Copa do Mundo Feminina

Sarina Wiegman é o nome ideal para romper nova barreira: o comando do futebol masculino

Vice-campeã da Copa Feminina, Sarina elevou o patamar da seleção inglesa e pode ser a primeira mulher a dirigir uma equipe masculina

As mulheres sempre estiveram inseridas no futebol. Desde sua criação, em 1863, o esporte mais popular do mundo conviveu com mulheres em seu entorno. No entanto, o lugar delas sempre foi muito bem estabelecido pelos homens no comando: longe dos holofotes. Por isso, está mais do que na hora da barreira invisível – que separa o gênero feminino da liderança do esporte – ser rompida. 

Sarina Wiegman, treinadora da Inglaterra, vice-campeã da Copa do Mundo Feminina, pode ser a primeira a conseguir quebrar o tabu de uma mulher nunca ter dirigido um time masculino. Nesta semana, o executivo-chefe da federação inglesa, Mark Bullingham, confirmou que o nome da técnica está sendo analisado para substituir Gareth Southgate, caso ele deixe o cargo.

O papel de Sarina na seleção inglesa 

A história de Sarina enquanto treinadora conta com um período de ascensão muito rápido. Entre 2017 e 2021, a carreira da técnica deu um salto impressionante a partir do momento em que ela começou seu projeto na seleção da Holanda, seu país de origem. 

De lá para cá, Wiegman deixou o comando da equipe holandesa para assumir a ascendente Inglaterra. A treinadora trocou a Holanda pelas inglesas depois de cair nas quartas de final da Olimpíada de Tóquio-2020, ocorrida somente em 2021 por conta da pandemia de covid-19.

A rapidez apresentada na projeção da carreira se repetiu de maneira ainda mais meteórica no comando da Inglaterra. O contexto exposto a Sarina no mês de setembro de 2021 apresentava uma seleção em ascensão, semifinalista nos Mundiais de 2019 e 2015.

A holandesa chegou para dar o “próximo” passo e tornou a Inglaterra uma potência. Na primeira grande competição, a treinadora guiou um talentoso time ao título da Eurocopa, dentro de casa, com direito a vitória na final sobre a Alemanha em Wembley.

Ainda antes do Mundial, grande objetivo neste primeiro momento de trabalho, a Inglaterra de Sarina ainda conquistou a Finalíssima, no mesmo estádio, superando o Brasil nos pênaltis.

Na Copa do Mundo, mesmo com desfalques importantíssimos como Fran Kirby, Beth Mead (melhor da Euro) e Leah Williamson (capitã), Sarina conseguiu reinventar a equipe e levar a Inglaterra para a decisão contra a Espanha. 

Sarina, já consagrada como a melhor técnica do mundo em 2022, ficou a 90 minutos de fazer (ainda mais) história e se colocar entre as maiores da história. Apesar da derrota, foi a melhor treinadora do torneio e reforçou toda a felicidade na aposta da federação inglesa em contratá-la para o cargo.

Os números frios impressionam e reforçam o impacto da treinadora. Sarina perdeu apenas dois jogos nos 39 em que comandou a Inglaterra, um amistoso com a Austrália antes da Copa e a final deste domingo (20), apenas para a campeã. 

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É possível uma mulher treinar um time de futebol masculino?

Ao analisar o trabalho de Sarina à frente da Inglaterra, desde a conquista da Euro até a campanha na Copa do Mundo, é perfeitamente aceitável que ela seja cotada para treinar a equipe masculina. Por outro lado, muita gente vai se perguntar: como comparar um trabalho, realizado até então só no futebol feminino, com a modalidade masculina?

A resposta é simples: a menos que estejamos todos em um surto coletivo, o esporte praticado é o mesmo para ambos os gêneros.

Os campos em que as mulheres jogam são exatamente iguais aos dos homens. As mesmas 11 pessoas por equipe chutam a bola, com o objetivo de chegar ao gol adversário. Os esquemas táticos são os mesmos, assim como as regras do jogo. 

A única diferença é que, aos homens, absolutamente tudo foi dado desde o início do futebol. Já para elas, nada veio de graça. Os direitos de jogar, de trabalhar e, se ampliarmos o debate, até de existir neste espaço, sempre foram conquistados – e com muita luta. 

Por isso, se uma treinadora pode ser extremamente competente, fazendo com que mulheres, que têm uma história bem mais recente no esporte, apresentem um futebol bonito e eficiente em campo… Por que ela não seria capaz de fazer o mesmo com os homens, que têm uma história bem mais longa com a bola no pé? 

Bom, nunca saberemos a menos que alguma de nós consiga romper a barreira. Sarina tem grandes chances de cruzar essa linha e, mesmo com o vice, com certeza escreveu um novo capítulo para as mulheres no futebol.

Foto de Livia Camillo

Livia CamilloSetorista

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.

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