Futebol feminino

Apesar das limitações, o Brasil faz 3 a 0 sobre o Uruguai e segue 100% na Copa América Feminina

Brasil levou um tempo para engrenar, mas construiu o resultado entre o fim do primeiro tempo e o começo do segundo

Favorito na Copa América Feminina, o Brasil conquistou sua segunda vitória em dois compromissos disputados pela competição. Entretanto, a equipe dirigida por Pia Sundhage ainda não empolga, com uma vitória protocolar contra o Uruguai por 3 a 0. As brasileiras tiveram problemas de início, mas deslancharam na reta final da primeira etapa. O terceiro gol veio logo no início do segundo tempo, e o time parou por aí. Fez o suficiente para o placar seguro, sem necessariamente apresentar algo diferente ou fugir de suas limitações.

O Uruguai equilibrou o início da partida. Fechava a marcação e tinha suas escapadas, contra um Brasil que errava demais na construção das jogadas. A primeira chance das brasileiras só veio depois dos 20, numa falta cobrada por Bia Zaneratto ao lado da trave. A Seleção despertou e ia encontrando mais espaço, para dar trabalho à goleira Sofía Olivera. Ary Borges e Debinha assustaram, até que o gol saísse aos 33. Em grande jogada pela ponta, driblando duas, Antonia cruzou por baixo e Adriana definiu no segundo pau.

O gol dava tranquilidade ao Brasil, que seguiu no domínio até o final do primeiro tempo. Tamires exigiria outra boa defesa de Sofía Olivera, enquanto Ary Borges insistia bastante, inclusive com um gol anulado. Já nos acréscimos, Debinha deixou a sua marca. Bia Zaneratto puxou a jogada e serviu a companheira, que saiu com liberdade diante da goleira. Ficou fácil para concluir. Não era a melhor exibição das brasileiras, mas o favoritismo se confirmava e a vitória já parecia encaminhada. O Uruguai, além das fragilidades, perdeu duas jogadoras lesionadas na primeira etapa.

O Brasil voltou com três mudanças para o segundo tempo. Começou bem e ampliou logo aos três minutos: Rafaelle acertou ótimo lançamento para Debinha, que rolou para Adriana só escorar. O problema é que as dificuldades da Seleção continuaram na segunda etapa. A saída de Debinha tinha seu preço e as brasileiras não faziam uma boa atuação na criação. O time caiu de ritmo e tomou alguns sustos, inclusive com uma bola na trave de Carolina Birizamberri. Todavia, o Uruguai ficaria com uma mulher a menos, com a expulsão de Ximena Velazco aos 33. A reta final da partida era mais arrastada, com algumas faltas. Nada que melhorasse a impressão sobre o time de Pia Sundhage.

O Brasil chega a duas vitórias nesta Copa América, depois de golear a Argentina por 4 a 0 na estreia. As brasileiras ganharão folga na próxima rodada do grupo. Voltam a campo apenas no dia 18, contra a Venezuela, antes de encerrarem a participação na chave três dias depois, diante do Peru. Os resultados são confortáveis e a classificação para as semifinais não deve ser problema. A questão é corresponder um pouco mais conforme o potencial do time.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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