Libertadores Feminina

O Corinthians renova sua força no continente e conquista a Libertadores Feminina pela terceira vez em cinco anos

Os três títulos do Corinthians permitem que a equipe se iguale ao São José como maiores campeãs do torneio

O Corinthians reafirmou seu reinado continental no futebol feminino e reconquistou a Copa Libertadores. Dentro do Gran Parque Central, estádio mais antigo da América do Sul, as alvinegras podiam registrar também um feito histórico: igualar o recorde de títulos da competição. E a missão foi cumprida ainda no primeiro tempo, contra o Independiente Santa Fe. As corintianas se valeram da força de seu elenco, superaram alguns momentos de pressão das colombianas e fecharam a vitória por 2 a 0. Após os títulos de 2017 e 2019, o Corinthians leva sua terceira taça em cinco edições e empata com o São José na lista de maiores campeãs do torneio sul-americano.

Antes de abrir o placar, o Corinthians precisou passar por um momento de provação. Liana Salazar mandou um balaço no travessão e, no rebote, a defesa ainda precisou travar o chute duas vezes. As colombianas seguiram levando perigo, mas o desafogo das brasileiras veio aos nove minutos. Depois de uma bola cruzada por Vic Albuquerque, Gabi Portilho ajeitou e Adriana só cumprimentou de cabeça. Um gol simbólico para a camisa 16, vítima de racismo na semifinal contra o Nacional de Montevidéu e que deu sua resposta em campo mais uma vez. Nas arquibancadas, festa da torcida que compareceu em bom número – ainda que a ocupação estivesse longe de satisfazer para uma final continental.

A partida seguiu aberta, com boas chegadas das duas equipes e algumas falhas da goleira Kemelli causavam insegurança no Corinthians. Aos 31 minutos, a arqueira saiu chutando o vento na intermediária e permitiu que o Santa Fe partisse com a meta escancarada. Por sorte, Joemar Guarecuco se precipitou e bateu para fora, pressionada pela marcação. O alívio do Corinthians veio aos 42, com o segundo gol. Tamires partiu com espaço pela esquerda e cruzou com muita qualidade, em bola rasteira que encontrou Gabi Portilho no meio da área, desviando de carrinho entre as defensoras.

Durante o segundo tempo, o Independiente Santa Fe tentaria aumentar a pressão. Fany Gauto era uma das principais ameaças da colombiana e deu um susto tremendo aos 16, numa batida de longe que passou pertinho do travessão. Entretanto, o Corinthians conseguiu administrar a vantagem e controlava bem a bola, com algumas boas chegadas. Além disso, a equipe travou sua área e não concedeu espaços às colombianas. Nos acréscimos, Adriana quase fez um golaço por cobertura, mas a goleira Katherine Tapia conseguiu se recuperar. Logo depois, o apito final valeu a grande festa das brasileiras.

O Corinthians encerra a Libertadores com uma campanha perfeita. As alvinegras ganharam seus seis compromissos, com 24 gols marcados e apenas dois sofridos. O ápice do domínio corintiano aconteceu na semifinal contra o Nacional, com a goleada por 8 a 0. Por mais que o Independiente Santa Fe tenha sido um oponente duro, após já eliminar a Ferroviária na semifinal, os méritos das brasileiras são evidentes.

O resultado coroa o excelente trabalho de Arthur Elias, cada vez mais consolidado como um dos maiores técnicos do futebol feminino na história do Brasil. Já em campo, a constelação corintiana prepondera. Contar com combinações entre Adriana, Vic Albuquerque, Tamires, Gabi Zanotti, Yasmin, Gabi Portilho e companhia é um luxo – com vários nomes frequentes na Seleção. A capacidade individual de várias delas se transforma num grande conjunto. E o resultado se nota pela chance de faturar a inédita Tríplice Coroa. Após o Brasileirão e a Libertadores, falta só o Paulistão, em final contra o São Paulo.

Com o feito do Corinthians, o Brasil soma 10 títulos em 13 edições da Libertadores Feminina. Chile, Colômbia e Paraguai possuem uma taça cada. Os maiores vencedores do torneio são o São José e o Corinthians, com três troféus, enquanto Santos e Ferroviária faturaram o torneio duas vezes. E pela maneira como as alvinegras contam com uma equipe azeitada, com apoio da torcida e investimento do clube, não será surpreendente se assumirem isoladamente o topo dessa lista histórica em breve.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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