França aposta em Henry para comandar sua seleção masculina nos Jogos de Paris
O ex-jogador do Arsenal tem uma carreira curta e de altos e baixos como treinador, mas ganhará uma grande oportunidade
Brilhante como jogador, a carreira de técnico de Thierry Henry ainda não engrenou, mas ele terá uma chance de ouro para mostrar o que pode fazer – ou de prata, ou de bronze.
A Federação Francesa de Futebol anunciou que ele será o técnico do time masculino de futebol nos Jogos Olímpicos de Paris que serão realizados em 2024. Também assumirá a seleção sub-21 que começará em março a tentativa de se classificar para a fase final da Eurocopa da categoria, marcada para a Eslováquia, em 2025.
Ele substituirá Sylvain Ripoli, que estava no cargo desde 2017. Sob seu comando, a França não passou da fase de grupos em Tóquio e foi eliminada nas quartas de final da última Euro sub-21.
??????? ????? est nommé sélectionneur de l’Équipe de France Espoirs, jusqu’en 2025 ✍️
L’ancien international dirigera les Bleuets pour la prochaine campagne de qualification à l’Euro U21 2025 et pour les Jeux Olympiques de Paris 2024 ?? pic.twitter.com/Bj59AzydZF
— Equipe de France ⭐⭐ (@equipedefrance) August 21, 2023
O que Henry fez como técnico?
Henry é um dos maiores nomes que a França poderia colocar no seu banco de reservas para a Olimpíada que sediará. Como técnico, porém, não tem muitas experiências bem sucedidas. Trabalhou na base do Arsenal logo depois de se aposentar, em 2014, e foi assistente de Roberto Martínez na seleção belga, entre 2016 e 2018. Foi um tempo de preparação interessante à espera da primeira oportunidade como técnico principal, que chegaria pouco depois do Mundial da Rússia.
O Monaco, clube que o revelou, acreditou que o ciclo de Leonardo Jardim havia terminado. O técnico português estava desde 2014 no Principado e havia começado a temporada 2018/19 com apenas uma vitória em nove rodadas da Ligue 1. Henry foi convocado como uma aposta: um clube que investe e desenvolve jogadores jovens tentaria fazer o mesmo com uma grande estrela começando a caminhada como treinador. Não durou muito tempo, nem deu muito certo.
Henry foi contratado em outubro e demitido no fim de janeiro. Fez 20 jogos, com apenas duas vitórias pelo Campeonato Francês e outras duas nas copas nacionais, o que não serviu de grande coisa porque foi eliminado da Copa da França pelo Metz, da segunda divisão. Também caiu fora da Champions League, na fase de grupos, como lanterna. O Monaco corria risco de rebaixamento.
Além dos resultados, a gota d´água foi uma entrevista em que criticou a atitude de vários jogadores e anunciou que eles seriam afastados do elenco principal. A diretoria não gostou e, em um primeiro momento, disse apenas que ele seria suspenso, mas ficou claro que era o fim da linha. Curiosamente, Leonardo Jardim retornou e evitou a queda, por pouco. Apenas dois pontos acima da zona dos playoffs contra uma equipe da Ligue 2.

O Monaco era uma grande oportunidade para Henry. Um clube estruturado, geralmente classificado à Champions League, com uma política interessante de reforços, mas pareceu que ainda não estava preparado. Então, deu um passo atrás e assumiu o Montréal Impact, da Major League Soccer, na qual havia passado quatro anos defendendo o New York Red Bulls. E foi bem melhor. Chegou às quartas de final da Concachampions e, pela primeira vez na história da franquia, aos playoffs da MLS.
Circunstâncias extraordinárias, porém, impediram que o trabalho tivesse continuidade. Por causa da pandemia, o Montréal Impact foi deslocado para os Estados Unidos, mas a família de Henry permaneceu no Canadá. Ele não quis passar mais um ano longe dos filhos e decidiu retornar a Londres. Retornou à comissão técnica de Roberto Martínez para as disputas da Euro 2020 (realizada em 2021) e da Copa do Mundo do Catar.
Ele tem se destacado como um bom analista de estúdio cobrindo a Champions League para a emissora americana CBS Sports – você já deve ter visto algum vídeo dele com Jamie Carragher, Micah Richards e a apresentadora Kate Abdo. Como técnico, ainda é cedo para saber se terá futuro.
Foi elogiado pelo trabalho com a seleção belga e estava no caminho certo com o Montréal Impact, mas a experiência pelo Monaco, o clube mais importante e da liga mais forte que treinou, foi muito frustrante. É uma aposta da Federação Francesa, mais em seu tamanho como uma grande estrela do futebol mundial do que no que mostrou até aqui.


