Lyon na penumbra

Em comunicado oficial, o Lyon desmentiu os rumores de que Claude Puel deixará o clube. Sempre que um voto de confiança aparece assim, desconfie. Ainda mais quando o treinador, contestado há tempos, não consegue conduzir sua equipe a uma vitória sobre o Toulouse. Com um time irregular, o OL trava com o Paris Saint-Germain um duelo de incompetência: qual deles será o menos incapaz de perder pontos bestas e se classificar para a próxima edição da Liga dos Campeões?
Após a derrota por 2 a 0 para o Toulouse, Puel mudou a rotina do Lyon. A segunda-feira, que tradicionalmente seria para folga, tornou-se dia útil com um treino leve. Além disso, o técnico teve uma conversa com o elenco, pouco depois de se encontrar com a diretoria do clube. Era necessária uma cobrança, ainda mais por conta da atuação completamente sem alma diante dos Violetas.
Resta saber até que ponto as palavras de Puel causam algum tipo de reação aos jogadores, exaustos do ponto de vista físico e psicológico. Há um nítido sinal de desconforto entre pessoas próximas ao presidente Jean-Michel Aulas. Este grupo questiona os plenos poderes dados ao treinador e a cega confiança do chefão em Puel, mesmo com os resultados pouco animadores em campo.
As principais críticas recaem sobre a falta de uma linha condutora de Puel em seu trabalho. As estatísticas jogam contra o treinador. Nas 44 partidas disputadas pelos lioneses nesta temporada, o treinador mudou a escalação inicial em 42 delas. As reclamações já vêm de longa data, mas Aulas parece dar de ombros para a “turma do amendoim” e sempre salienta a importância de seu amigo – embora fique cada vez mais difícil defendê-lo.
Para o Lyon, não se classificar para a LC seria o pior desastre desta temporada. Disputar o principal torneio interclubes do continente se tornou uma obrigação. Fica difícil não imaginar que o OL fique fora do grupo dos três melhores times da França. Puel está perto da façanha de nem subir ao pódio. Uma classificação para a Liga Europa simbolizaria um fracasso retumbante, tanto do ponto de vista esportivo como econômico. E, claro, significaria o adeus do treinador.
O Lyon participou das últimas onze edições da LC. A cinco rodadas do fim da Ligue 1 e com um confronto contra o OM por vir, o OL precisa reagir e apresentar uma feição completamente diferente da exibida em seus últimos jogos. Sonolento, medroso e sem ousadia, o time demonstra nervosismo com seus erros, como se viu na expulsão de Michel Bastos ao levar dois cartões em menos de cinco minutos. Sem um choque, não haverá grandes esperanças aos lioneses.
Dor de cabeça
Quando o Olympique de Marseille dava pinta de que deixaria o Lille para trás e rumaria tranquilo para a conquista do título francês, eis que o OM engasgou. Em pleno Vélodrome, os marselheses deixaram escapar a vitória e empataram por 1 a 1 com um desesperado Auxerre. Em compensação, o LOSC soube aproveitar muito bem o presente reservado pela tabela. O Arles-Avignon era tudo do que o time precisava neste momento.
O Lille vinha de uma sequência de resultados pouco animadores. A equipe estava sem vencer havia três partidas, perdeu a liderança para o OM e dava claros sinais de que não teria pernas para dar o troco. Eis que surgiu o lanterna Arles-Avignon à frente, doido para levar mais uma goleada e reabilitar um ataque que estava decepcionando. Era o adversário ideal para devolver todo o moral perdido.
Nem mesmo a ausência de Moussa Sow, lesionado, fez o Lille perder sua sede para dar a volta por cima. O técnico Rudi Garcia decidiu apostar em um esquema para compensar a ausência de Balmont e proteger melhor sua defesa. Por isso ele optou por um 4-2-3-1, que se revelou a estratégia perfeita para a ocasião. Certo, o rival pouco acrescentou, mas o LOSC recuperou sua capacidade de se mostrar perigoso no ataque sem se descuidar do setor defensivo.
Para uma equipe que havia perdido seu equilíbrio emocional após os resultados decepcionantes em seus jogos mais recentes, o Lille agradeceu sem cerimônia ao Arles-Avignon. O lanterna foi o sparring perfeito para o LOSC, que recuperou não apenas a liderança como seu estado de espírito – exatamente o ponto forte do Olympique de Marselha nesta reta final.
O OM certamente tem muito a lamentar após perder dois pontos em casa. Afinal, os marselheses tiveram amplo domínio sobre o Auxerre no Vélodrome, mas o AJA entrou em campo disposto ao que de melhor sabe fazer: atuar recuado e buscar um empate. Esta foi a 18ª igualdade da equipe nesta Ligue 1, o maior número entre os 20 participantes da competição.
O Olympique de Marseille pagou o preço de desperdiçar tantas chances claras na primeira etapa. Após o intervalo, o Auxerre cedeu ainda mais espaços aos donos da casa, que enfim abriram o placar com Valbuena. A vitória parecia certa e a manutenção da liderança também. Com um AJA praticamente inexistente no ataque, era só esperar os minutos para comemorar.
Eis que Jean Fernandez mudou o rumo das coisas. O treinador do AJA orientou seus jogadores a adotar uma postura mais ofensiva. A falha de Heinze no lançamento de Dudka, que permitiu a Jo-Gook igualar, contribuiu, mas o vacilo do OM não se traduz exclusivamente no erro do argentino. Todo o time falhou ao não definir a partida logo, tantas foram as chances desperdiçadas. Agora, os marselheses precisam trabalhar para impedir que o tropeço cause maiores efeitos negativos.
Continuidade
O Paris Saint-Germain já pensa no futuro e, para tanto, definiu quem será seu comandante. O clube chegou a um acordo e decidiu prolongar o contrato do treinador Antoine Kombouaré por mais uma temporada, com término agora previsto em 2013. A manutenção do técnico tem por trás algo bem maior. Afinal, ele havia condicionado sua continuidade na equipe à permanência da Colony Capital como principal acionista do clube.
O grupo havia dado sinais de que sua ligação com o PSG estava por um fio em um passado não muito distante. Kombouaré também parecia fadado a sair do time da capital por conta de seu temperamento difícil e por problemas de relacionamento com alguns jogadores. Pelo visto, prevaleceu a teimosia do “Kanak”, com prestígio renovado após as provas de que continua com plenos poderes.
O treinador foi contratado pelo PSG em 2009, mas logo de cara encontrou uma situação complicada. Apesar da conquista do título da Copa da França, o clube terminou a Ligue 1 em um modesto 13º lugar. O salto de qualidade se deu nesta temporada, com o time brigando pela classificação para a próxima Liga dos Campeões. No entanto, o bom início deu lugar às atuações irregulares e problemas internos.
A primeira prova de que Kombouaré está com moral se reflete no planejamento para a próxima temporada. O PSG já tem seu primeiro reforço para 2011/12: Nicolas Douchez. O goleiro, a pouco de tempo de encerrar seu contrato com o Rennes, trocará os bretões pelos parisienses e deve acabar com uma das lacunas do elenco. Afinal, as trapalhadas em profusão de Apoula Edel acabaram com a paciência do torcedor mais otimista.
Como Grégory Coupet também conta as horas para aposentar suas luvas, Douchez chega para assumir o posto de titular e dar a segurança de que o time precisa nesta posição. O PSG ofereceu a ele um contrato de três temporadas, com a possibilidade de renová-lo por mais 12 meses. O Rennes ainda tenta uma última cartada, mas dificilmente o arqueiro deixará de vestir a camisa número um do clube da capital.
Com isso, fica claro para Edel qual será sua posição na temporada seguinte. Ou ele se acostuma com a ideia de ser um mero reserva ou então pode começar a procurar outra equipe para jogar. Para quem sonhava nas últimas semanas em ver seu contrato renovado e com um bom aumento salarial, a chegada de um concorrente de categoria e sem custos veio como uma ducha de água gelada (com o perdão do trocadilho).
Exatamente por não gastar um centavo sequer de sua poupança para trazer um bom goleiro, o PSG pode concentrar seus esforços em contratar outros atletas para posições carentes. Além disso, o clube está bem perto de renovar o contrato com outro de seus principais jogadores. Ludovic Giuly desbancou o então queridinho Stéphane Sessegnon e se tornou indispensável à equipe com seus gols e assistências.
Levando-se em consideração que Mamadou Sakho, Clément Chantôme e Christophe Jallet também já exibem seus contratos novos em folha, o PSG segue um bom caminho para a montagem do grupo para a próxima temporada. Manter sua espinha dorsal será fundamental para um bom desempenho nas competições que disputar, ainda mais em caso de classificação para a Liga dos Campeões. Com boatos em torno de nomes como os de Kévin Gameiro e Morgan Amalfitano, o time se prepara para subir de nível e, enfim, reencontrar seus melhores tempos.



