Futebol feminino

‘Realizei um dos sonhos do meu filho’: conheça Isadora Amaral, meia do Palmeiras que foi mãe na adolescência

Meio-campista assinou com a equipe alviverde no início da temporada e vai realizar o sonho do filho que é palmeirense fanático

Não é todo dia que uma mãe consegue realizar o sonho de um filho. Mas a a verdade é que toda mãe tenta diariamente. A meio-campista Isadora Amaral, de 24 anos, deixou o Red Bull Bragantino para tornar real um dos maiores desejos de seu pequeno: vê-la vestir a camisa do Palmeiras.

– Acho que todo mundo sabe o quão grande o Palmeiras é, e a dificuldade que é para estar aqui. O tanto que você tem que trabalhar para estar aqui. Então, para mim, parecia distante. Não tinha aparecido proposta até o fim do ano e, quando recebi a do Palmeiras, confesso que eu fiquei muito surpresa na hora. Eu acho que era a hora, né? Realizei um dos sonhos do meu filho — contou Isadora, em entrevista exclusiva à Trivela.

Miguel tem oito anos, é torcedor fanático do Palmeiras e confessou que tinha o sonho de ver Isadora jogando por seu time do seu coração. O primeiro papo sobre o assunto surgiu no meio do ano passado, em um dos fins de semana de visita. Antes disso, ele já havia ganhado uma festa de aniversário totalmente temática do Palmeiras e mergulhado de vez na paixão pelo verde.

Naquele período, Isa ainda era atleta do Red Bull Bragantino, clube sediado em Campinas, e precisava se deslocar mais de 200 km em todas as folgas para ver o filho. A rotina extremamente desgastante de jogadora profissional fez com que ela precisasse da ajuda da mãe e avó, fulana de tal, que é seu braço direito na criação do palmeirense mirim.

– Eu sempre ia todos finais de semana para casa, né? E a gente (Isadora e Miguel) sempre conversava sobre o futuro, mas ele sempre vinha com umas fantasias de criança, sabe? Quero te ver jogar no Real Madrid, uns sonhos muito distantes. Aí eu falava: “Meu Deus, né?” — relembrou a jogadora aos risos.

– O Palmeiras ainda não estava nos meus planos, porque não tinha recebido proposta. Mas todo domingo a gente conversava, mesmo cansados, no fim do dia. Ele deitava comigo e eu perguntava do dia, da escola e tal, como sempre fazia. Naquele dia, não sei por que, eu perguntei qual era o maior sonho dele. Ele falou assim: “Ah, mãe, meu sonho é que você jogasse no Palmeiras e eu jogasse também”.

Toda vez que uma criança sonha…

O choque veio seis meses depois, quando Isadora foi sondada e, na sequência, recebeu uma proposta do clube. A partir dali, foi só preparar o grande anúncio. Com a ajuda da noiva, Isadora deu a grande notícia para a criança sonhadora.

– Tudo começou num dia realmente aleatório, quando eu perguntei e ele me respondeu. Eu não achei que seria tão rápido. Eu só guardei aquilo dentro de mim e pensei que era um sonho distante. Quando deu certo a documentação, eu assinei tudo com a maior leveza e tranquilidade do mundo. Então, decidi que precisava fazer uma surpresa para o Miguel. Eu sabia que ele ia ficar tão feliz, sabe?

– Eu pedi para a Dani (noiva) contar. Escrevi uma carta no meu celular, enviei para ela e também pedi a ajuda de uma amiga, que me deu uma camisa. Foi tudo muito simples, mas muito significativo.

Susto com gravidez e apoio integral para seguir no futebol

Isadora tatuou o pé do filho (Foto: arquivo pessoal)

Isadora ficou grávida de Miguel ainda na adolescência, quando tinha 15 para 16 anos. Naquele período, ela treinava nas categorias de base da Ferroviária e tinha de ser convocada para a seleção de base. O baque foi grande quando ela descobriu a gestação, mas as coisas foram caminhando de uma forma positivamente inesperada.

– Quando eu descobri a gravidez do Miguel, foi um momento assustador. Foi um susto para a família, para as pessoas próximas a mim e me pegou de surpresa. Também atrapalhou o meu desempenho como atleta, porque eu tinha que conciliar (maternidade e trabalho), mas graças a Deus, eu tive todo o apoio da família.

– Eu tenho um carinho enorme também pela Ferroviária, porque foi lá onde tudo começou, onde passei a minha gestação e também onde tive as minhas primeiras convocações para a seleção. Sou grata também por todos os clubes por onde eu passei, que me acolheram muito bem e compraram a ideia de saber que eu sou mãe, por mais que sou uma atleta.

Distância entre mãe e filho e a dor da saudade

A saudade da cria foi uma das principais barreiras da profissão de Isadora. Por conta das inúmeras viagens e períodos intensos de competições, ela abdicou de estar perto dele em alguns momentos importantes.

– Eu por mais um mês depois eu descobri que estava grávida do Miguel e logo parei. Mas já voltei a jogar futebol quando ele tinha três meses. Senti muita dor no coração de ter que deixar ele, sabe? Às vezes, eu não consegui estar presente em momentos importantes da vida dele, que são coisas simples do dia a dia… Como levar na escola, participar de uma reunião, estar em datas comemorativas. Mas eu sempre tentei participar de tudo, sempre busquei isso.

Uma temporada mágica pela frente

Pela próxima temporada, a história promete ser diferente e bem mais gentil com a mãe Isadora. Miguel estará ao seu lado no dia a dia, vivendo e respirando Palmeiras. A primeira participação no treino das Palestrinas já teve o “check” do pequeno torcedor.

– Quero que ele viva esse sonho comigo também, acompanhando o dia a dia para ver o que realmente é o Palmeiras por dentro. Ele vai me ver atuando pelo time do coração dele e realizando o sonho dele, mas que também é o meu – encerrou.

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