Dante: ‘Se tiverem que estourar meus joelhos, que estourem’
Zagueiro brasileiro cobra jogadores e crítica quem deixou o Nice em meio a luta contra o rebaixamento na Ligue 1
O zagueiro Dante, conhecido por sua passagem no Bayern de Munique e uma época na seleção brasileira, segue atuando mesmo aos 42 anos. Ele costumava ser um pilar do Nice, equipe que chegou a ser sensação na Ligue 1, mas soma uma série de lesões no joelho enquanto seu time vive momento delicado nesta temporada.
Após 25 rodadas do Campeonato Francês, o clube conhecido como Le Gym soma apenas 24 pontos e está na 15ª colocação, apenas uma acima do lugar que leva ao playoff contra um representante da segunda divisão. A diferença de pontos para o Auxerre, 16º, é de cinco e de sete para o Nantes, 17º, posição que cai direto à Ligue 2.
A situação ficou ainda mais pesada com a dura goleada sofrida para o Rennes, 4 a 0, no último domingo (8). A equipe já não vence pela liga há mais de um mês e o capitão brasileiro decidiu chamar a responsabilidade.

Dante passa recado a jogadores do Nice e promete entrega
Após a partida, apenas a sua oitava atuação na Ligue 1 2025/26, o experiente defensor criticou sutilmente alguns jogadores e discutiu com alguns membros da torcida. “Com os torcedores, falamos a verdade sobre a situação”, explicou.
— Estamos numa missão importante. Em um tipo de missão como essa, é preciso ter orgulho, um pouco mais de agressividade e até coragem. […] É um grupo que sente o peso de todos esses resultados negativos, que está com menos confiança. Precisamos dizer a nós mesmos que vamos para a guerra juntos — disse.
O zagueiro até garantiu que, se for para lesionar seu joelho novamente, que aconteça — ele rompeu o ligamento do joelho esquerdo em 2020 e, desde então, sofre uma sequência de problemas físicos. Dante irá se aposentar ao final desta temporada, em maio.
— Restam nove batalhas e não vamos desistir. Temos que pensar: ‘Minha vida, hoje, pertence ao futebol’. Tem mais dois meses, um pouco mais… Não importa como estarão meus joelhos. Se tiverem que estourar, que estourem — expôs.

O capitão do Nice ainda mandou indireta a quem deixou o clube recentemente (foram várias saídas, como o ex-técnico Franck Haise, o dirigente Fabrice Bocquet e os jogadores Terem Moffi e Jeremie Boga).
— Esta temporada é complicada. Agora precisamos assumir nossas responsabilidades. Mas há muitas pessoas culpadas nisso tudo. Pessoas culpadas que ainda estão aqui, outras que foram embora, outras que estão longe. Quem sofre somos nós e nossos torcedores. Essa missão é nossa, para corrigir muitas coisas que foram mal feitas.
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Como Nice se afundou em crise
Equipe tradicional da França, tetracampeã nacional nos anos 50, o Nice é peça garantida na primeira divisão francesa desde 2002. O último rebaixamento foi na temporada 1996/97, passando os cinco anos seguintes na segundona até voltar à elite.
No século 21, as Águias se acostumaram a ficar na parte de cima da tabela — com algumas raras disputas contra o rebaixamento, como em 2013/14, quando só se salvaram por dois pontos –, alcançando até uma terceira colocação e outros quarto lugares.
No último ano, a equipe fez boa campanha, só não chegando diretamente na Champions League por um ponto. Em 25/26, porém, tudo ruiu. Haise não lidou bem com as saídas de importantes jogadores, os novos não se firmaram e a equipe chegou a emplacar nove derrotas seguidas entre novembro e dezembro do ano passado.
Foi nessa época que Boga e Moffi foram alvos de agressões e vítimas de ataques racistas da torcida do clube francês. Também em dezembro, o técnico Franck Haise saiu para a chegada de Claude Puel, que, apesar de levar o time às semifinais da Copa da França, só venceu uma partida da Ligue 1 desde janeiro.
🇫🇷 Socos, chutes e insultos racistas
— Trivela (@trivela) December 2, 2025
Jogadores do Nice são agredidos por torcedores em protestohttps://t.co/nxIcaBcBBj
Entra também a responsabilidade do dono desde 2019, Sir Jim Ratcliffe, proprietário também do Manchester United. O empresário, que já assumiu que não gosta de assistir aos jogos do Le Gym, está tentando vender a equipe há quase um ano.
O britânico praticamente nem tem aparecido no clube francês e sua ausência é motivo de críticas. “Ratcliffe não faz nada para passar o bastão e permitir que o OGC Nice vire a página, deixando, por exemplo, uma oferta de compra sem resposta há semanas”, aponta reportagem da rádio local “France Bleu Azur”.
A situação do Nice se agrava e, na próxima rodada, visita o Angers antes de receber o PSG. A equipe acompanhará cada partida de Auxerre e Nantes, afinal, tem sido difícil contar com o desempenho próprio — venceu uma das últimas 15 rodadas da Ligue 1.



