minutos da etapa complementar. O italiano recebeu lançamento longo e, em posição legal, dominou e finalizou para empatar. O auxiliar, no entanto, viu um impedimento inexistente, que, caso não marcado, poderia ter mudado a história do jogo.
Conseguir a virada e contar com uma ajudinha involuntária da arbitragem foram alguns dos sinais do ótimo momento em torno do time desde que Sherwood assumiu. De lá para cá, as manchetes, que com Lambert eram negativas e pessimistas, se transformaram. Veio a goleada sobre o West Brom por 4 a 0 nas quartas da Copa da Inglaterra, a invasão de campo para celebrar o triunfo, o desenvolvimento de uma ótima imagem extracampo de Sherwood, que trouxe para sua comissão técnica o ídolo do clube Petrov – que sofreu de leucemia e teve de abandonar sua carreira por isso – e até se engajou em uma troca de cartas com um pequenino torcedor que sonhava ser técnico dos Villans.
Todos esses passos parecem ter levado o Aston Villa de Sherwood ao momento culminante do triunfo deste domingo. O ápice de uma ressurreição, que pode ficar ainda mais completa. Afinal, o time não eliminou matematicamente todas as chances de ser rebaixado, embora esteja bem mais confortável do que esteve durante dois terços da Premier League. Além disso, um possível título contra o Arsenal representaria a quebra de algumas marcas. São 19 anos sem um título (última conquista foi a Copa da Liga Inglesa de 1996); na Copa da Inglaterra, o sucesso das primeiras décadas veio acompanhado de uma seca gigante: a sétima e derradeira conquista aconteceu no longínquo ano de 1957.
Os objetivos da reta final de temporada não podem ser esquecidos, mas, mesmo em um cenário trágico de rebaixamento por detalhes e de perda da final da FA Cup, não dá para dizer que foi um erro a contratação de Sherwood. O técnico tem liderado uma mudança de sorte incrível, e o trabalho durante o processo deve ser exaltado, independentemente dos resultados que gere. E se o melhor dos cenários acontecer, com a permanência na Premier League e a conquista da Copa da Inglaterra, o treinador pode esperar um lugar para uma foto sua no museu do Villa Park.
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