Futebol feminino

Ada Hegerberg volta a defender a seleção norueguesa após cinco anos e mira evolução do país no esporte

Craque do Lyon havia abandonado as convocações para exigir melhores condições salariais para as mulheres

À frente de um movimento importante que exige igualdade no pagamento para atletas do futebol masculino e feminino, Ada Hegerberg está de volta à seleção da Noruega após cinco anos. Protagonista por ser a melhor jogadora do mundo em 2018, a atacante do Lyon, penta-campeã europeia com o clube, entende que chegou a hora de retomar os serviços pelo seu país.

Em 2017, Ada se afastou da seleção por discordar da maneira como a Federação Norueguesa tratava a equipe feminina. Anos depois, admitiu que vivia um pesadelo e que a situação lhe trouxe problemas psicológicos. O pedido por mudanças urgentes agitou o futebol na Noruega e, lentamente, a situação se transformou, a ponto da estrela do Lyon aceitar o retorno e de maneira otimista.

Hoje com 26 anos e vendo longos anos de futebol pela frente, Hegerberg concedeu entrevista a Suzanne Wreck, repórter do jornal Guardian, e falou sobre suas expectativas nesse retorno. Vale lembrar que a Copa do Mundo feminina terá uma nova edição em 2023, sediada na Austrália, e a Noruega pode se beneficiar bastante de ter Ada jogando no seu ataque. A irmã dela, Andrine, que atua como meia pelo Hacken, da Suécia, também faz parte das convocações nacionais desde 2012.

Ada menciona uma grande vontade de inspirar novas gerações de meninas futebolistas, e o papel de Lise Klaveness, presidenta da Federação Norueguesa, como grandes fatores que pesaram na sua volta. Klaveness, aliás, foi eleita no último dia 7 de março e se tornou a primeira mulher a presidir a entidade, em 120 anos.

“Senti que era a hora certa. Eu senti muita falta de jogar pelo meu país, é um sentimento fantástico. Algo que falta para nós, ainda, é a ligação com as novas gerações. Lembro de me comunicar com os mais novos quando defendia a seleção e sentia que estava inspirando todos eles. Isso é de suma importância para mim”, comentou Ada.

Sobre a relação com Lise Klaveness, Hegerberg deixou claro que o movimento para o seu retorno partiu da Federação: “Ela que fez questão de reiniciar esse processo. Joguei com ela, então não era como se eu estivesse falando com algum dirigente. Fui bastante sincera com ela sobre meus pontos e pedi a ela que, se voltasse, teríamos de confiar uma na outra com muita honestidade. Me senti aberta para poder discutir tudo isso com Lise, o que me deixou feliz. Ela é alguém que estava no sistema durante o período em que estive fora, e temos a mesma visão sobre o jogo. Tenho certeza que ela possui consciência dos desafios que encaramos há tempos, para quem apontei meus dedos lá em 2017. Foi um grande alívio poder ter essas conversas”, reiterou.

Depois de enfrentar lesões graves, Ada está recuperada e voltando aos poucos à forma. O tempo fora não preocupa, e o ânimo da atacante em retornar aos gramados é contagiante: “Contanto que você mantenha consistência na forma como trabalha, acho que isso sempre vai trazer um espírito positivo para as coisas. Estou pronta para esse desafio, não tomaria essa decisão se não fosse por isso. O que quero dizer é que é muito positivo ter meu nome nas costas da camisa da Noruega. Tenho arrepios só de pensar. Mal posso esperar para inspirar novas jovens incríveis a ocupar nossos espaços no futuro”, concluiu a craque norueguesa.

Agora você já tem mais um motivo para acompanhar o ciclo até a próxima Copa do Mundo feminina, em 2023. Que, com sorte, terá em Hegerberg mais uma estrela nos campos australianos em busca do título mais sonhado da modalidade.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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