Na véspera da Copa, seleção francesa feminina ter que ceder CT à masculina para amistoso é muito simbólico
A Copa do Mundo Feminina deste ano, que será realizada na França a partir de 7 de junho, tem gerado muito mais repercussão pré-torneio do que as edições anteriores. Patrocinadores parecem estar realmente interessados em impulsionar a competição, enfim percebendo seu potencial. Mas nem isso foi capaz de impedir um capítulo no mínimo controverso nesta quarta-feira (29). A seleção anfitriã vinha treinando no tradicional CT de Clairefontaine, mas teve que ceder o espaço para a seleção masculina, que se prepara para um amistoso contra a Bolívia.
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A seleção francesa feminina foi deslocada para o Domaine de la Voisine, na entrada de Clairefontaine. A propriedade foi durante longo tempo a instalação da seleção de rúgbi, antes da criação do Centro Nacional de Rúgbi em Essone, em 2002.
Às Bleues, restou minimizar a situação. Eve Périsset, defensora do PSG, por exemplo, disse que o “mais importante é trabalhar bem, as condições são excepcionais aqui. Temos os campos, é muito bom”.
No que pareceu uma bela jogada de relações públicas, as jogadoras da seleção dividiram um jantar com os campeões do mundo comandados por Didier Deschamps e também com jogadores de base na noite de quarta-feira. Uma ocasião especial, vendida como Federação Francesa, mas que certamente teria sido melhor se as Bleues não tivessem precisado esvaziar seus quartos logo depois para os Bleus.
Falando à imprensa, Deschamps esclareceu que elas “terão Clairefontaine à disposição durante toda a duração da Copa do Mundo, não tem debate sobre isso. É temporário, até que viajemos para a Turquia em 6 de junho”.

A seleção francesa feminina joga pela primeira vez uma Copa do Mundo como anfitriã. Restam nove dias para o torneio. Embora estejam satisfeitas com as instalações oferecidas próximas à Clairefontaine, o CT é historicamente usado também pelas Bleues em preparações para seus jogos. É casa delas tanto quanto dos campeões do mundo. Que elas tenham que ceder o espaço aos homens que se preparam para um simples amistoso é enormemente simbólico. A justificativa mais tarde foi revelada, conforme atualização que escrevemos abaixo: a Fifa demorou a responder à solicitação da Federação Francesa e, por fim, negou, dizendo que criaria condições desiguais em comparação com outras seleções – explicação que mantém a decisão simbólica, já que isso não foi um problema para os Bleus, que treinaram em seu château durante a Copa de 1998, sem falar em todas as outras seleções que puderam se preparar em suas casas, como o Brasil na Granja Comary em 2014.
Deschamps quis deixar claro que o time masculino “está de todo o coração com elas”. “Evidentemente, para as meninas, com essa Copa do Mundo em nossa casa, na França, este é o evento.”
Eu sinceramente tenho dúvidas se para a Federação Francesa “O” evento é mesmo a Copa do Mundo ou o amistoso dos Bleus contra a Bolívia.
Atualização às 15h02 de quinta-feira (30): Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, a treinadora das Bleues, Corinne Diacre, desmentiu as informações veiculadas pela imprensa francesa e disse que sua seleção havia se mudado para o Domaine de la Voisine desde a segunda-feira. “O ‘castelo’ (como é chamado o CT de Clairefontaine) é principalmente para os Bleus, sempre foi assim. E é ainda mais desde julho passado (conquista da Copa de 2018). Tudo foi feito para encontrar para nós uma acomodação muito boa. (…) O importante para mim era treinar em campos de qualidade.”
Uma matéria publicada pelo Le Parisien nesta quinta-feira informa ainda que a decisão havia sido tomada semanas atrás. Segundo o jornal, a Federação Francesa pediu à Fifa a permissão de usar Clairefontaine como base de sua seleção feminina, mas a resposta demorou e, quando veio, foi negativa, dizendo que criaria condições desiguais em comparação com outras seleções participantes do torneio.



