Futebol feminino

A conduta misógina de Ignácio Quereda na seleção espanhola virou documentário

Técnico da seleção espanhola feminina por quase três décadas, Ignácio Quereda tinha uma conduta misógina com as jogadoras

Com os Jogos Olímpicos de Paris cada dia mais próximos, a seleção espanhola feminina espera levantar mais uma conquista inédita com uma medalha de ouro na França. Isso porque as Soñadoras foram campeãs mundiais pela primeira vez em 2023. Contudo, a história das mulheres de La Roja ficou marcada pela conduta misógina de Ignácio Quereda, que virou até mesmo documentário.

A TVE, através de La 2, jogou luz sobre o comportamento questionável do treinador, que ficou no cargo entre 1988 e 2015. Ou seja, 27 anos à frente da seleção espanhola. Em quase três décadas, Quereda chegou a humilhar as jogadoras que comandava. Depois da Copa do Mundo no Canadá, em 2015, as atletas se juntaram e fizeram uma rebelião para tirar o algoz após inúmeros casos de abuso psicológico.

O documentário ‘‘Seleção F, de clandestinas a campeãs’ relembra alguns episódios marcantes de Ignácio Quereda e seu perfil conturbado com as Soñadoras. Um dos casos mais impactantes foi quando o ex-técnico da seleção espanhola feminina se virou para uma de suas jogadoras e disse:

– Como é que você quer vir para a seleção se está tão gorda?, disse Quereda.

Entre as atletas mais conhecidas de La Roja que foram treinadas por Quereda estão Inma Castañón, Mar Prieto, Natalia Pablos, Vero Boquete e Ivana Andrés. As jogadoras da seleção espanhola relataram ao documentário o que viveram sob o comando do treinador, explicando como o medo reinava nos vestiários até o grupo se juntar para dar um basta na misoginia.

A realidade da seleção espanhola feminina com Ignácio Quereda

A ex-jogadora Mar Prieto, que defendeu a seleção espanhola feminina entre 1985 e 2000, revelou ao documentário como era a realidade das atletas com Ignácio Quereda como chefe. Ela diz que os gritos do técnico eram comuns, o que causava um temor generalizado entre as Soñadoras. E o episódio de debochar da forma física de uma das convocadas por La Roja é só um exemplo do comportamento abusivo:

– Algumas passaram muito mal porque tiveram mais cuidado para que o treinador não gritasse com elas, para não dizer que eram gordas… Dependia de como você o abordasse. Chegou o Nacho Quereda e tinha gente meio gordinha e ele disse “como vocês querem vir para a seleção se são tão gordas? Você não consegue nem correr. Assim você não pode vir para a seleção, gordinha. Perca peso”. Ou “o que você precisa é de uma pimenta na bunda”. E se você o confrontasse, você teria ido embora. Então sim, o medo estava lá. Ele não teve retaliação de ninguém porque administrou todo o futebol feminino, fez e desfez, desabafa Mar Prieto.

Nathalia Pablos, com passagem pela seleção espanhola entre 2005 e 2015, diz que “se tudo não corresse como ele queria, haveria gritaria. Ele (Quereda) era uma pessoa despótica”. A ex-jogadora das Soñadoras declarou que essa postura abusiva do técnico afetava a autoestima das atletas e, consequentemente, o desempenho dentro de campo. Vero Boquete, que passou por La Roja entre 2005 e 2017, também deu sua versão:

– A mudança de treinador (Vilda) e de presidente (Rubiales) foi obrigatória. Mas o passo dado de Ignacio Quereda para Jorge Vilda não foi justo nem profissional, e o passo dado de Jorge Vilda para Montse também. No futuro, esperamos que seja implementado o profissionalismo necessário para escolher o melhor, finaliza Vero Boquete.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus Cristianini

Formado em Jornalismo pela Unesp, é apaixonado por esportes, acima de tudo futebol. Ama escrever sobre o que acontece dentro e fora de campo. Após passar por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia, se juntou à equipe da Trivela com muita vontade de continuar crescendo.
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