Ligue 1

Adi Hütter é um técnico de boa bagagem para levar o Monaco de volta às copas europeias

Adi Hütter foi campeão na Áustria e na Suíça, enquanto também fez um trabalho marcante no Eintracht Frankfurt

O Monaco faz uma escolha interessante para seu comando técnico rumo à próxima temporada. Os alvirrubros acertaram com Adi Hütter, comandante que fez um bom trabalho no Eintracht Frankfurt recentemente, embora não tenha dado certo no Borussia Mönchengladbach. Os monegascos não conseguiram a classificação para as copas europeias na próxima temporada e tentam melhorar os resultados depois de uma queda abrupta de rendimento em 2022/23. Há uma redução de investimento no elenco e, até por isso, nem sempre os nomes badalados trazidos ao banco de reservas tiveram longevidade no principado durante os anos recentes.

Adi Hütter assina com o Monaco por duas temporadas e sua principal missão será recolocar o time nas copas europeias. Philippe Clement vinha de um bom trabalho no Estádio Louis II, mas o time perdeu fôlego na reta final da última Ligue 1 e isso custou o emprego do treinador. Quando ainda se sonhava com uma vaga na Champions League, os monegascos acabaram de fora até da Conference League. A rotatividade no comando dos alvirrubros é alta desde que a primeira passagem de Leonardo Jardim se encerrou em 2018. Apostas como Thierry Henry e Robert Moreno tiveram vida curta, enquanto o próprio Jardim não emplacou. Clement foi exatamente quem durou mais, ao lado de Niko Kovac, que rendeu bem na primeira temporada e caiu bastante na segunda.

O que credencia Adi Hütter

Este será o primeiro trabalho de Adi Hütter fora de um país de língua alemã. O austríaco trabalhou primeiro nas categorias de base do Red Bull Salzburg, antes de rodar por clubes pequenos do Campeonato Austríaco. Sua primeira grande oportunidade veio no time principal do próprio Salzburg, mas durou apenas uma temporada, mesmo com a conquista da dobradinha nacional com os Touros Vermelhos em 2014/15. Saiu por discordar das vendas realizadas pelo clube. Mais sucesso teria à frente do Young Boys, a partir de 2015. Hütter ficou quatro temporadas nos aurinegros e conduziu um trabalho de reconstrução, que rendeu o fim do jejum de 32 anos no Campeonato Suíço.

O principal passo de Adi Hütter aconteceu em 2018, quando assinou com o Eintracht Frankfurt. E o treinador daria continuidade ao crescimento do clube, ao substituir Niko Kovac. Aproveitou a base campeã da Copa da Alemanha e alcançou as semifinais da Liga Europa. Também fez boas campanhas na Bundesliga e bateu na trave em busca do G-4. Foram três temporadas positivas no Deutsche Bank Park. Contudo, a importância do austríaco diminuiu um pouco quando, logo depois, Oliver Glasner conduziu as Águias ao título da Liga Europa em 2021/22. E não que Hütter tenha se ajudado. Chegou ao Borussia Mönchengladbach e pouco fez após a saída de Marco Rose, com uma passagem ordinária que durou apenas a temporada 2021/22.

Monaco segue com força para sonhar com Champions

Desde então, Adi Hütter estava sem emprego. Não seria treinador para um clube com grandes perspectivas na Bundesliga, por exemplo. Mas o Monaco sai como uma oportunidade de bom tamanho ao austríaco. É um clube estável na parte de cima da tabela na Ligue 1, apesar de algumas campanhas ruins recentes. Poderá moldar seu estilo de jogo ao redor de bons nomes e também de promessas que costumam despontar no principado. Os monegascos seguem como candidatos às vagas na Champions.

Até o momento, o mercado de transferências do Monaco está parado. Não há grandes novidades para os alvirrubros. Mesmo assim, o elenco é competitivo. A defesa possui o destaque de Axel Disasi, enquanto Caio Henrique e Vanderson aparecem nas laterais. Youssouf Fofana, Mohamed Camara e Aleksandr Golovin são referências no meio-campo. Já o ataque tem a qualidade de Wissam Ben Yedder, em conjunto a figuras como Kevin Volland e Breel Embolo. O tradicional 3-5-2 de Hütter deve demandar adaptações, mas há boas perspectivas para o grupo – em especial, para os brasileiros nas alas.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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