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A Holanda se reafirma como a gigante que é: Arranca o épico na Alemanha e vai às finais da Liga das Nações

Uma das grandes delícias oferecidas pelo futebol é a sua imprevisibilidade. Não há lógica que se sustente em 90 minutos vividos intensamente. O inesperado ia acontecendo em Gelsenkirchen nesta segunda-feira. A Alemanha, de participação patética nesta Liga das Nações, fazia a sua melhor partida na competição e ia eliminando a Holanda. De qualquer maneira, a Oranje precisava apenas de um empate para se classificar à fase final. E, assim, tornou o clássico imprevisível em seus minutos derradeiros. Protagonizando uma reação pouco imaginável se este fosse um mero amistoso, mas digna de um jogo competitivo, o time de Ronald Koeman reverteu os 2-0 que sofria para igualar o placar em 2-2 já aos 45 do segundo tempo. Praticamente uma vitória, que bota os holandeses na etapa decisiva.

A Holanda vinha com poucas mudanças em relação ao time que vencera a França de maneira emblemática no seu compromisso anterior. Apostava em uma equipe robusta na marcação, mas leve no ataque. Já a Alemanha, rebaixada justamente pelo triunfo holandês sobre os franceses, confiava em uma escalação bastante rejuvenescida e veloz. Algo que deu certo para conquistar a vitória parcial no primeiro tempo.

Buscando o gol com objetividade, a Alemanha abriu o placar na Veltins Arena aos nove minutos. Foi uma boa jogada rápida, em que Toni Kroos passou e, com inteligência, Serge Gnabry ajeitou para Timo Werner com um tapa de primeira. O centroavante dominou e finalizou de fora da área, acertando o canto de Jasper Cillessen. E o segundo gol aconteceu logo aos 19, em mais um lance vertical. Kroos lançou para Leroy Sané, saindo no mano a mano com a marcação. Matthijs de Ligt se enroscou e, mesmo pressionado por Kenny Tete, o ponta conseguiu arrematar. O chute mascado bateu nas pernas do defensor e tirou Cillessen da bola.

A Holanda trabalhava a posse de bola, mas não demonstrava a mesma eficiência que a Alemanha. Faltava ímpeto no setor ofensivo, travado na criação. Na melhor chance dos visitantes, Daley Blind cruzou e Niklas Süle desviou de cabeça contra o próprio patrimônio, tirando tinta do travessão. Enquanto isso, o Nationalelf marcava bem no meio-campo e contava com as escapadas de seu tridente ofensivo para ameaçar a goleada. Sané e Gnabry incomodavam com as jogadas em diagonal, enquanto uma cabeçada do jogador do Bayern assustou bastante Cillessen.

Como se os problemas não bastassem, Ryan Babel ainda se lesionou no fim do primeiro tempo, substituído por Javairô Dilrosun. Durante a segunda etapa, a Holanda começou a exigir um pouco mais de Manuel Neuer. Mas a Alemanha ainda era superior, com Werner criando outras duas oportunidades, antes de ser substituído por Marco Reus. E por muito pouco o capitão do Borussia Dortmund não gerou a jogada do terceiro, em bola que Sané não conseguiu finalizar, mesmo em ótimas condições.

Na base do desespero, a Holanda passou a atacar mais nos 15 minutos finais. A saída de Dilrosun, também lesionado, para a entrada de Luuk de Jong deu mais presença de área à Oranje. E logo as chances começaram a aparecer, confiando na pressão intensa no campo de ataque. Em bela jogada de Memphis Depay pela esquerda, Neuer salvou com os pés. Por fim, o primeiro gol aconteceu aos 40. Troca de passes diante da recuada defesa alemã, até que Frenkie de Jong tocasse a Quincy Promes na entrada da área. O atacante dominou e bateu no canto, com precisão, sem que Neuer conseguisse alcançar. O trabalho, ainda assim, não estava completo.

A Alemanha ainda teve mais uma chance perdida para fazer o terceiro, a partir de mais uma participação de Reus. O atacante passou a Thilo Kehrer, que bateu mal. Desta maneira, o épico se consumou aos 45. Foi um lance brigado, em que a bola sobrou para Tonny Vilhena. O substituto cruzou, De Jong tentou o desvio no primeiro pau e, já posicionado como um centroavante, Virgil van Dijk aproveitou a sobra na segunda trave para fuzilar, anotando o gol fatal. A desacreditada Holanda foi a melhor da chave contra os dois últimos campeões mundiais e está entre os finalistas da Liga das Nações. Com os mesmos sete pontos que a França, avança graças ao confronto direto. Já a Alemanha, apesar da resposta dada nesta Data Fifa, terá que se reerguer na segunda divisão do torneio continental.

A Holanda não exibiu o seu melhor futebol em Gelsenkirchen, vale frisar. Independentemente disso, a maneira como o time se reconstrói é inegável. Ronald Koeman vai formando uma equipe funcional, aproveitando bem o momento de seus melhores jogadores, a exemplo do próprio Van Dijk. Enquanto isso, o empate arrancado na Alemanha ressalta o caráter desta Oranje. Vai à fase final da Liga das Nações e não seria exagero colocá-la como candidata ao título, pela maneira como encarou os outros gigantes em seu caminho. Na etapa derradeira, os holandeses terão pelo caminho Portugal, Inglaterra e Suíça. Uma taça para ser valorizada demais por qualquer um dos postulantes. A definição do torneio, a ser realizado em estádios portugueses, acontece em junho de 2019.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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