‘Super sub’: Agyemang assume papel decisivo para a Inglaterra na Euro Feminina
Atacante de 19 anos foi decisiva na campanha da Inglaterra até a final na Eurocopa Feminina
No mundo do futebol, o termo “super-sub” costuma ser utilizado para descrever jogadoras substitutas impactantes que entram em campo para fazer a diferença na partida. E é dessa forma que Michelle Agyemang escreve o seu nome na história da seleção da Inglaterra durante a Eurocopa Feminina.
Aos 19 anos, a atacante é uma das grandes responsáveis por manter o sonho vivo das Lionesses pelo bicampeonato na competição. Decisiva no torneio, levou a partida das quartas de final contra a Suécia para a prorrogação com um gol aos 81 minutos, que resultou na vitória das inglesas em uma disputa de pênaltis caótica.
E o feito se repetiu no jogo seguinte, contra a Itália. Nos momentos finais dos acréscimos, aos 96 minutos, Agyemang estava lá para deixar tudo igual na partida, após sair do banco de reservas já na segunda etapa. E o que parecia se encaminhar para outra decisão nas penalidades, se tornou uma vitória quase inimaginável de virada da Inglaterra.
O brilho em campo de Michelle não é por engano. O seu sobrenome Agyemang, de origem Akan, pode ser traduzido como “salvadora da pátria” ou “nascido para liderar”. Caminho que ela tem construído com talento em sua estreia na Eurocopa Feminina com o time principal, onde já é considerada pelo mundo uma “estrela em ascensão”.

A dupla decisiva Agyemang e Kelly
Em uma campanha pouco consistente, em comparação à apresentada pelas Lionesses na Euro de 2022, a vitoriosa técnica Sarina Wiegman teve em seu banco uma dupla essencial para os momentos que definiriam se a Inglaterra continuaria na competição, formada justamente por Michelle Agyemang e Chloe Kelly.
Mesmo com uma linha de ataque formada pelas experientes Lauren James, Lauren Hemp e Alessia Russo, foi nos pés das reservas que a Inglaterra viu a trajetória no torneio mudar. E os números explicam.
Agyemang e Kelly não foram titulares em nenhum jogo nesta edição da Euro. Entretanto, a dupla registrou três gols e uma assistência juntas ao longo do torneio. Entre elas, a assistência de Chloe — que serviu duas assistências para gols em três minutos — e a jogada para Michelle na partida contra a Suécia, em que estavam perdendo por 2 a 0, convertida em gol.
Em comparação às titulares, apenas Ella Toone, que jogou mais minutos (340) do que toda a dupla (258), registrou mais envolvimento, somando dois gols e três assistências.

— Ela é uma jogadora incrível, tem o mundo aos seus pés, uma jogadora jovem com um futuro brilhante e estou torcendo muito por ela. Este time mostra resiliência novamente e nós lutamos — declarou Chloe Kelly.
As jogadoras nutrem boa relação enquanto dividem a camisa da seleção nacional, o que pode ser um segredo para o sucesso em campo. Na partida contra a Suécia, em que Michelle foi acionada no banco de reservas, a atacante revelou a mensagem encorajadora dita por Kelly.
— Assim que entrei em campo, Chloe [Kelly] me disse: ‘Vá e seja você mesma, vá e crie confusão, vá e mude o jogo. Ter alguém que lhe dá esse tipo de confiança demonstra que essa pessoa confia em mim e inspira essa confiança em mim mesmo para ir lá e fazer o trabalho — declarou Agyemang à “BBC”.
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De gandula à decisiva na seleção da Inglaterra
Nascida em South Ockendon, na Inglaterra, Michelle Agyemang iniciou na base do Arsenal aos seis anos de idade, quando o seu pai, um técnico do futebol de base, conseguiu um teste.
Antes de se tornar atacante, as suas primeiras atuações em campo aconteceram como zagueira. Torcedora dos Gunners, Michelle atuou nas categorias de base e chegou ao time principal, estreando em 2022 aos 16 anos.
Em sua primeira passagem pela equipe profissional, atuou em quatro jogos, marcando um gol. Logo depois foi emprestada ao Watford, que disputa a WSL, para a temporada 2023/24. Agyemang disputou dez partidas, marcou cinco gols e somou uma assistência.
O desempenho resultou no seu primeiro contrato profissional com o Arsenal. Mas, em seguida, veio o empréstimo ao Brighton em setembro da temporada passada, onde marcou cinco gols em 22 partidas.

O rendimento atuando com as equipes profissionais chamou a atenção nas categorias de base da seleção inglesa, onde fez 25 aparições do sub-16 ao sub-23.
O seu primeiro encontro com a seleção principal aconteceu quando ela era gandula durante a terceira partida com a técnica Sarina Wiegman no comando das Lionesses em uma partida pelas eliminatórias da Copa do Mundo, contra a Irlanda do Norte, em 2021.
Mas a oportunidade de atuar com Wiegman aconteceu após uma pequena lesão de Alessia Russo, em que foi acionada. E, desde então, Agyemang ficou no radar da treinadora. De uma pequena chance à coringa das Lioenesses, Michelle agora escreve o seu caminho podendo ser decisiva na busca pelo bicampeonato da Inglaterra na Eurocopa.
— Significa muito para mim finalmente estar aqui. Acho que não teria esperado isso um ano atrás, mas tudo acontece por um motivo e estar aqui é ótimo. Entrar em campo, mesmo que seja só para vestir o uniforme, é um grande privilégio para mim e eu aproveito cada segundo — declarou.



