Futebol feminino

Palmeiras feminino teve um 2023 trágico, com direito a humilhação contra rival e reformulação inevitável

Depois de derrota com goleada para o Corinthians na semifinal do Paulistão, técnico Ricardo Belli perdeu o emprego

O Palmeiras feminino terminou 2022 de maneira promissora no que diz respeito a conquistas. Afinal, quase repetindo o desempenho do masculino, as Palestrinas conquistaram a Libertadores e o Paulista da modalidade.

Tudo levava a crer que 2023 seria um ano de continuidade. Mas o que se viu foi um retrocesso, com direito a uma humilhação diante do maior rival. Que levou a uma inevitável e até certo ponto tardia reformulação na comissão técnica do clube.

Tal reformulação trouxe de volta à tona problemas que os resultados esportivos de 2022 haviam abafado, como denúncias de assédio moral contra jogadoras, por exemplo.

De certo modo, o fracasso de 2023, uma temporada em que o Palmeiras passou em branco, pode ter aberto uma necessária readequação de rota, que passou pela demissão do técnico Ricardo Belli do comando do time.

8 a 0

Em 12 de novembro, o Palmeiras feminino sofreu a maior humilhação de sua curta história. Na partida da ida da semifinal do Paulistão, o Corinthians havia vencido o Alviverde por 1 a 0, ficando assim com a vantagem do empate em casa.

Mas, em vez disso, as corintianas anotaram nada menos que 8 a 0 nas alviverdes, em uma Neo Química Arena com grande público. Mal no masculino, os corintianos tiveram nesse resultado um bálsamo. E os palmeirenses, um desnecessário dissabor.

O amargor dessa derrota foi ainda pior porque veio logo depois da ferida aberta com a derrota na final da Libertadores, em Cali, na Colômbia, para as mesmas arquirrivais.

No país caribenho, no entanto, o resultado foi bem menos elástico. E o 1 a 0, mesmo com uma jogadora a mais, não foi trágico na época. Bem como a eliminação diante do São Paulo, nas quartas do Brasileirão em junho, com uma derrota por 3 a 1, de virada, no Allianz Parque.

Mas, somadas à humilhação do Paulistão, as derrotas no Nacional e no Continental cresceram de proporção.

Juntar os cacos

Após a goleada ante o Corinthians, a capitão e craque do time, Bia Zaneratto, expressou sua frustração.

– A gente teve um ótimo ano passado, com os títulos de Libertadores e Paulista, e queria repetir ou fazer melhor. Mas infelizmente termina o ano da pior forma possível. É difícil falar qualquer coisa desse placar. É juntar os cacos e pensar no próximo ano – disse ela.

O resultado também renovou uma escrita incômoda em dérbis femininos. Em sete duelos de mata-mata desde 2020, quando o Verdão voltou a ter um time feminino, o Alviverde nunca conseguiu eliminar as Brabas, como os torcedores alvinegros chamam a sua equipe.

Problemas físicos

As Palestrinas sofreram com algumas questões físicas ao longo da temporada. Quatro jogadores tiveram que passar por cirurgias de recosntrução de ligamentos cruzados do joelho: Andressinha, Chú Santos, Juliana e Kate Tapia.

Andressinha, aliás, uma das referências da equipe, se contundiu na semifinal da Libertadores, contra o Atlético Nacional, antes da partida contra o Corinthians.

Antes mesmo de estrear pelo Palmeiras, goleira Natascha também teve de passar por uma cirurgia, mas por conta de de seu tendão de aquiles do pé esquerdo.

Já a argentina Yamila Rodríguez, atacante, ficou fora do time na semifinal do Paulista devido a uma entorse no tornozelo direito.

Sai Beli, entra Camilla

Em 23 de novembro, o Palmeiras anunciou a contratação da técnica Camilla Orlando, 39.

A treinadora começou sua carreira no Internacional, onde foi auxiliar técnica do time principal e treinadora do Sub-18, conquistando o Brasileiro Sub-18 (2019) e o Gaúcho Sub-18 (2019).

Em 2020, Camilla assumiu o profissional do Bragantino, e conquistou o Brasileiro Feminino da Série A2 em 2021. No ano seguinte, comandou a seleção feminina dos Emirados Árabes Unidos. E, no começo de 2023, retornou ao Brasil para comandar o Real Brasília.

– Estou feliz demais com a oportunidade de fazer parte desse clube. Tenho grandes expectativas para o projeto, com muito trabalho e dedicação para que possamos construir uma equipe forte tanto tecnicamente quanto taticamente, mas, também, com foco na questão mental e física, que são essenciais – disse.

“- (O Palmeiras) é um time gigante, com uma torcida enorme e que apoia e acredita no futebol feminino. Terei a oportunidade de comandar e desenvolver atletas de altíssimo nível – completou.

Camilla ainda náo conheceu as jogadoras.

Elenco e patrocínio

Como é praxe na maioria das equipes de futebol feminino, que trabalham com contratos mais curtos, o elenco do Palmeiras também passa por uma reformulação.

Katrine (lateral), Barbara Timbó (meias), Ingrid Sorriso (zagueira) e a goleira Alicia Bobadilla já se desligaram do clube.

A lateral Fê Palermo, do São Paulo, é cotada para se juntar à equipe. Assim como as atuais corintianas Giovanna Campiolo (zagueira) e Dianny (volante). Do Grêmio, a também zagueira Pati Maldaner está negociando com o Alviverde.

Por falar em negociação, o Palmeiras estuda uma troca em seu patrocinador máster. A Betffair pode dar lugar a uma nova casa de apostas na frente da camisa alviverde. O objetivo é dobrar o ganho da modalidade com patrocínio.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023
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