Futebol feminino

Seleção feminina teve a sua melhor atuação no ano e goleou em Oslo a Noruega – que não perdia em casa desde 2017

Bia Zaneratto marcou dois belos gols, mas notícia ainda melhor foi o acerto coletivo do time de Pia Sundhage

A seleção feminina não animava muito pelo futebol apresentado em 2022. Mesmo quando venceu, a equipe de Pia Sundhage não necessariamente convenceu. Por isso mesmo, o resultado desta sexta-feira é tão importante às brasileiras. Sem todas as suas estrelas, a equipe atropelou uma também desfalcada Noruega em amistoso na casa das adversárias, onde elas não perdiam desde 2017. O placar de 4 a 1 teve dois gols de Bia Zaneratto e, mais importante, ótimos sinais coletivos. O Brasil conseguiu atuar com velocidade no ataque, sem perder a proteção defensiva na recomposição. É um amadurecimento importante para um papel melhor na Copa do Mundo de 2023.

A Noruega não vem em bom momento, especialmente pela eliminação precoce na fase de grupos da Eurocopa. Também não contava com força máxima, considerando a ausência de jogadoras importantes como Ada Hegerberg e Caroline Graham Hansen. É um momento de renovação, tal qual o brasileiro. O Brasil também tinha suas ausências de peso, incluindo Marta, Debinha, Rafaelle e Andressa Alves. Pia Sundhage montou a equipe com Bia Zaneratto, Geyse e Ludmila entre as principais referências ofensivas, em sistema com três zagueiras.

O Brasil começou bastante animado, ao partir para cima e criar boas chances desde os primeiros minutos. A Noruega melhorou ao encaixar sua marcação. Mesmo assim, a Seleção era mais organizada e fluía melhor em velocidade. A pressão cresceu no fim do primeiro tempo, até que o gol saísse aos 42 minutos. Geyse cruzou e Bia Zaneratto ajeitou para a definição de Adriana, que limpou a marcação e chutou rasteiro. Era um prêmio às brasileiras, mesmo que o time por vezes carecesse de melhor trabalho no meio-campo.

A volta para o segundo tempo foi ainda melhor. O Brasil marcou o segundo gol logo de cara, a partir de uma bola recuperada. Bia Zaneratto recebeu e pegou na veia para ampliar, com um belíssimo chute com efeito da entrada da área. Entrou na gaveta. A Noruega descontou logo, aos quatro, num escanteio que Celin Ildhusoy arrematou. No ataque seguinte, porém, a Seleção já anotou o terceiro. De novo Bia Zaneratto apareceu, aproveitando uma sobra para fintar e encher o pé quase sem ângulo.

Pia Sundhage acionou seu banco de reservas e renovou o setor ofensivo para a meia hora final do amistoso. O Brasil não perdeu a organização coletiva e continuou em cima. Foram mais algumas chances de ataque, para o quarto gol sair aos 27. Tamires cruzou e Jaqueline escorou no segundo pau. Novas mudanças ocorreram e as brasileiras diminuíram o ritmo, mas quase coube o quinto, de Millene, nos acréscimos.

O Brasil disputou oito amistosos contra seleções europeias em 2022. A vitória sobre a Noruega é a segunda da equipe, após ter batido a Hungria em abril. As brasileiras perderam para França, Dinamarca e Suécia, além de empatarem com Finlândia, Espanha e Holanda. É um resultado importante pela confiança e também pela melhora do trabalho de Pia Sundhage, que não vinha bem. A Seleção volta a campo na segunda-feira, quando enfrenta a Itália, que também não fez boa Eurocopa, mas se classificou para a Copa do Mundo tal qual a Noruega.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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