Brasil vai testar “legado de 2014” para receber Copa Feminina de 2027, diz Ana Moser
Ministra do Esporte afirma que candidatura por Copa Feminina não contará com grandes investimentos público; Ideia é aproveitar a estrutura do Mundial masculino realizado nove anos atrás
Sem dinheiro público, ou quase isso. Essa é a promessa da Ministra do Esporte, Ana Moser, para construir a candidatura do Brasil para receber a Copa do Mundo Feminina de 2027. A estratégia brasileira é usar o “legado de 2014” como forma de apresentação para a Fifa.
O Governo Federal trabalha com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para fechar o projeto para o Mundial de 2027. O plano é ter oito sedes, aproveitando parte das 12 utilizadas pela Fifa na Copa do Mundo de 2014, realizada em solo brasileiro.
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– Estamos no começo ainda desse processo, (temos) até o final do ano para apresentar o caderno (de encargos). É um momento de construção coletiva junto com a CBF – afirmou Ana Moser, em entrevista concedida ao ge.
– Não existe e muito provavelmente não existirá investimento em obras para a Copa do Mundo (de 2027). O investimento (público) que existirá será no legado para o desenvolvimento do futebol feminino – completou a ministra.
O Brasil concorre com mais três candidaturas: uma da África do Sul, uma dos Estados Unidos e do México e outra conjunta das confederações da Holanda, Bélgica e Alemanha.
Depois de entregar o caderno de candidatura em dezembro, o Brasil deve receber a inspeção da Fifa em fevereiro e ter a resposta sobre a sede em maio de 2024.
Maior legado agora é outro
Na entrevista, Ana Moser afirmou que lançará ainda em agosto uma estratégia para o futebol feminino. O Ministério do Esporte vai reunir ações, projetos de lei e programas direcionados para a modalidade, ainda em evolução no Brasil.
Ou seja, o investimento público será direcionado para o desenvolvimento da modalidade.
Essa notícia é um grande legado, até maior do que a possibilidade de receber uma Copa do Mundo em solo brasileiro. Há a obrigatoriedade dos clubes de ter equipes femininas, mas o trabalho de base estruturado ainda é restrito a poucos clubes da elite.
O projeto governamental ajudaria a promover um atalho para uma modalidade negligenciada por governos passados, especialmente na ditadura militar. As mulheres foram proibidas de praticar futebol por 40 anos.
Transformar a prática do futebol feminino como uma política governamental, sim, seria um grande legado a ser deixado para meninas que assistiram pela televisão o Mundial da Austrália e da Nova Zelândia.
"Todas essas questõe se somam a uma série de ações que nós, Ministério do Esporte, chamamos de Estratégia de Desenvolvimento do Futebol Feminino. E que dentro do contexto da candidatura do mundial de 2027 seriam o grande legado desse evento para o futebol feminino brasileiro". pic.twitter.com/oOcMvFEQ2I
— Ministério do Esporte (@EsporteGovBR) July 27, 2023

