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Fifa dobra prêmio da Copa feminina, mas também aumenta a diferença para a masculina

A reunião do Conselho da Fifa terminou, nesta sexta-feira, com o que eles provavelmente imaginavam ser uma boa notícia para o futebol feminino. A contribuição total da entidade para a Copa do Mundo do ano que vem, na França, subiu de US$ 15 milhões para US$ 50 milhões. A premiação para os times dobrou em relação ao Mundial de 2015: agora será de US$ 30 milhões. Mas nem todo mundo ficou feliz com a novidade.

O problema é que, apesar do aumento em números absolutos, a diferença dos valores recebidos pelos homens e pelas mulheres na verdade cresceu no último ciclo de Copa do Mundo. Segundo números da FIFPro, a Federação Internacional dos Jogadores de Futebol, a premiação dos homens cresceu, em quatro anos, de US$ 358 milhões para US$ 400 milhões.

Ou seja, a diferença entre as premiações da Copa do Mundo masculina, em 2014, para a feminina, no ano seguinte, era de US$ 343 milhões. Agora, a discrepância entre os prêmios financeiros do Mundial masculino da Rússia, este ano, e o feminino, em 2019, será de US$ 370 milhões. Cresceu US$ 27 milhões. Apenas a campeã França recebeu US$ 38 milhões pelo título conquistado em Moscou, mais do que toda a premiação já reforçada do torneio feminino.

“A FIFPro reconhece a vontade da Fifa de aumentar o prêmio da Copa do Mundo feminina e promover melhoras estruturais para apoiar o futebol feminino. No entanto, apesar dessas mudanças, o futebol permanece ainda mais longe do objetivo de igualdade para todos os jogadores de Copas do Mundo, independentemente do gênero”, afirmou o sindicato, em uma nota.

“Na realidade, as mudanças significam um crescimento na diferença entre as premiações dos homens e das mulheres. Essa tendência regressiva contradiz o compromisso estatutário da Fifa com a igualdade de gênero. O futebol, como o maior esporte do mundo, tem um papel fundamental para desempenhar na sociedade, mostrando que as mulheres são tão valorizadas quanto os homens”, completou.

De acordo com a Reuters, os sindicatos de Austrália, Noruega, Suécia e Nova Zelândia escreveram para a Fifa, reclamando que, apesar do aumento, a premiação masculina ainda é muito maior do que a feminina. “Apenas para fase de grupos, a seleção masculina australiana recebeu US$ 2,4 milhões da Fifa na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, enquanto as Matildas dividirão US$ 225 mil, menos de 10%”, afirmou o sindicato australiano. “Se as Matildas forem campeãs do mundo, receberão apenas 50% do que os Socceroos receberam por conseguirem vaga na Rússia”.

Outros valores cedidos pela Fifa aos homens também são muito maiores. Eles recebem US$ 48 milhões como ajuda de custo para amistosos de preparação, e os clubes, US$ 209 milhões para ceder jogadores. Pela primeira vez, as mulheres também serão agraciadas com esses auxílios, mas apenas US$ 11,5 milhões e US$ 8,5 milhões, respectivamente.

Fã de uma força-tarefa, Gianni Infantino anunciou a criação de uma no âmbito do futebol feminino para “identificar objetivos e os mecanismos para alcançá-los”. “Claramente, queremos investir mais no futebol feminino, e não apenas nos 24 melhores times do mundo que jogam na Copa, para os quais aumentamos significativamente os prêmios financeiros, mas temos o dever de fazer isso ao redor do mundo. É uma mensagem importante para o futebol feminino”, disse Infantino. Mas nem todo mundo gostou do conteúdo da mensagem.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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