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Estados Unidos souberam mudar seu estilo e tiveram Rapinoe decisiva para eliminar a França

A seleção dos Estados Unidos é um dos times que mais tem posse de bola no mundo, mas nesta sexta-feira soube se adaptar a um jogo diferente para vencer e eliminar a forte França, anfitriã da Copa do Mundo. Diante de um Parque dos Príncipes lotado, as americanas venceram por 2 a 1, com grande destaque para a atacante Megan Rapinoe, autora dos dois gols. As americanas se mostraram superiores ao longo do jogo, embora tenham também apresentado suas falhas.

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Mudança de estilo

As americanas costumam dominar amplamente a posse de bola contra suas rivais, mas não foi assim contra a França. O time francês gosta de atuar em velocidade, com jogadoras como Le Sommer e Diani dando trabalho para as adversárias em contra-ataques rápidos.

Só que desta vez, as americanas tiveram um trunfo: usaram menos a posse de bola como estratégia defensiva e recuaram para se defender mais atrás e dando campo para a França avançar, chamando-as para tentar explorar as suas costas. As francesas tiveram dificuldades em lidar com uma defesa americana muito mais fechada do que o normal.

Nas estatísticas finais do jogo, a França teve 60% de posse de bola contra 40% das americanas, mas não conseguiram ser efetivas. Trocaram 440 passes, com índice de aproveitamento de 79%. Tendo menos a bola, as americanas tiveram mais chances claras e poderiam ter vencido até com um pouco mais de tranquilidade.

Passou por todo mundo

Logo no início do jogo, em uma falta na ponta esquerda, Megan Rapinoe bateu à meia altura na área e a bola passou por todo mundo, inclusive por baixo das pernas de Amandine Henry, e entrou: Estados Unidos 1 a 0.

Contra-ataque mortal

As americanas conseguiram ampliar o placar logo no início do segundo tempo, usando as armas que tinham em mãos. Sem ter a maior parte da posse de bola, passaram a explorar a velocidade pelos lados do campo.

Aos 20 minutos do segundo tempo, Tobin Heath recebeu pela direita, avançou em velocidade e cruzou rasteiro. A bola passou por todo mundo e sobrou para Megan Rapinoe, no lado esquerdo, que finalizou de primeira e marcou 1 a 0.

Logo depois, as americanas chegaram ao terceiro gol. Crystal Dunn, apareceu no ataque, uma das suas melhores características (já que defender de fato não é o que ela faz melhor), chegou à linha de fundo e cruzou rasteiro para Tobin Heath. Ela completou de primeira para marcar, mas o gol foi anulado por impedimento de Dunn no início do lance. Um impedimento um tanto controverso de acordo com a imagem mostrada no replay da transmissão.

Bola aérea coloca França no jogo

Depois do susto do terceiro gol anulado, a França voltou ao jogo e mudou o panorama da partida. Em uma cobrança de falta de Gaëtane Thiney, a zagueira Wendie Renard subiu no meio da defesa e marcou: 2 a 1, aos 36 minutos do segundo tempo. A França renascia em uma partida que quase tomou o golpe de misericórdia, minutos antes. Com isso, o jogo voltou a ter alguma esperança.

Experiência americana

Com apenas um gol à frente, as americanas passaram a usar a sua experiência para gastar o tempo nos minutos finais. Tocaram a bola com mais tranquilidade, buscando ficar com a bola e impedir que as francesas fossem para o abafa. Conseguiram. Mesmo desesperadas – ou talvez por isso -, o time francês não conseguiu nem colocar bolas na área para aproveitar Renard, ou mesmo chutar de fora da área.

Vitória, mas problemas expostos

As americanas foram mais time que a França e a vitória veio, mas não quer dizer que o time não tenha problemas. Alguns pontos do time ainda seguem vulneráveis. As americanas sofrem poucos chutes a gol, mas não contaram com grandes atuações da goleira Alyssa Naeher nas três bolas difíceis que foram em sua direção. Das três, duas viraram gols – uma contra a Espanha, outra contra a França.

Há outros pontos. A lateral esquerda Crystal Dunn é excelente apoiando o ataque, mas sofre muito na defesa. No outro lado, a lateral Kelley O’Hara também teve seus problemas defensivos.

Ficha técnica

França 1×2 Estados Unidos

Local: Parque dos Príncipes, em Paris
Árbitros: Kateryna Monzul (Ucrânia)
Gols: Megan Rapinoe aos 5’/1T e aos 20’/2T (Estados Unidos), Wendie Renard
Cartões amarelos: Griedge Mbock Bathy, Élise Bussaglia (França)

França: Sarah Bouhaddi; Marion Torrent, Griedge Mbock Bathy, Wendie Renard Amel Majri; Amandine Henry, Gaëtane Thiney e Élise Bussaglia; Kadidiatou Diani, Valérie Gauvin (Delphine Cascarino) e Eugénie Le Sommer (Viviane Asseyi). Técnico: Corinne Diacre

Estados Unidos: Alyssa Naeher; Kelley O’Hara, Abby Dahlkemper, Becky Sauerbrunn e Crystal Dunn; Rose Lavelle (Lindsey Horan), Julie Ertz e Samantha Mewis (Carli Lloyd); Tobin Heath, Alex Morgan e Megan Rapinoe (Christen Press). Técnico: Jill Ellis

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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