França

França aposta em Henry para comandar sua seleção masculina nos Jogos de Paris

O ex-jogador do Arsenal tem uma carreira curta e de altos e baixos como treinador, mas ganhará uma grande oportunidade

Brilhante como jogador, a carreira de técnico de Thierry Henry ainda não engrenou, mas ele terá uma chance de ouro para mostrar o que pode fazer – ou de prata, ou de bronze.

A Federação Francesa de Futebol anunciou que ele será o técnico do time masculino de futebol nos Jogos Olímpicos de Paris que serão realizados em 2024. Também assumirá a seleção sub-21 que começará em março a tentativa de se classificar para a fase final da Eurocopa da categoria, marcada para a Eslováquia, em 2025.

Ele substituirá Sylvain Ripoli, que estava no cargo desde 2017. Sob seu comando, a França não passou da fase de grupos em Tóquio e foi eliminada nas quartas de final da última Euro sub-21.

O que Henry fez como técnico?

Henry é um dos maiores nomes que a França poderia colocar no seu banco de reservas para a Olimpíada que sediará. Como técnico, porém, não tem muitas experiências bem sucedidas. Trabalhou na base do Arsenal logo depois de se aposentar, em 2014, e foi assistente de Roberto Martínez na seleção belga, entre 2016 e 2018. Foi um tempo de preparação interessante à espera da primeira oportunidade como técnico principal, que chegaria pouco depois do Mundial da Rússia.

O Monaco, clube que o revelou, acreditou que o ciclo de Leonardo Jardim havia terminado. O técnico português estava desde 2014 no Principado e havia começado a temporada 2018/19 com apenas uma vitória em nove rodadas da Ligue 1. Henry foi convocado como uma aposta: um clube que investe e desenvolve jogadores jovens tentaria fazer o mesmo com uma grande estrela começando a caminhada como treinador. Não durou muito tempo, nem deu muito certo.

Henry foi contratado em outubro e demitido no fim de janeiro. Fez 20 jogos, com apenas duas vitórias pelo Campeonato Francês e outras duas nas copas nacionais, o que não serviu de grande coisa porque foi eliminado da Copa da França pelo Metz, da segunda divisão. Também caiu fora da Champions League, na fase de grupos, como lanterna. O Monaco corria risco de rebaixamento.

Além dos resultados, a gota d´água foi uma entrevista em que criticou a atitude de vários jogadores e anunciou que eles seriam afastados do elenco principal. A diretoria não gostou e, em um primeiro momento, disse apenas que ele seria suspenso, mas ficou claro que era o fim da linha. Curiosamente, Leonardo Jardim retornou e evitou a queda, por pouco. Apenas dois pontos acima da zona dos playoffs contra uma equipe da Ligue 2.

Henry durante sua passagem pelo Monaco como técnico (Foto: Icon Sport)

O Monaco era uma grande oportunidade para Henry. Um clube estruturado, geralmente classificado à Champions League, com uma política interessante de reforços, mas pareceu que ainda não estava preparado. Então, deu um passo atrás e assumiu o Montréal Impact, da Major League Soccer, na qual havia passado quatro anos defendendo o New York Red Bulls. E foi bem melhor. Chegou às quartas de final da Concachampions e, pela primeira vez na história da franquia, aos playoffs da MLS.

Circunstâncias extraordinárias, porém, impediram que o trabalho tivesse continuidade. Por causa da pandemia, o Montréal Impact foi deslocado para os Estados Unidos, mas a família de Henry permaneceu no Canadá. Ele não quis passar mais um ano longe dos filhos e decidiu retornar a Londres. Retornou à comissão técnica de Roberto Martínez para as disputas da Euro 2020 (realizada em 2021) e da Copa do Mundo do Catar.

Ele tem se destacado como um bom analista de estúdio cobrindo a Champions League para a emissora americana CBS Sports – você já deve ter visto algum vídeo dele com Jamie Carragher, Micah Richards e a apresentadora Kate Abdo. Como técnico, ainda é cedo para saber se terá futuro.

Foi elogiado pelo trabalho com a seleção belga e estava no caminho certo com o Montréal Impact, mas a experiência pelo Monaco, o clube mais importante e da liga mais forte que treinou, foi muito frustrante. É uma aposta da Federação Francesa, mais em seu tamanho como uma grande estrela do futebol mundial do que no que mostrou até aqui.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
Botão Voltar ao topo