Copa do Mundo Feminina

Copa do Mundo Feminina: Em dia de goleiras, Holanda avança e Suécia elimina EUA

Duelo com a África do Sul foi duro, mas Holanda conseguiu a vitória de forma apertada; Suécia segurou os Estados Unidos e venceu nos pênaltis para impor eliminação histórica às americanas

O dia de Copa do Mundo na Austrália (porque não teve jogos na Nova Zelândia neste dia) teve uma favorita confirmando a sua classificação e uma surpresa. A Holanda superou a África do Sul por 2 a 0 em um jogo muito mais difícil do que o esperado. A grande surpresa, porém, foi a eliminação dos Estados Unidos. A Suécia fez um jogo duro, segurou o empate por 0 a 0 e levou a disputa nos pênaltis — com muita emoção nas cobranças.

Copa do Mundo Feminina: resultados, gols e melhores momentos do 17º dia

Holanda 2×0 África do Sul: sul-africanas venderam caro a derrota

Holandesas comemoram o gol contra a África do Sul (Icon Sport)

A Holanda apresentou um excelente futebol até aqui na Copa do Mundo e, até por isso, a África do Sul era uma zebra. O que se esperava era a vitória das holandesas, mas a forma como aconteceu surpreendeu. As sul-africanas foram osso duro de roer e o placar de 2 a 0 pode soar enganoso em relação ao tamanho da dificuldade que o jogo apresentou.

O primeiro gol da Holanda até saiu rápido. Esmee Brugts fez um cruzamento que virou chute e a goleira Kaylin Swart jogou para escanteio. Na cobrança, LIeke Martens cabeceou, a lateral Lebogang Ramalepe desviou e a bola subiu. Jill Roord aproveitou, com a bola quase em cima da linha, só para cabecear para dentro: 1 a 0 para a Holanda.

O gol cedo deu a impressão que a Holanda ia passar por cima das Banyana Bayana. A superioridade técnica da seleção holandesa era clara antes do jogo e com o gol cedo, tudo poderia se abrir. Mas não foi o que aconteceu. A principal responsável por isso atende por Thembi Kgatlana.

A atacante, capitã da África do Sul, infernizou a defesa das europeias. Baixinha, rápida e muito habilidosa, ela levava perigo em todas as bolas com arrancadas difíceis de serem paradas. Aos 11 minutos, ela fez uma linda jogada e finalizou, obrigando a goleira Daphne van Domselaar a mostrar serviço. Seria só a primeira vez.

Aos 32 minutos, novo lance da craque Kgatlana. Desta vez ela recebeu pela esquerda, pedalou para cima da marcação e soltou a bomba. Novamente, a goleira Daphne defendeu e mandou para escanteio. E ela continuava causando problemas. Aos 44, em uma roubada de bolad a África do Sul, Kholosa Biyana fez um belo passe para Kgatlana, que fez a finta, mas perdeu o ângulo e chutou em cima da goleira, duas vezes. Uma chance claríssima de empatar o duelo.

Nos acréscimos do primeiro tempo, Kgatlana tocou para Linda Mothlalo, que devolveu para Kgatlana dentro da área, fez a finta na marcação e chutou, mas novamente a goleira Daphne defendeu. No rebote, Wendey Shongwe chutou de fora e exigiu nova defesa da goleira holandesa. Um sufoco.

As sul-africanas sofreram com lesões no primeiro tempo. Primeiro, aos 30, Kermaine Seoposenwe, ponta pela direita, precisou sair e foi substituída justamente por Wendy Shongwe. Depois, foi a vez da zagueira Bambanani Mbane precisar sair por lesão, substituída por Tisetso Makhubela.

No começo da segunda etapa, logo aos oito minutos, um susto para as sul-africanas. Lineth Beerensteyn fez o passe para Victoria Pelova, que parecia impedida, e ela cruzou rasteiro para a área. Lieke Martens dominou, girou e marcou 2 a 0. Só que não valeu: a assistente marcou impedimento, confirmado pelo VAR em seguida.

Aos 22 minutos, a Holanda marcaria o segundo gol de fato, mas de um jeito terrível: Beerensteyn recebeu em profundidade, tinha liberdade, avançou e bateu mal. Só que a goleira Kaylin Swart foi pior ainda e tomou um frangaço.

As Banyana Banyana continuaram tentando. Aos 26 minuytos, Kgatlana recebeu dentro da área, tocou para trás e Motlhalo chutou e novamente a goleira Daphne fez a defesa. Nada de gol para as sul-africanas, que perderam força na parte final da partida.

A Holanda enfrentará a Espanha nas quartas de final, no que promete ser um duelo dos mais interessantes. O jogo será no dia 10, quinta-feira, às 22h (horário de Brasília).

Suécia 0(5)x(4)0 Estados Unidos: suecas fazem as americanas sofrerem (de novo)

Jogadoras americanas lamnetam a eliminação (Icon Sport)

Suécia e Estados Unidos são seleções rivais no futebol feminino e os duelos entre elas são constantes em grandes competições. E dá para dizer que as suecas são uma pedra no sapato das americanas. Desta vez, deixaram uma marca pesada. Depois do empate por 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, a Suécia levou a melhor na disputa de pênaltis e venceu por 5 a 4. Está nas quartas de final.

O duelo entre Suécia e Estados Unidos aconteceu 43 vezes no futebol feminino desde 1987. São 23 vitórias americanas, 12 empates e só sete vitórias suecas. Parece um domínio americano, mas não é bem assim. Especialmente quando pensamos nos mais importantes deles.

Em 2011, por exemplo, a Suécia venceu por 2 a 1 e fez as americanas ficaram em segundo no seu grupo naquela edição. Em 2015, as duas seleções empataram em 0 a 0. Em 2019, as americanas venceram por 2 a 0. Só que nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio, a Suécia eliminou os Estados Unidos ainda nas quartas de final, nos pênaltis, depois de empate no tempo normal e prorrogação. Na Olimpíada de Tóquio, em 2021, as duas seleções caíram no mesmo grupo e a Suécia impôs uma derrota pesada por 3 a 0.

Desta vez, a Suécia chegava como líder do seu grupo na primeira fase, tendo superado África do Sul, Itália e Argentina com três vitórias. As americanas sofreram mais e passaram em segundo, atrás da Holanda, e superando Portugal (por um ponto) e Vietnã. Mais do que os resultados, o que mais preocupava as americanas era o futebol, que tem sido de baixo desempenho.

Ao longo da partida, as americanas foram melhores e criaram mais chances. No primeiro tempo, foram ao menos três boas chances para o time americano, que não conseguiu superar a goleira Zecira Musovic, grande destaque da partida. O time americano tentava com chutes de fora, sem medo de arriscar. Andy Sullivan chutou para fora e Trinity Rodman fez a goleira Musovic trabalhar.

A Suécia ameaçou em escanteio fechado aos 21 minutos, que obrigou a goleira Alyssa Naeher a espalmar para longe. Rodman tentou novamente aos 26, em jogada pela direita que ela fez a finta e chutou, com nova defesa da goleira sueca. Aos 33, minutos, em cobrança de escanteio, a capitã Lindsey Horan mandou a bola no travessão. Desta vez, a goleira sueca não chegou, mas a bola não entrou.

No segundo tempo, a goleira Musovic continuava sendo muito acionada. Em jogada pela direita de Emily Foz, a bola sobrou na entrada da área para Lindsey Horan e ela soltou um foguete. A goleira sueca fez uma defesaça para impedir o gol da camisa 10 americana.

A goleira americana também precisou trabalhar quando Stina Blackstenius puxou o ataque, tocou para Sofia Jakobsson e a camisa 10 sueca chutou forte, mas Alyssa Naeher defendeu. Mas eram as americanas que criavam as melhores chances. Aos 42 minutos, Lynn Williams avançou pela direita, cruzou e Alex Morgan cabeceou bem, mas Musovic fez outra grande defesa — e no momento crucial da partida.

A goleira sueca continuava afiada. Defendeu chute de Morgan, de Lynn Williams, duas vezes. De Lindsey Horan e seguia impedindo que as americanas marcassem. A disputa foi mesmo para os pênaltis.

A disputa de penalidades foi emocionante. As quatro primeiras cobranças foram perfeitas, duas para cada lado. Na terceira cobrança, as americanas marcaram com Kristie Mewis e as suecas desperdiçaram com Nathalie Bjorn. Só que aí Megan Rapinoe também desperdiçou, o que ofereceu a chance para a Suécia empatar. Chance desperdiçada: Rebecka Blomqvist também perdeu.

As americanas poderiam ter vencido caso Sophia Smith fizesse, mas ela desperdiçou. Hanna Bennison empatou. Alyssa Naeher, a goleira americana, cobrou e marcou. Magdalena Eriksson, da Suécia, também. Só que Kelley O’Hara bateu mal e desperdiçou a sua cobrança, chutando na trave. Lina Hurtig bateu, a goleia Alyssa Naeher defendeu, mas a bola foi para trás. Ela tirou, dizendo que a bola não tinha entrado. Só que há a tecnologia na linha do gol que mostra se a bola entrou ou não e foi confirmado: a bola entrou inteira. Gol da Suécia e classificação assegurada.

É a pior participação dos Estados Unidos em uma Copa do Mundo Feminina em toda a história. Maior campeã da competição, com quatro títulos (1991, 1999, 2015 e 2019), as americanas sempre estiveram entre as três primeiras colocadas. Nunca foram fora do pódio. Desta vez, porém, caíram nas oitavas de final e o questionamento precisará vir. O desempenho foi ruim, o time jogou mal a maioria dos jogos e precisará fazer uma boa reflexão.

Para as suecas, porém, é tudo festa: elas avançam às quartas de final e, depois de eliminar um colosso como os Estados Unidos, por que não sonhar com o seu primeiro título? Não há como não pensar nisso depois de um resultado como esse. A adversária da Suécia será o Japão, outra seleção que tem jogado muito bem e passou pela Noruega nas oitavas de final. O jogo será na próxima sexta-feira (11), às 4h30 (horário de Brasília).

Veja os melhores momentos:

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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