Campeonato Brasileiro Feminino

O Avaí não se rendeu, mas no fim falou mais alto o talento do Corinthians, bicampeão brasileiro

O Corinthians tem sido o melhor time feminino do país. Desde 2016, conquistou cinco títulos e bateu o recorde de vitórias consecutivas, com 34, entre homens ou mulheres. O troféu do Campeonato Brasileiro havia escapado ano passado, nos pênaltis contra a Ferroviária, e o time de Arthur Elias estava determinado a recuperá-lo. Foi o que fez, neste domingo, com uma grande atuação na Neo Química Arena para vencer o Avaí/Kindermann, por 4 a 2, e se tornar bicampeão brasileiro.

Foi a quarta final consecutiva do Corinthians. E é ano sim, ano não, bate campeão. Perdeu do Santos e depois ganhou do Rio Preto. Ano passado, o empate contra a Ferroviária no jogo de ida, por 1 a 1, foi justamente o resultado que encerrou a sequência de 34 vitórias consecutivas. O jogo de volta foi 0 a 0 e, nos pênaltis, o time do interior de São Paulo conquistou o Campeonato Brasileiro.

O roteiro estava parecido. O Avaí/Kindermann retornou à final após seis anos e uma tragédia. No final de 2015, quando conquistou a Copa do Brasil, o principal título da sua história, o treinador José Henrique Kaercher foi assassinado por Carlos José Correa, que comandava uma equipe de futsal dos mesmos donos. O projeto do futebol feminino foi paralisado e precisou começar do zero, agora liderado por Jorge Barcellos, campeão pan-americano com a seleção brasileira em 2007.

Sexto lugar na primeira fase, a equipe catarinense eliminou o Internacional e o São Paulo para chegar à final. Conseguiu manter o 0 a 0 contra o Corinthians na partida de ida na Ressacada e ficou a apenas uma vitória do título. Ele não veio, ainda, apesar de todos os esforços das jogadoras para se manter na partida contra o Corinthians, mas a campanha foi bastante especial.

O jogo começou muito travado. O Avaí/Kindermann estava bem armado na defesa e até adiantava as linhas para marcar pressão. Teve uma chance com uma batida de canhota de Duda que foi desviada pela goleira Lelê a escanteio. Por volta dos 25 minutos, porém, o Corinthians começou a dominar. Bárbara teve que sair do gol para abafar a chegada de Gabi Nunes, que havia recebido um belo lançamento dentro da área. O problema é que, na cobrança de escanteio, Diany cruzou, houve um desvio no meio do caminho e Gabi Nunes emendou de primeira para abrir o placar.

O gol deixou o Avaí um pouco atordoado. Bárbara defendeu um chute cruzado da direita Crivelari. Adriana ainda ficou com o rebote e bateu com desvio para escanteio. Na cobrança do canto, a goleira não saiu tão bem do gol e Gabi Zanotti ampliou para o Corinthians. Antes do intervalo, Bárbara fez uma defesa muito plástica para evitar o segundo de Zanotti, de fora da área.

Adriana abriu os trabalhos do segundo tempo com um chute perigoso, rente à trave, mas o Avaí conseguiu voltar ao jogo. Catyellen cobrou falta pela direita e Zoio descontou às visitantes. A janela para tentar uma pressão que gerasse o empate foi pequena demais. Aos 11 minutos, Tamires cruzou muito bem da esquerda, Crivelari completou de cabeça e Bárbara fez uma grande defesa. O rebote, porém, ficou fácil para Zanotti emendar ao gol vazio: 3 a 1.

A situação ficou bem difícil, mas o Avaí não havia chegado tão longe para desistir. Duda fez boa jogada pela esquerda da grande área, limpou a marcação e bateu para defesa de Lelê. Camila ficou com a sobra de outra cobrança de falta, na entrada da pequena área, de frente, e acabou isolando. No outro lado, Bárbara seguiu executando milagres para manter seu time na disputa, como uma defesa dupla em tentativas de Portilho e Zanotti.

Gabi Nunes chegou a marcar o quarto do Corinthians, mas o lance foi anulado por impedimento. No minuto seguinte, o Avaí conseguiu diminuir. Lelê recebeu o lançamento do campo de defesa, ganhou da marcação na corrida e bateu cruzado, sem chances para a sua xará.

Mas o jogaço que decidiu o Brasileirão Feminino ainda não havia terminado. Diany descolou um lindo passe por elevação para Vic Albuquerque, que o colocou no chão e bateu cruzado para fechar a vitória contundente do Corinthians que lhe rendeu o segundo título brasileiro.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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