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Gamepédia do Futebol – #30 FIFA Street

Com sua abordagem mais descontraída do esporte, o novo título da Electronic Arts divertiu na época e revolucionou o futuro da simulação

A Gamepédia, a enciclopédia nos games de futebol, chega ao seu trigésimo episódio com tom de despedida. Com o capítulo de hoje caminhamos para o fim da série e, em termos de título, este é o último jogo homenageado. O que não quer dizer que semana que vem acabe – ainda. A Electronic Arts tinha o FIFA como jogo consolidado, quando resolveu apostar em um novo formato de apresentar o futebol digital. Apostando no arcade e focado no drible, o último game destacado na Gamepédia é: FIFA Street.

Uma das protagonistas desta série, a EA apresentou FIFA ao mercado em 93 e até hoje o mantém no mercado. Por mais que em alguns momentos ele tenha perdido terreno para as investidas da Konami, a realidade é que até hoje ele é o principal simulador de futebol. Em um destes momentos de embate franco, a Electronic Arts criou uma nova marca: a EA Sports BIG, que desenvolveu jogos arcades de 2000 a 2008 que apostaram na cultura de rua, dentre eles NBA Street e Def Jam Vendetta. É com esta fórmula que o novo selo chega no futebol, aproveitando-se de um nicho já apresentado, mas pouco desenvolvido.

O FIFA Street é uma franquia lançada em 2005, pela Electronic Arts, para Playstation, que consistia em um jogo arcade, tridimensional, com visão isométrica, câmera superior lateral e dinâmica de jogo horizontal. A grande diferença deste simulador era que ele era focado no drible, no jogo dinâmico praticado nas ruas ou nas quadras de futsal. Apesar do gol ainda ser um fator decisivo para a definição do placar, utilizar truques especiais era essencial para vencer os adversários e também liberar a habilidade especial. Ao realizar uma determinada pontuação em dribles, uma barra na parte superior do ecrã enchia até aparecer a palavra “Gamebreaker”, então seu jogador tornava-se capaz de realizar uma finalização muito difícil de ser defendida pelo goleiro adversário.

FIFA Street apresenta, além dos modos de jogo on-line, carreira, treino e partida, cinco formatos diferentes para a disputa. O clássico 5 contra 5, com quatro jogadores de linha um goleiro; panna rules, que é basicamente um modo que valoriza o drible de passar a bola por entre as pernas do adversário (caneta, rolinho e afins); futsal que deixa de lado a rua e segue as regras do esporte; last man standing, em que a cada gol marcada você perder um jogador do time. Quem sair de campo, vence; e a partida customizada, na qual é possível criar sua própria experiência. Estes formatos trouxeram dinamismo ao jogo e uma tarde de resenha com os amigos poderia ter partidas bastante diversificadas.

Além da proposta de jogo mais individualista e focado no drible, a franquia também apresentou pela primeira vez toda uma forma diferente de se vestir durante a partida. Ao escolher seu esquadrão, os jogadores poderiam estar uniformizados como no campo ou com roupas informais, como regatas, meias baixas, jaquetas e bermudas. Esta proposta urbana poderia ser vivida em dez diferentes cidades: Paris, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Lagos, Amsterdã, Cidade do México, Roma, Berlim, Barcelona e Londres. Por mais que estereotipado, cada cenário trazia uma pitada da cultura local de cada país e uma turnê mundial tornava-se uma boa experiência de jogo.

A série contou com quatro títulos entre os anos de 2005 e 2012, passando pelas plataformas, Playstation (2, 3 e Portable), Xbox (original e 360), Nintendo (Cube e DS), e até uma versão para mobile. Entre elas foram adicionados, além de mais seleções, times, equipes especiais e novas possibilidades de jogo. O futebol de rua retorna ao FIFA quinze anos depois, com o Volta Football, que é basicamente uma releitura da franquia anterior incorporada ao principal produto da Electronic Arts como um modo de jogo.

O simulador de futebol de rua da EA Sports garante seu lugar na Gamepédia não só pelo sucesso que fez na época, mas principalmente por ser um gerador de mudanças significativas nos produtos como os conhecemos hoje. Se na época os dribles eram limitados no seu irmão mais tradicional ou mesmo nos games concorrentes, hoje há uma enorme gama de dribles a serem utilizados durante a gameplay – alguns até circenses demais para serem utilizados durante uma partida. Fato é que aqueles que não incorporam os movimentos especiais no seu jogo, nitidamente ficam atrás na disputa mais acirrada. Não precisa jogar como Neymar ou Ronaldinho Gaúcho, mas é essencial ter o básico na manga para ludibriar um adversário mais afoito.

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João Belline

Jornalista de formação, louco dos esportes por opção. Depois de muito escalar Cartola, jogar Winning Eleven, escrever escalação dos sonhos no caderno e topar o dedão na rua, falar sobre futebol virou uma necessidade. É mais um leitor que buscou espaço no time da Trivela e entende que futebol está acima do clube.

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