Oberdorf conta mágoas e experiências da infância jogando entre meninos
Volante da seleção alemã e do Wolfsburg só deixou o futebol misto aos 16 anos: 'Diziam: não seja driblado por uma menina'
Para muitas meninas ao redor do mundo, o simples ato de jogar futebol é por si só um ato de resistência. Existem barreiras na sociedade, que impedem que as mulheres possuam a mesma liberdade de praticar e treinar para seguir carreira na modalidade. Por esse motivo, e claro, pela falta de incentivo, as meninas são obrigadas a jogar entre os meninos. E isso nem sempre gera experiências positivas.
É o caso da volante Lena Oberdorf, da seleção alemã e do Wolfsburg. Na infância, ela tentava se desenvolver enquanto convivia apenas com meninos nos campos perto de casa. Em alguns momentos, a tarefa de superar as diferenças parecia impossível. Tudo porque os pais de seus colegas não encaravam de uma forma saudável a diversidade dentro de campo.
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Quem é Lena Oberdorf?
- Volante de 21 anos, convocada para a sua segunda Copa do Mundo;
- Referência do Wolfsburg, vice-campeão europeu de 2023;
- Eleita a melhor jovem da Euro 2021 e parte da seleção do torneio;
- Atleta mais jovem a disputar uma Copa do Mundo pela Alemanha, aos 17 anos.
Em entrevista ao site do Guardian, Lena revelou algumas mágoas da infância, quando tinha de lutar por espaço entre os meninos, realidade comum a muitas jogadoras profissionais da atualidade. Antes de entrar para as categorias de base do Essen, Oberdorf passou por equipes juvenis mistas. E era capitã, para desespero dos garotos.
Mas a liderança e a postura feroz dentro de campo geravam repercussão fora, dos pais. Oberdorf não guarda boas memórias desse tempo. “‘Volte para a cozinha!’ era bastante frequente. Mas o que mais me entristecia era ouvir ‘Não seja atropelado por uma menina! Não seja driblado por uma menina!’, com certeza.
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Lena Oberdorf: a capitã entre os meninos
Conforme ia subindo de categoria, o desequilíbrio ficava maior. E a força utilizada pelos meninos também, conta ela. “Eles começaram a me dar carrinhos por trás, foi aí que percebi que estava ficando perigoso demais”. O salto para o futebol feminino foi apenas aos 16 anos. Até esse ponto, o universo que ela conhecia era o da hostilidade masculina. Embora tenha sido muito difícil, isso trouxe vantagens para Lena.
“Isso me fez uma jogadora melhor. Meninos são maiores, mais fortes, e você precisa passar por eles de alguma forma. Também aprendi a me livrar da bola mais rápido, porque não queria sofrer uma entrada forte. Isso eu via quando jogava com o meu irmão, Tim. Enquanto estávamos jogando entre nós, tudo era permitido, e se eu ficasse brava com ele, devolvia um carrinho na mesma força, mas era alguém da minha família”, explicou. Tim, seu irmão, atua pelo Fortuna Dusseldorf.
A Alemanha tem chances na Copa do Mundo?
A Alemanha é uma das favoritas para o título na Copa do Mundo de 2023. O bom desempenho e a solidez defensiva demonstradas na Eurocopa em 2022 credenciaram a seleção de Martina Voss-Tecklenburg ao posto. Mesmo com a derrota na final, para a Inglaterra, a experiência adquirida pelas alemãs deve ser um ponto forte na disputa. Mais do que isso, a seleção da Alemanha conseguiu cativar o seu povo.
“Ajudou que a Euro fosse na Inglaterra, porque lá eles são acostumados a ver todos os esportes. Algumas vezes, os alemães pensam: ‘Temos o futebol masculino e nada mais importa’. Agora as coisas mudaram até no nosso país. Voltamos para casa e todos nos receberam bem, vimos como é fantástico ter tanta gente lá, torcendo por nós”, finalizou.
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