Futebol feminino

Fifa regulamenta licença maternidade no futebol feminino, um passo fundamental para o esporte

A Fifa criará uma licença maternidade para os clubes que será obrigatória, com sanções que preveem banimento de transferência em caso de descumprimento. As regulações são consideradas um passo essencial para o futebol feminino, ao proteger as jogadoras de demissão ou, ao menos, de não renovarem o contrato por terem engravidado.

[foo_related_posts]

As jogadoras teriam direito a um mínimo de 14 semanas de licença maternidade (três meses e meio), com ao menos dois terços do seu salário garantido. A licença maternidade valeria tanto para jogadoras quanto para técnicas e membros da comissão técnica.

“Os clubes não poderão encerrar o contrato de uma jogadora por ela ter ficado grávida. Se isso acontecer, nós iremos impor uma multa, uma compensação à jogadora, mas também uma sanção esportiva. Nós iremos impor um banimento de transferências ao clube. De agora em diante, as jogadoras mulheres estarão melhor protegidas”, afirmou Emilio Garcia Silvero, diretor jurídico e de conformidade da Fifa.

“Nós achamos que essas regras são bom senso. Há alguns países em que esses direitos já existem, mas nós estamos tentando regular isso para os 211 diferentes territórios. As condições básicas serão obrigatórias a partir do dia 1º de janeiro de 2021”, continuou o dirigente. Com as regras, os clubes serão obrigados a reintegrar as jogadoras ao clube e providenciar “suporte médico contínuo adequado”.

Como adequação a essas regras, as regulações ainda garantem que:

  • Clubes terão permissão para contratar uma jogadora fora do período habitual da janela de transferências caso seja necessária uma reposição para substituir a jogadora em licença maternidade;
  • As novas mães devem ter a oportunidade de amamentar e/ou retirar leite.

Países como o Reino Unido já regulam uma licença maternidade para as jogadoras maior do que a proposta pela Fifa. Enquanto a entidade que regula o futebol mundial diz que é preciso ter no mínimo 14 semanas, no Reino Unido a licença maternidade é de 39 semanas. Além disso, no Reino Unido o pagamento é de 90% nas primeiras seis semanas, e depois £ 151,20 por semana ou 90% da média do salário semanal, o que for menor, das semanas sete até 39.

A proposta de uma licença maternidade da Fifa será votada pelo Conselho da entidade, em reunião em dezembro, algo que não deve ser problema, já que foi uma proposta construída dentro da Fifa já com bastante apoio, além de propor algo bastante básico.

“Uma mudança impactante e significativa para o nosso esporte”

A Fifpro, associação mundial de jogadores e jogadoras, comemorou a regulação. “Esta é uma mudança impactante e significativa para o nosso esporte”, afirmou a jogadora da seleção inglesa Jodie Taylor, que faz parte do conselho de jogadoras da Fifpro.

“As jogadoras de futebol precisam desse tipo de regulamento para garantir que possamos continuar nossas carreiras confiantes de que as provisões adequadas estão em vigor, caso decidamos ter filhos, o que é tanto reconfortante para nós como jogadoras como um reflexo do que o futebol profissional precisa para continuar crescendo”, continuou Taylor. “Espero que este seja o começo de políticas ainda mais progressivas e inclusivas para as jogadoras”.

“Este é um passo imensamente importante e essencial para o futebol feminino, para as jogadoras e para o crescimento sustentável do jogo. Nós, como jogadoras, precisamos desse tipo de provisionamento e proteções para que ninguém tenha que escolher entre começar uma família ou continuar a sua carreira no futebol, como algumas tiveram que fazer no passado”, afirmou a goleira Gabriela Garton, da Argentina.

“Este é apenas o primeiro passo, porque essas regulamentações representam um conjunto mínimo de proteções. Nós iremos continuar a pressionar, internacionalmente e internamente, por políticas parentais mais holísticas e condições ainda mais favoráveis, como licenças maternidade mais longas e considerações para os pais em geral. Nenhuma jogadora deveria enfrentar discriminação e certamente não como resultado da gravidez ou por atender às necessidades humanas básicas de uma mãe e seu filho após o parto”, disse o secretário-geral da Fifpro, Jonas Baer-Hoffmann.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo

Bloqueador de anúncios? Aí é falta desleal =/

A Trivela é um site independente, que precisa das receitas dos anúncios. Desligue o seu bloqueador para podermos continuar oferecendo conteúdo de qualidade de graça e mantendo nossas receitas. Considere também nos apoiar pelo link "Apoie" no menu superior. Muito obrigado!