‘Tentaram me retratar como um fascista’: Goleiro do PSG se pronuncia após polêmica
Arqueiro francês curtiu publicação nas redes sociais e sofreu críticas por parte dos torcedores parisienses
O nome de Lucas Chevalier esteve no centro das atenções nas redes sociais. De acordo com a imprensa europeia, o goleiro do Paris Saint-Germain teria curtido uma publicação do deputado Julien Aubert, do Partido Republicano, afirmando que votaria na Reunião Nacional — partido de extrema-direita — em caso de segundo turno.
A mensagem do político eleito pela Provença, partilhada no X e no Instagram, se referia ao debate aberto na direita sobre as alianças políticas tendo em vista as próximas eleições legislativas.
A Reunião Nacional (Rassemblement National) é um partido liderado por Marine Le Pen e Jordan Bardella e que passou a se chamar Frente Nacional em 2018 para tentar modernizar sua imagem e atrair mais eleitores.
O grupo político defende propostas como restrições à imigração e controle de fronteiras, além de mudanças econômicas. Eles se baseiam em ideias como a soberania nacional, a manutenção da lei e da ordem, o autoritarismo e o nativismo, promovendo interesses da população contra os dos imigrantes, como explicou Alessio Scopelliti, pesquisador dos partidos da direita radical na Universidade de Bristol à “BBC”.
A interação do goleiro com a postagem de Aubert desencadeou uma onda de reações na internet por parte de torcedores e usuários das redes sociais.
Após as críticas, o jogador se posicionou afirmando que foi uma ação acidental e que teriam tentado “retrata-lo como um fascista”.
— Tentaram me retratar como um fascista, e não é a mim que estão mirando, mas toda a minha família. Nunca me farei de vítima, mas a linha foi ultrapassada, e por muito — afirmou.

Ainda em nota publicada nas redes sociais, Chevalier declarou que não compactuava com a “orientação política” do partido e afirmou que curtiu a postagem de forma involuntária enquanto estava rolando a tela do celular.
— Pude ver o que foi dito sobre mim na noite anterior, sobre o fato de ter gostado de uma publicação no Instagram com uma orientação política que, obviamente, não partilho. É desolador saber que, ao fazer ‘scroll’ e deixar um ‘gosto’ sem querer, a tua imagem é completamente destruída por uma ação acidental — publicou.
Por fim, o jogador afirmou não querer convencer ninguém, lamentou a violência das reações e disse ainda que nunca se permitiria pensar tais coisas (políticas defendidas pelo partido).
— Não estou aqui para exibir a minha educação ou as minhas opiniões políticas, porque sou, antes de mais, um futebolista. Mas é certo que quem me conhece sabe perfeitamente os valores e o respeito que os meus pais e a minha família me ensinaram, e que eu nunca me permitiria pensar tais coisas — declarou.
Ex-PSG, Mbappé criticou machismo e se opôs à extrema-direita
Se por um lado Lucas Chevalier deixou dúvidas sobre o que realmente acredita na política, por outro Kylian Mbappé, ex-PSG, trouxe uma opinião rara no meio futebolístico ao se posicionar contra o machismo e a extrema-direita.
Criado em um bairro simples de Paris e filho de imigrantes vindos de Camarões, o francês nunca negou suas origens e quis reforçar a defesa de imigrantes. Em 2024, o atacante se opôs ao avanço da extrema-direita nas eleições legislativas e falou sobre a importância de se posicionar no futebol.
— Às vezes, no meu país, sou criticado por falar abertamente, mas antes de ser um jogador de futebol, sou uma pessoa normal que fica feliz, triste, bravo e, no final, dou minha opinião com base nos meus valores, porque acredito que é bom. Não tenho medo de dar minha opinião, mas entendo que há jogadores de futebol que não querem fazê-lo. Não tenho problema em falar com as pessoas se elas acham que estou errado, isso acontece na vida — disse Mbappé ao programa “El Objetivo”.
Outro importante posicionamento do atual atacante do Real Madrid se referia ao machismo que rodeia o esporte ao abordar a figura da mãe, Fayza Lamari, uma das responsáveis pela gestão da carreira do filho. Na ocasião, o francês afirmou que muitas pessoas não gostam de ver mulheres exercendo funções importantes no futebol.
— As pessoas tinham uma imagem muito dura da minha mãe, mas isso é futebol, e as pessoas não querem muitas mulheres fazendo uma das coisas mais importantes do futebol. Ela não é minha agente, ela só quer o melhor para o filho, assim como quer para o meu irmão [Ethan Mbappé, do Lille]. Ela nunca faz nada que eu não queira. Ela faz muito por mim, como meu pai, mesmo que as pessoas às vezes falem mal dela — contou.


