A queda precoce na Champions simboliza como o mercado sufoca o Ajax

Durante as últimas cinco temporadas, o Ajax disputou a fase de grupos da Champions League. Nunca passou aos mata-matas. Os holandeses mal faziam frente aos elencos milionários do continente, enquanto tinham dificuldades para encarar os demais adversários. Não dava para negar a distância dos antigos campeões europeus para o topo da competição. Ou mesmo sua posição entre os médios era questionável, independente do tetra holandês conquistado nos últimos anos. Até a maior decepção recente vivida pelo clube na competição. O Ajax estava com a vaga para a última fase preliminar encaminhada em Viena, mas desperdiçou a vantagem. E, dentro de Amsterdã, acabou eliminado da Champions pelo Rapid Viena.
Os deslizes do Ajax começaram a se desenhar ainda na partida de ida, na casa do adversário. A equipe de Frank de Boer abriu dois gols de diferença apenas no primeiro tempo no Estádio Ernst Happel. Só não teve capacidade para segurar. Ao final do jogo, o Rapid conseguiu buscar o 2 a 2. Porém, ainda havia o duelo na Amsterdam Arena para os holandeses se refazerem da bobeada. O que não aconteceu: desta vez foram os austríacos que anotaram dois gols de vantagem logo na primeira etapa. Repetindo o filme de Viena, o Ajax buscou o empate após o intervalo. Mas, somente dois minutos após o segundo gol, Louis Schaub enterrou as esperanças. Fez o terceiro gol do Rapid, e deixou o Ajax sem forças para marcar os outros dois tentos que precisava.
Fosse em tempos anteriores à Lei Bosman, seria normal o Ajax ser eliminado pelo Rapid Viena. O clube da capital costumava abrigar a base da seleção austríaca, assim como os holandeses faziam em seu país – com a diferença que a qualidade na formação de jogadores em Amsterdã sempre foi superior a partir da década de 1970. No contexto atual, porém, simboliza o enfraquecimento do Ajax. A falta de competitividade vem desde 1995, com a debandada de jogadores crescente desde a abertura das fronteiras. Desde então, o clube tornou-se muito mais um formador de talentos, ainda que aproveitasse por menos tempo a qualidade de suas revelações. Só que a debandada acontece cada vez mais cedo. Fica difícil montar um time forte com prodígios tão jovens – e sem a sorte de uma classe tão brilhante quanto a de 1995.
Nos jogos contra o Rapid Viena, a média de idade do Ajax se manteve em torno dos 21 anos. O único jogador a já ter passado dos 23 entre os titulares era o goleiro Cillessen, enquanto outros destaques como Klaassen e Milik nem chegavam a isso. Os holandeses possuem qualidade técnica para ver este elenco amadurecer e render bons frutos. No entanto, diante da realidade atual, a tendência é que rendam muito mais para as finanças do que necessariamente em troféus. É a realidade do clube e de uma liga que gastou menos do que Newcastle ou Aston Villa nesta janela de transferências. Ainda assim, o Ajax se mantém como potência dentro de suas fronteiras. Mas não é mais quando as atravessa.
Se o Ajax pudesse contar de novo com os jogadores que vendeu nos últimos cinco anos, tinha a chance de montar um bom time: Luis Suárez, Stekelenburg, Vertonghen, Van der Wiel, Eriksen, Alderweireld, Daley Blind, Siem de Jong – e isso sem voltar mais para trás e pegar outros ainda na ativa, como Ibrahimovic e Sneijder. Só que esta é a realidade atual do clube. Vender quem não tem mais como segurar, para formar e descobrir outros jovens talentos, e com eles conquistar os seus sucessos. Mesmo que nunca mais repita os sucessos na Champions.
A eliminação do Ajax para o Rapid Viena é um ponto fora na curva para o clube. Por sua história nas últimas décadas e pela própria força da liga, o natural seria a classificação. Mas também um sinal da reorganização econômica da Europa, em que o abismo aumenta entre países grandes e médios, estes nivelados por baixo. A Liga Europa é o que resta agora aos holandeses. O campeonato ao qual já estavam acostumados depois de tantos insucessos na fase de grupos da Champions, ainda que só a partir dos mata-matas
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Nos outros jogos da terceira fase preliminar da Champions, o único a se classificar tranquilamente foi o Monaco, que já tinha vencido o Young Boys por 3 a 1 na Suíça e enfiou 4 a 0 no principado. No Chipre, o Apoel jogou com um a menos desde os 30 minutos do primeiro tempo e perdeu para o Midtjylland por 1 a 0, mas avançou graças à vitória por 3 a 1 na Dinamarca. Já o Dinamo Zagreb deixou a vitória por três gols contra o Molde se tornar um empate por 3 a 3, mas o fato de jogar na Noruega garantiu a classificação, depois do 1 a 1 na Croácia. Assim como o caso do Ajax, o Dinamo aparece com um time interessante pelos jovens talentos que despontam.



