França

Mbappé: “Pedi para sair e queria que o clube recebesse um valor pela transferência”

Com contrato até junho de 2022, Mbappé diz que avisou o clube em julho, mas que aceitaria ficar mais uma temporada se assim quisessem

Kylian Mbappé foi uma das histórias mais faladas na janela de transferências e seu nome ficou nas especulações até o último dia. O jogador queria sair, o clube não queria vender. No fim, ele ficou, mas ainda não tinha falado nada a respeito disso. Depois de meses de silêncio, o atacante resolveu falar. Confirmou que pediu para sair, que avisou com tempo suficiente para o clube se planejar e disse que queria que o PSG recebesse um valor pela sua transferência, mas estaria disposto a permanecer se o clube quisesse até o fim da temporada.

“Eu pedi para sair, porque no momento que decidi não renovar, queria que o clube recebesse um valor pela transferência para ter uma reposição de qualidade”, explicou em entrevista à RMC. “É um clube que me trouxe muita coisa, eu sempre fui feliz, os quatro anos que passei aqui, e ainda sou. Anunciei cedo o bastante para que o clube pudesse lidar com isso. Queria que todos saíssem maduros, dando as mãos, fazer um bom acordo, e eu respeitei isso. Eu disse, se vocês não quiserem que eu saia, eu fico”.

“As pessoas disseram que eu recusei seis ou sete propostas de renovação, que não queria mais falar com Leonardo, isso absolutamente não é verdade. Me disseram: ‘Kylian, você agora falará com o presidente’”, contou o jogador. Um dos entrevistadores sugere que isso pode ser porque Leonardo não conseguiu chegar a um acordo com o atacante. Foi o dirigente que disse que “Mbappé está no centro do projeto, mas não acima”. “Não cabe a mim julgar. Mas sobre mim, a minha posição era clara. Eu disse que queria sair e disse cedo o bastante”.

Mbappé fez questão de dizer que não gostou de o clube divulgar que ele só manifestou a sua vontade de sair em agosto. Ele conta que fez isso um mês antes. “Eu, pessoalmente, não gostei muito do fato de dizerem que só comuniquei na última semana de agosto, porque isso é falso. Eu disse no fim de julho que queria sair”, contou.

O PSG pareceu querer dar uma lição em Mbappé, como fez com Neymar ainda em 2017. Na época, o brasileiro foi a público dizer que queria sair e voltar ao Barcelona, mas o clube francês não aceitou vender o jogador, que continuou. As coisas melhoraram e Neymar aceitou renovar seu contrato até 2025 – quando terá 33 anos. O contrato do brasileiro ia até junho de 2022, como o do Mbappé.

Com Mbappé, porém, não houve acordo para renovar. O atacante deixou claro o seu desejo de sair. Pela entrevista, fica claro que esse desejo não mudou. O PSG quis manter o jogador seja como for e assim fez. Ele não parece disposto a mudar de ideia para uma renovação, o que significa que provavelmente o jogador, um dos melhores do mundo atualmente, deve sair sem custos para outro clube ao final do seu vínculo, em junho de 2022. O Real Madrid é o destino mais falado, até porque o jogador se falou sobre o seu desejo de jogar pelos merengues.

Em termos de mercado, é um movimento pouco inteligente do PSG. Terá a sua estrela mais um ano, mas o perderá sem custos. Seria um dinheiro importante inclusive para questões de Fair Play Financeiro – ainda que, vá lá, o clube nunca tenha agido pensando nisso nas suas grandes decisões.

O episódio ainda gerou atritos com a própria torcida do PSG, que já chegou a vaiar o atacante, ainda que discretamente. O ataque Mbappé, Neymar e Lionel Messi deve durar apenas uma temporada. Então, é bom apreciar. Tanto PSG quanto Mbappé devem se preparar para a próxima etapa. Para o Real Madrid, com problemas financeiros recentes agravados pela pandemia, ter Mbappé sem precisar pagar nada ao PSG será o melhor dos mundos. Aos parisienses, restará pensar em um substituto, talvez pensando até em equilibrar mais o time. Isso se o projeto for um time vencedor. Se for pelo marketing, dá para pensar em alguma outra superestrela – alguém falou em Erling Haaland?

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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